30 de outubro de 2010

Child Of The Damn - The Return


Ali, onde estava, no meio da floresta escura, tinha uma bela visão da casa a poucos metros. Embora estivesse parcialmente iluminada, ela sabia, na verdade sentia, as duas presenças bem ali. E esse era seu objetivo. Com a corrida silenciosa, foi parar no telhado da mansão em movimentos ágeis. Estava na hora de mexer um pouco com os moradores dali. Adentrou por uma das janelas sem fazer barulho e, no mesmo momento, as luzes começaram a piscar insistentemente.
- O que foi isso? - Stefan levantou-se ao mesmo tempo em que o irmão e os dois olharam para trás, já que à frente só havia a lareira. A luz falhou uma vez mais, deixando tudo praticamente escuro, antes de voltar com força total e assim permanecer. O vento frio de uma das janelas abertas soprou em uma rajada, provocando arrepios nos dois.
- Olá irmãos. - ouviram da parte mais escura da casa, próxima ao corredor. Dois olhos violetas apontaram e em seguida o vulto tão conhecido caminhava em sua direção.
- ? - disseram juntos e a garota riu sarcástica.
- É claro. - o salto de sua bota de cano alto afundou no encosto do sofá e os braços se apoiaram sobre sua perna dobrada. - Sentiram minha falta?
Os dois se mantiveram em silêncio, já fazia anos que a irmã mais nova havia sumido para o mundo e ter sua presença de volta era sempre motivo de terror para todos ao redor. A verdade era que, em todo aquele século de existência, Damon e Stefan haviam aprendido, da pior maneira, a respeitar ; de fato, eles a temiam.
- O que está fazendo aqui? - Stefan disse, a irmã já estava logo a sua frente. Ela não era muito alta, mas o salto que usava a deixava praticamente na mesma altura do que ele. soltou um risinho debochado.
- Francamente Stefan, eu esperava uma recepção mais hospitaleira vinda de você. - manteve as mãos na cintura enquanto virava seu corpo para o outro irmão. - E você Damon, nada a dizer?
Damon apenas pigarreou, ele e o irmão ainda estavam chocados com a volta repentina de e desejavam ser apenas mais um pesadelo. A menina ainda continuava à espera de alguma pronúncia vinda dos irmãos sem desmanchar a expressão petulante e analítica, mas ela sabia, ela via em seus olhos, o medo que causava e se sentia satisfeita.
- Muito bem. - sentou-se na poltrona ao lado da lareira sendo rapidamente seguida pelos dois. - O que eu perdi? - cruzou as pernas apoiando um dos braços na poltrona enquanto o outro pousava sobre as pernas.
- Por que está aqui? - Stefan perguntou firme e Damon intercalou o olhar entre os dois. pôs-se de pé fuzilando o irmão e um ronco saiu de sua garganta. O ódio transpareceu em seus olhos.
- Eu volto quando bem quiser, entendeu? - sustentou o olhar de seu irmão mais velho antes de dar-lhe as costas. Parou, entretanto, ao lado de um enorme aquário que havia na sala. Abaixou-se, ficando na mesma altura que o objeto, podendo observar o único peixe que ali habitava. Sorriu de canto e segundos depois o peixe boiava, morto.
- Não posso permitir que você bagunce com nossas vidas de novo. - o mais velho levantou-se do sofá carregando uma pistola antiga, o que fez a irmã voltar a olhá-lo. O sorriso tomou conta de seus lábios e seu ouvido pôde captar o carregamento da arma.
- Stefan, não... - Damon disse, mas o irmão já havia puxado o gatilho fazendo com que um projétil de madeira disparasse do interior do cano. Mais rápido do que os olhos de qualquer um deles, agarrou a bala ainda no ar com o indicador e o polegar, como se fosse um dente que acabara de cair, mantendo o mesmo sorriso calmo.
- Adoro quando a nossa relação chega a esse ponto, é tão emocionante. - suspirou a menina parecendo realmente empolgada e deu leves passos em direção aos irmãos esfarelando o projétil entre os dedos. - Agora você vai abaixar essa arma e esquecer que tivemos esse momento inoportuno. - suas pupilas dilataram o máximo antes de se retraírem de volta ao normal. Damon olhou o irmão que imediatamente abaixara a arma ainda encarando com a expressão petrificada.
- Amanhã de manhã conversaremos. - Damon disse, embora assustado, encarando a irmã com firmeza.
- Boa noite Damon. - sorriu a garota angelical e se retirou.
- Stefan? - Damon mexeu no garoto pelos ombros que balançou a cabeça, confuso.
- O que aconteceu? Por que estou com isso? - o garoto olhava da arma para o irmão e Damon prendeu os lábios em uma linha fina, mais uma vez ela havia conseguido.
- Espero que vocês não tenham mexido no meu quarto. - ouviram antes de a porta bater ao longe e Stefan olhou em direção ao vazio, a expressão derrotada.
- Ela... - Damon fez sinal de silêncio com o dedo e apontou para a orelha, indicando que a irmã escutaria o que ele diria e era melhor manter-se calado.
Ambos sentaram-se no sofá da sala principal e se mantiveram em silêncio, sabiam que o inferno havia acabado de recomeçar.

~*~

- Bom dia irmãozinhos. - disse animada sentando-se à mesa onde costumavam tomar o café da manhã. É claro que ambos não deixaram de notar as flores de um vaso próximo murcharem ao que a menina passou por elas antes de se sentar. Stefan e Damon permaneceram em silêncio e a garota bufou. - Vocês sabem que não é assim que deveriam me recepcionar. - pegou fortemente na faca que havia ao lado da cesta de pães e a fincou em um deles. - Vocês já estão há muito tempo em Mystic Falls, o que os prende nessa cidade entediante? - apoiou seu queixo em cima de uma das mãos que colocou sobre a mesa, olhando curiosa para os irmãos que trocaram olhares desconfortáveis.
- Na verdade,... - Damon começou, mas Stefan o interrompeu.
- ...estou aqui por causa de uma garota. - disse sem rodeios. Sabia que não adiantava esconder as coisas de , era melhor que descobrisse daquela maneira do que por outra, bem pior até. o olhou parecendo satisfeita.
- Uma garota? - seu tom surpreso logo se transformou em interesse. - E essa garota tem nome?
- Elena. - Stefan bufou ao ouvir Damon pronunciar o nome de Elena de um jeito interessado, da mesma maneira quando ele e Elena haviam acabado de se conhecer.
- Oh, deve ser a mesma que assinou aquele recado meloso no post-it grudado na geladeira, certo? E quando você vai me apresentá-la? - tomou um gole de suco.
- Nun... - Stefan foi interrompido pela campainha, o que o fez entortar o garfo de raiva. soltou um gritinho de felicidade e saiu da mesa antes que qualquer um deles a impedisse.
Parou a certa distância da porta sentindo Stefan parar atrás de si. Antes que pensasse em pará-la ela já havia tocado na maçaneta; seu sorriso, entretanto, sumiu ao se deparar com o rosto da tal Elena. Ela também pareceu surpresa e encarou diretamente Stefan.
- Você deve ser Elena. - cruzou os braços apoiando-se na porta. Stefan a passou e abraçou a namorada, entrando com ela dentro da casa.
- Quem é você? - franziu a testa e a vampira riu sarcástica fechando a porta e seguindo o irmão para a sala.
- Eu faço as perguntas aqui, Katherine. - disse séria sentando-se de frente para o irmão e a suposta namorada. A verdade era que estava ficando muito irritada e esperava que fosse apenas uma brincadeira de mal gosto. Observou a garota começar a roer o esmalte rosado que coloria suas unhas.
- , ela não é Katherine, seu nome é Elena. - Stefan mantinha os braços envoltos na menina que os encarava confuso.
- Tudo bem Stefan, eu já me acostumei com a semelhança. - Elena disse fazendo carinho na mão do garoto que não relaxou. inclinou a cabeça levemente para o lado.
- Então ela já sabe. - sorriu de canto. - Stefan você é tão fraco para guardar segredos. - sua falsa expressão de decepção irritou Elena.
- Quem é você? - repetiu a pergunta de minutos atrás, atraindo a atenção da garota para si.
- Já disse que sou eu quem faço as perguntas por aqui, Elena. - frisou seu nome com desdém, Damon aproximou-se dela em silêncio. - Sou a irmã mais nova de Damon e Stefan, Salvatore, prazer. - Elena arregalou brevemente os olhos, virando-se para Stefan que apenas concordou cabisbaixo. - Desculpe a indelicadeza de meus irmãos por não falarem sobre mim, é que não sou muito bem-vinda na família.
- Então você também é... - Elena hesitou por um momento. Só poderia ser.
- ...vampira? Oh querida não economize palavras, nesta sala não há segredos. - seu sorriso pareceu simpático por um breve momento.
- Por que não conta sobre sua história? - Damon disse entediado e sorriu presunçosa.
- Está vendo Stefan? - pousou sua pequena e delicada mão sobre a coxa de Damon, fazendo-o prender a respiração. - Deveria aprender com Damon a ser simpático comigo. - piscou para o irmão que soltou a respiração, aliviado. - Pois bem, acho melhor esclarecermos alguns pontos sobre minha surpresa ao te ver, Elena. - pigarreou e Stefan escondeu o rosto, parecendo derrotado.
- Ficarei feliz em saber. - disse a moça determinada.
- Depois que eu nasci, em 1849, mamãe morreu e então éramos apenas nós quatro. Quando completei 15 anos muitas coisas começaram a acontecer aqui em Mystic Falls e havia essa Katherine, - sorriu falsa. - aquela vadia não se contentava em ter apenas um dos meus irmãos, ela queria os dois. Sempre me perguntei que espécie de amor era aquele. - fuzilou Damon e Stefan que permaneciam cabisbaixos. – Então, certa noite, ouvi papai conversando com outros homens sobre os ataques que vinham acontecendo na cidade e aí me dei conta da suspeita sobre a desgraçada. Era a minha chance de vingar os meus irmãos. - encostou-se ao sofá, mas manteve a postura ereta. - Mas é claro que, para isso, deveria passar para o lado negro da força. - riu brevemente. - Me fiz de amiga de Katherine e pedi que ela me transformasse. A vadia era tão ambiciosa que não hesitou, em poucos dias eu era um deles. - seu sorriso era triste, mas havia um quê de vingança. - Foi o suficiente, quando ela menos pôde prever eu a matei. Não me contive em apenas enfiar a estaca besuntada em verbena, ah não, fiz com que aquele pedaço de madeira atravessasse seu corpo diabólico e com isso meu anel ficou manchado. - observou o anel, assim como Elena. Era exatamente igual ao dos irmãos Salvatore, mas, ao invés de uma pedra azul, havia uma vermelho-sangue. - Além do mais ganhei uma marca. - arregaçou a manga da blusa, no braço direito, e mostrou-o à garota.
- O que...? - Elena olhou Stefan, confusa. Havia uma espécie de imagem que Elena não conseguia definir.
- Significa "filha da maldição". - Stefan disse e voltou a cobrir o braço.
- Quando se mata um vampiro poderoso, como era Katherine naquela época, se é marcado. - explicou.
- Todos os poderes de Katherine passaram para . - Damon continuou engolindo seco.
- Exato. Geralmente se fica mais forte com o passar dos séculos. - a garota sorriu maléfica.
- Então é por isso que se assustou quando me viu? - Elena perguntou.
- Correto, eu não acreditei que aquela desgraçada pudesse ter tido tempo de procriar, mesmo porque vampiros são estéreis.
- Nós também não entendemos, estamos averiguando. - Stefan se explicou e direcionou seu olhar para o irmão.
- Seus olhos... - Elena interrompeu olhando a menina diretamente nos olhos.
- São violetas, o que significa que ela pode nos manipular também. - Stefan suspirou ainda ressentido pela noite passada e a irmã sorriu.
- Isso é surreal. - a garota murmurou consigo mesma.
- Não, querida, sua semelhança com Katherine é que é surreal. - disse a analisando de cima a baixo. - Bem, acho que meu trabalho já está feito por aqui. Vou aproveitar o sol que faz lá fora, vejo vocês mais tarde. - Rapidamente mudou sua expressão para a mais simpática e deixou a sala.

~*~

- Ela é linda, Stefan. - Elena murmurou quando ela e o garoto finalmente ficaram a sós na sala. O rapaz lhe mostrava alguns retratos de família.
- Linda e diabólica. - suspirou ele, a garota soltou um risinho.
- É disso que os homens gostam. - virou-se para o namorado que a abraçou e sorriu.
- Não sei se me encaixo então. - beijou-lhe os lábios e assim permaneceram, em silêncio.
- À que devo a presença, caro irmão? - não se movimentou. Estava vestindo um biquíni azul escuro e os óculos D&G poupavam suas delicadas pupilas do sol. Damon sentou-se na borda da espreguiçadeira, ficando de frente para a irmã. Nada disse, apenas tocou-lhe o pescoço delicadamente e aproximou seus lábios trêmulos dos dela parcialmente corados pela luz do sol.
franziu o cenho, levantando os óculos e colocando-os na cabeça, embora seus olhos estivessem fechados, desencostou-se da espreguiçadeira e enroscou os dedos de uma das mãos no cabelo do garoto enquanto com a outra agarrou seu braço musculoso. Ela não sabia qual era o objetivo daquilo tudo ou onde ele queria chegar, então só deu continuidade ao que ele havia começado. O hálito de menta que se misturava à sua boca através do chiclete que o irmão mascava fazia com que ela quisesse rir. Damon a empurrou levemente pelo ombro e eles se separaram, a garota soltou uma risada gostosa e balançou a cabeça de forma negativa.
- Ora, ora, o que temos aqui? Incesto?! Por que não me surpreende? - murmurou ainda rindo. - Damon, Damon, sempre curtindo o perigoso. - continuou a rir e voltou a recostar-se à espreguiçadeira.
- O seu beijo... - Damon tocou seus lábios, ficou em silêncio imediatamente. - é parecido com o de Katherine. - imediatamente a garota urrou de raiva e jogou o irmão no chão, mantendo sua pequena mão envolta de forma apertada no pescoço do mais velho.
- Nunca me compare a ela, entendeu? Nunca. - Disse com os dentes trincados pela raiva, conseguia sentir toda a força de Damon se abrandar enquanto ela ainda mantinha os dedos bem apertados em seu pescoço.
- O que é aquilo? - Elena parou em uma das janelas da sala que dava visão para a piscina. Stefan a seguiu.
- Eles são assim desde que cresceu, não se preocupe. - suspirou o mais velho, mas Elena não descansou. - Foi com ela que Damon aprendeu a fazer as coisas erradas. Essa briga, por exemplo, provavelmente ele deve ter dito algo muito errado para irritá-la assim.
- Está me dizendo que ela é mais perigosa do que Damon? - Elena arregalou os olhos e Stefan apenas concordou. - E você nunca a confrontou? - virou-se de frente para o namorado com a testa franzida e os braços cruzados.
- Entenda, Elena, não é como Damon ou como Katherine, nem como qualquer outro vampiro recém-criado... - Stefan encarou a irmã ainda repreendendo Damon na piscina. - ela é muito pior do que todos eles juntos. Eu e Damon aprendemos a temê-la da pior maneira possível.
- Isso tem que parar! - protestou a garota. Lá na piscina, ouvia tudo, estava tão concentrada que acabou por desistir do irmão que ainda estava sob ela.
- Eu não a aconselharia a enfrentá-la... - Stefan olhou da piscina para os olhos da amada, temeroso.
- Por que não? Eu tenho verbena! Por isso ela não me atacou! - Elena disse decidida.
- Não, ela não te atacou porque ficou curiosa sobre sua semelhança. Se você se colocar no caminho dela, ela não terá mais o que a impeça de acabar com você. - Stefan fechou os olhos, não suportando pensar na possibilidade. - E eu não quero te perder. - acariciou o rosto de Elena e suspirou.
- Está bem. - concordou meio contrariada. sorriu ao ouvir a desistência.
- Tome cuidado da próxima vez, Damon, eu posso não ser tão boazinha assim. - voltou a se sentar na cadeira de madeira e manteve-se assim enquanto ouvia o irmão mais velho e a humana se aproximarem.
- , Damon, estamos indo ao Grill, está bem? - Stefan disse girando as chaves do carro na mão.
- Claro, divirtam-se. - acenou despreocupada. Stefan respirou fundo e deu as costas, talvez ele tivesse passado no seu teste de mentira. Ou talvez não.

~*~

- Olá Stefan, bom te ver! - Jenna abriu a porta da casa dos Gilbert e recepcionou Stefan que entrou sorrindo.
- Muito bom te ver também, Jenna. - beijou a mão da mulher e adentrou a casa. - Olá Jeremy. - disse para o garoto que apenas acenou da sala, já que estava ouvindo música com os fones no ouvido.
- Então, o que os traz até aqui? - a mulher apoiou-se na bancada mantendo o queixo apoiado nas mãos. Stefan e Elena se entreolharam.
- Nada, só fugindo do comum. - Stefan deu de ombros e a menina concordou.
- E por que Damon não está com vocês? - Elena olhou horrorizada para a tia, sabia que ela tinha uma queda pelo irmão de Stefan, só não contava que ela a expressasse bem na frente do garoto.
- Jenna! - a voz de Elena contrastou com a campainha que tocou.
- Deve ser ele! - Jenna disse sorridente e Elena bateu-lhe levemente no ombro.
- Eu atendo. - disse seguindo em direção à porta ainda rindo. Seu sorriso desapareceu, entretanto, quando abriu a porta e deparou-se com a figura do outro lado dela. Seu reflexo foi tentar fechá-la o mais rápido possível, mas algo a impediu de fazê-lo. Stefan apareceu logo atrás de si sustentando um olhar assustado, ao contrário de Elena que possuía desgosto em seus olhos.
- Olá Elena, posso entrar? - sorriu tirando os óculos escuros e esperando por uma resposta com a expressão petulante.

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