6 de dezembro de 2010

Trick to the FBI


Mais uma festa qualquer. Os homens formavam rodinhas em todos os cantos do salão com suas belas mulheres, presas sob fortes abraços e exibidas feito troféus. As solteiras se aglomeravam no bar, dispostas a "tomar todas" e esquecer-se da tristeza de não ter um homem para mimá-las. se sentia a exceção de todas elas.
Não estava acompanhada e muito menos ansiava pela companhia de um homem. Mantinha-se de costas para o bar e, enquanto balançava o copo de cristal com o seu drink de cor alaranjada, observava a hipocrisia de todos os seres do sexo masculino. Suas conversas não passavam de palavras vazias, mas com frases de mensagens subliminares.
"Se esbanjam tanto, é provável que não dêem pela falta de uma simples carteira", pensou consigo mesma enquanto sorria de canto. Não era assim que ganhava a vida, descendia de uma família milionária; mas as amizades erradas quando ainda muito jovem a haviam treinado para o mundo dos pequenos furtos. Divertia-se ao ver, de longe, as expressões confusas e, por vezes, vazias de suas vítimas.
Ela possuía uma caixa com todos os souvenires adquiridos ao longo dos anos, sempre se sentia com sorte por ter uma família endinheirada, capaz de fazer com que as ocorrências contra ela sumissem feito mágica. Mas ela havia conhecido muitas pessoas não tão sortudas ou, até mesmo, mais espertas do que ela.
Seus olhos captaram movimentação, um rapaz moreno deixava a mesa de amigos de negócios para, aparentemente, ir embora. O olhar de foi praticamente atraído para a carteira de couro preto que o homem colocava no bolso interno do blazer, logo depois de pagar a sua parte da conta. Rapidamente, mas sem chamar muita atenção, ela se levantou deixando o copo de bebida para trás. Os passos dela cruzaram com o caminho que ele tomava.
Seria uma ótima desculpa esbarrar nele com o intuito de lançar um xaveco. Homens nunca ligavam para os bens materiais quando eram estimulados por nada menos do que um belo sorriso feminino. Ele estava se aproximando, sempre sentia um frio na barriga antes de um pequeno furto, mas isso era só a adrenalina aumentando.
esbarrou seu ombro no do rapaz enquanto, com a mão leve e delicada, adentrava o paletó do moço e lhe sequestrava a carteira. Sem mexer praticamente a mão, colocou o objeto dentro de sua bolsa, a qual levava a tiracolo.
- Desculpe. - disse com um sorriso sedutor. O rapaz retribuiu o sorriso de maneira atrapalhada.
- Não, eu é que devo me desculpar, a culpa foi minha. - dito isso, continuaram com seu caminho. Logo em seguida, outro homem passou rente aos ombros de . Ela nem se preocupou em se desculpar, afinal, havia sido apenas de raspão; entretanto, algo a incomodava. Sua bolsa havia ficado ligeiramente mais leve após a passagem do segundo rapaz.
Agora, que tipo de homem passava por ela e mantinha os olhos voltados para o chão? E que tipo de homem usaria um chapéu em uma reunião de negócios? Procurou virar o rosto para analisá-lo melhor e ele pareceu fazer o mesmo, mas de forma mais discreta, os olhos disfarçados pela aba do chapéu. Sorriu e acenou a carteira no ar despreocupadamente; imediatamente a garota virou-se com a expressão incrédula.
Já havia atingido o lado oposto do salão, o que lhe deu liberdade para tirar suas próprias conclusões. Só havia um homem que ela conhecia que usava chapéu e ainda conseguia parecer incrivelmente sexy. Além disso, só havia uma pessoa para pegá-la desprevenida, cujos olhos enganavam a qualquer um. Mordeu o lábio inferior contendo um sorriso; já fazia um bom tempo desde a última vez. Ouvira dizer que vacilara e havia sido preso. Até os mais espertos, uma hora ou outra, haveriam de falhar.
Mas, então, se não estava preso, por onde estivera todo aquele tempo? Por que a deixara sem notícias? Era mais do que óbvio que ele não havia se esquecido de seu histórico juntos, se preocupara em analisá-lo através do breve encontro. Entretanto, queria saber mais, havia muitas perguntas e poucas chances de resposta. Se ele estivesse com quem ouvira dizer estar, então suas chances se reduziam a zero.
Pôde perceber que estivera observando a porta por tempo demais, estava na hora de agir. Recompôs-se e se permitiu pronunciar o nome que lhe estava entalado desde que concluíra quem o rapaz era.
- Caffrey. - suas sobrancelhas se franziram e ela caminhou na direção que ele seguira pouco tempo antes.
Abriu a porta de saída do salão e observou a rua deserta à sua frente. Nem sinal dele. Ateve-se à audição e não foi difícil encontrá-lo. Estava encostado despojadamente sobre a parede, próxima à esquina de um beco. O chapéu inclinado para frente, sombreando seus olhos e produzindo um charme inconfundível. Os cabelos ondulados e negros cobriam a nuca, estava com um dos pés apoiado na parede de concreto e as mãos jaziam nos bolsos da calça.
- Já faz um bom tempo . - ele desviou o olhar do chão para a direção em que a garota estava. Ela riu baixinho e deslizou os dedos pela parede enquanto se aproximava dele.
- Ouvi dizer que estava preso. - rebateu ela, à procura da primeira resposta.
- Ossos do ofício. - riu consigo mesmo.
- Como saiu tão rápido? - estava mais do que na cara: ou ele havia fugido ou estava sob acordo judicial.
- Tive meus meios. - sutilmente, Caffrey ergueu a perna esquerda da calça onde mostrou à o rastreador que usava no tornozelo.
- Até os mais espertos têm suas fraquezas. - analisou a mais nova. - O que eles te ofereceram em troca? A ficha limpa? Kate? - cutucou de forma nada polida. Caffrey sorriu de maneira sinistra.
- Kate está morta e você bem sabe disso. - rebateu levemente ácido.
- Só estava checando, sabe, nem sempre acredito em boatos. - defendeu-se. - Além do mais, precisava verificar se o território estava livre. - puxou a lapela de seu terno e colou seu corpo ao dele.
- Você é apenas uma criança, . - provocou ele. A garota bufou e o empurrou pelos ombros.
- Nosso histórico te diz muito bem que não sou. - seu tom de voz estava mais carregado. Caffrey se divertia.
- Roubando de homens de negócio com a velha desculpa da esbarradinha? Você tem muito mais potencial do que isso!
- Acho que não quero sair da minha zona de conforto. - disse manhosa. Adorava ouvir um elogio, principalmente quando vindo de Neal Caffrey. - Mas e você, Neal? Não quer voltar à sua? Não sou mais uma pirralha de dezessete anos, tenho vinte e dois agora. - dizia ela em sussurros próxima ao ouvido dele, enquanto passeava as mãos do rapaz por seu corpo.
- Eu penso que não, , agora tenho um dever a cumprir. - lembrou-lhe da tornozeleira.
- Você me roubou, Caffrey, não me faça ir correndo contar para o FBI. - soaria extremamente infantil se Neal não soubesse o poder que a família de tinha sobre o FBI.
- Mas olha só, que garota esperta, até sabe barganhar. - sorriu ele a centímetros do rosto de .
- Aprendi com o melhor. - disse ela antes de roubar-lhe um selinho. Porém, ele não deixou barato, trouxe-a de volta segurando fortemente em sua nuca e beijou-lhe os lábios sem cordialidade alguma.
Inverteram as posições, Neal encaixou-se entre as pernas de enquanto segurava em sua cintura com determinação. Uma das mãos deslizou pelo corpo da mais nova e chegou ao seu longo cabelo, puxando-o para o lado. Seus lábios carnudos deslizaram até a pele quente e perfumada do pescoço de .
- Minha casa não fica muito longe daqui, vem. - disse a menina ofegante, puxando o rapaz consigo logo em seguida.
Caminharam por dois quarteirões extensos até chegar a um prédio luxuoso. Estava parcialmente iluminado com suas extensas varandas e ricos moradores. cumprimentou o segurança que ficava na portaria e arrastou Neal hall adentro. Pegaram o elevador privativo, para o qual apenas os moradores da cobertura tinham a chave. foi prensada contra uma das paredes do elevador enquanto faziam a longa, porém rápida, jornada pelos quinze andares. Sua perna direita foi erguida até onde a fenda de seu vestido permitia.
A mais jovem sorriu quando teve seu pescoço invadido por aqueles lábios pulsantes e levemente umedecidos. Estava conseguindo o que queria, finalmente encontraria as respostas para todas as suas perguntas. É claro que o golpe fora baixo, bem baixo por assim dizer. estava justamente usando a pior fraqueza de um homem contra ele mesmo: o prazer. As portas do elevador se abriram e, como não havia porta de entrada, eles entraram direto no apartamento. não teve paciência de subir até seu quarto, por isso arrastou Neal para o de hóspedes que ficava no final do corredor principal.
Entraram rapidamente e ela foi prensada contra a porta, tendo o zíper lateral de seu vestido agilmente aberto pelas mãos macias e grandes do rapaz que a beijava com ferocidade. A peça caiu a seus pés e ela se desvencilhou dos sapatos de salto fino também, restava agora seu conjunto de lingerie vermelha rendada e aproveitou para avançar contra as peças de roupa de Neal. Primeiro o paletó, depois a blusa branca e a gravata vermelha com detalhes em preto. Por último restou-lhe a calça, a qual ela demorou-se para provocá-lo. Aproximaram-se da cama e Caffrey se desvencilhou dos sapatos sociais e das meias.
o puxou para se deitar sobre ela pelo cós da calça e se deixou deslizar as mãos pelo abdômen sarado dele enquanto ele buscava ansioso o fecho de seu sutiã. inverteu as posições assim que conseguiu tirar-lhe a calça e o mesmo aconteceu com seu sutiã, sentou-se sobre a barriga de Neal, de costas para ele, e inclinou-se sobre sua boxer preta sorrindo enquanto olhava para ele por cima de seu ombro. Puxou o elástico e passou a abaixar a peça íntima deixando o membro ereto do rapaz completamente nu. Seus lábios roçaram a glande e ele a puxou pelo elástico da lingerie, rasgando a delicada peça.
Mas a mais nova foi com muita sede ao pote, Neal a segurou pelo braço e a fez virar-se para ele. A moça ficou entre as pernas dele enquanto ele se debruçava para alcançar a calça que estava jogada ao lado da cama, no chão. Voltou com um pacote de preservativo e o sacudiu, lembrando-a. A menina bufou e resolveu provocar.
- O FBI também está no encargo de te fornecer camisinhas, é? - sorriu ela pegando o pacote com destreza.
- Por que de repente ficou tão incomodada com o fato de eu estar trabalhando para os federais? - rebateu com um sorriso inocente.
- Não estou incomodada. - defendeu-se. - Só sinto falta daquele Neal Caffrey que me levava para becos escuros, banheiros de festas e outros lugares absurdos para transarmos. Nada importava a não ser o prazer. - rasgou o pacotinho e colocou a camisinha sutilmente.
- Éramos inconsequentes, você só tinha dezessete. - riu ele não contendo um gemido quando ela o massageou.
- E você vinte e quatro, ainda acho isso extremamente sexy. - deslizou sobre o corpo de Neal até chegar ao pescoço onde distribuiu beijos demorados.
- Gosta de homens mais velhos? - ele segurou-a pela cintura e ajeitou-se sob o seu corpo.
- Não quando eles envelhecem e ficam caretas. - reclamou ela e foi fortemente jogada contra a cama tendo o rapaz sobre si.
- A minha caretice não afeta o meu desempenho, ele continua sendo o mesmo. - disse provocante roçando seus lábios nos dela.
- Isso é o que veremos. - logo em seguida ele a penetrou de forma rápida e intensa. arranhou as costas do mais velho inclinando a cabeça para trás. Caffrey começou a se movimentar lentamente, atiçando-a. Sua respiração acelerada se misturava com as súplicas de , o deixando ainda mais excitado. Não podia negar, durante todos aqueles anos ela havia amadurecido em uma bela mulher. O ar infantil que ainda carregava consigo lhe conferia certo charme e era isso que Neal mais apreciava em .
O orgasmo foi atingido sem mais delongas, eles não gostavam de complicações. Neal deitou-se ao lado da mais nova, ambos ofegantes, e ela aproveitou para colocar seu chapéu, até então apoiado no braço da poltrona que havia ao lado da cama. Sorriu cobrindo os olhos em uma imitação ao que ele costumava fazer, mas sabia que estava longe de se parecer com ele ou até mesmo despertar o mesmo charme. Neal virou-se para ela, pensativo, estava tendo uma ideia a qual ele julgava ser uma ótima oportunidade.
- Por que você não vem trabalhar comigo no FBI? - perguntou ele de repente, mas demorou um pouco para manifestar qualquer reação. Em um primeiro momento ela riu.
- Eu? Para os federais? Deve estar de brincadeira. - ela levantou a aba do chapéu rapidamente só para encará-lo de esguelha.
- Pense bem , você poderá lidar com casos de corrupção, usar seus talentos e também passar um tempo comigo. - a última parte da frase fez com que a menina tirasse o chapéu e se virasse para o rapaz.
- Ah, fala sério Neal. E o que vai dizer para os seus amiguinhos? Pessoal, essa é a , uma pirralha que adora aplicar golpes do esbarrão e pegar a carteira de suas vítimas. - disse ela em uma tentativa fracassada de imitar a voz de Caffrey.
- Ué, o que aconteceu com a menina crescida de que você tanto me falou? - ele a puxou para perto fazendo com que o choque de seus corpos suados a arrepiasse.
- Para você eu posso ser uma mulher, Caffrey, mas quem sabe o que os federais acharão de mim? - disse ela fazendo manha.
- Amanhã você vai comigo até o escritório, vamos ver quem ganha.
- Fechado. - ela disse praticamente de olhos fechados enquanto ele voltava a beijar-lhe o pescoço e passear as mãos por seu corpo.

No dia seguinte tomaram café da manhã e seguiram para o prédio do FBI, vestia um vestido preto rodado embora Neal tivesse insistido que ali era um ambiente sério e que ela precisaria usar algo mais comportado. No elevador, Neal a envolveu pela cintura e assim que as portas se abriram eles seguiram para o escritório, chamando a atenção de todos.
- A noite foi boa ontem, hein Caffrey? - foram abordados primeiro por um homem alto, cabelos castanhos e olhos levemente cansados. o analisou de cima a baixo rapidamente.
- Este é Peter Burke, o agente responsável por me supervisionar. - Neal sorriu olhando para a mais nova que estendeu-lhe a mão. - Peter, essa é .
- É um prazer conhecê-la. - ele respondeu cordialmente apertando a mão da menina, mas não conseguiu evitar olhar para Neal pedindo uma explicação. - De onde vocês dois se conhecem? - ele sacudiu as mãos, apontando para os dois.
- Ela é uma talentosa e charmosa trombadinha. - se conteve para não fazer cara feia. Agora ela seria a piada de todo o departamento do FBI.
- Oh, então quer dizer que ela tem a mão leve. - ao contrário do que pensava, Peter não riu ou demonstrou qualquer tom de deboche. - Está bem, por que a trouxe aqui?
- Eu disse que não daria certo. - ela sussurrou para Caffrey, o qual se adiantou em dizer.
- Quero que ela trabalhe conosco.
- O quê? - Peter disse pego de surpresa.
- é mais nova, talentosa e tem charme, nossos alvos nem desconfiarão e ela pode alcançar objetos que nenhum de nós conseguiria.
Peter estava prestes a dar a resposta quando o chefe do departamento, Reese Hughes, o interrompeu levando todos à sala de reuniões; ao que parecia eles tinham um novo alvo. Tratava-se de uma jovem, na flor de seus trinta e cinco anos, que aplicava golpes dentro da empresa que trabalhava. Havia pessoas que trabalhavam para ela, se beneficiando dos desvios, o que despertara a atenção dos federais de imediato. Por um momento, todos pareceram se esquecer da presença da mais nova na sala, as coordenadas foram passadas a todos, mas quando chegaram à parte de Neal, foi inevitável reparar em que se mantinha ao lado do rapaz, tão atenta quanto ele.
- Bem Neal, já sabe como isso funcionará. - Burke disse casualmente, mas o interrompeu com um pigarro. Neal olhou do agente para a menina pensando no que fazer.
- Peter, esta seria uma boa chance de provar a eficiência de . - ele sugeriu despreocupadamente.
O homem encarou bem a face da mais nova chegando a deixá-la constrangida e fazendo-a virar-se para Neal o qual a encorajou a voltar a encará-lo, intimidando-o.
- Está bem, mas se ela fizer algo de errado você deve intervir Neal, imediatamente. - ele encarou o rapaz quase que ameaçadoramente. Já era difícil para ele confiar em Neal, agora ele também teria que se preocupar com a sua amiga, que ele mal conhecia!

- Já comentei que você fica estonteante de vermelho? - Neal esperava por na entrada do local onde a recepção estava acontecendo. O alvo estaria sendo a anfitriã do evento.
- Acho que você se esqueceu quando a gente transou na noite passada. - ela respondeu sutil o cumprimentando com um beijo na bochecha. Caffrey, entretanto, não a deixou se separar dele, abraçando-a pela cintura.
pôde perceber que havia uma escuta minúscula dentro da orelha esquerda do rapaz e riu discretamente mandando um olá para a equipe que se encontrava escondida em algum lugar por ali. Neal não conseguiu evitar rir. Sem se demorarem ainda mais, eles tiveram seus nomes conferidos pelo segurança parado à porta e finalmente liberados para adentrar o recinto. Havia uma boa quantidade de pessoas no imenso salão de teto branco com pinturas pitorescas e delicadas que combinavam perfeitamente com a moldura das enormes janelas. A mobília também não deixava a desejar, muito menos o bar pelo o que logo pode notar a mais nova.
- Lá está ela. - Neal sussurrou em seu ouvido e ela concordou discretamente agindo de maneira surpreendente ao se aproximar do alvo sem antes analisar seu campo de ação. O rapaz olhou por uma das janelas, de onde ele saberia que Peter poderia vê-lo, e ergueu os ombros, pego de surpresa.
- O que ela está fazendo? - murmurou o homem de dentro da van.
- Talvez esteja tentando provar a sua eficiência. - a agente Lauren Cruz disse de maneira despreocupada, porém atenta.
se apoiou sobre o balcão do bar depois de pedir um drink e jogar um charme para o garçom, olhou para as pessoas do recinto sem realmente enxergá-las e por fim mandou um beijo para Neal que ainda se encontrava estático próximo à janela. A única coisa que o confortava era que, quando lhe cumprimentara, havia colocado um microfone dentro da bolsa da menina. Só torcia para que, agora, ela não fizesse nenhuma besteira. Do contrário tudo estaria arruinado.
- Ótima recepção, não? - comentou a garota para a que estava ao seu lado, aparentando um pouco stressada.
- É, era o mínimo que se podia esperar com todo o trabalho que deu. - resmungou ela mordendo a rodela de limão, que enfeitava seu copo, com violência.
- Você deve ser Alice Kingley, não? - virou-se para a moça que se aprumou toda ao ouvir seu nome.
- Quem mais poderia ser? - apertou a mão de que sorriu debochada. Deu uma discreta olhada por cima do ombro e percebeu que Neal a encarava atentamente, sorriu voltando a olhar seu alvo com um interesse ainda maior do que anteriormente.
- Então, minha assistente me disse que você tem fechado grandes negócios ultimamente, qual o seu segredo? Pulso firme? Ou melhores ofertas, talvez? - riu a menina de forma descontraída, mas a moça apenas a olhou com um sorriso torto.
- Está no ramo dos negócios também? Você parece tão... nova. - a última palavra deixou os lábios de Alice de maneira ácida o que fez sorrir debochada.
- Tenho muito que aprender, reconheço, alguma dica? Suborno parece funcionar sempre. - seus olhos deixaram o copo de vodca para encarar os surpreendidos da moça de 35 anos.
- Não sei de onde você tirou essa ideia, suborno não faz parte do meu vocabulário. - ajeitou-se no banco que se sentava de maneira já desconfortável.
- Isso fica somente entre nós, sabe, - deu uma piscadela. - sei que é o segredo do seu sucesso.
- É mesmo? E quem foi que lhe contou? - agora vinha a parte preferida de . Ela estava jogando verde, podia quase ver escrito em sua testa. Mas ela havia vindo preparada.
- Vamos deixar o anonimato como prioridade aqui, está bem? Mas tenho uma oportunidade que você não há de recusar.
- Estou ouvindo. - havia se esquecido de Neal do outro lado do salão, havia se esquecido do FBI à espreita do lado de fora. Só havia ela e o alvo agora. E nada, nem ninguém, poderia segurá-la.
- Amanhã está para chegar um grande investidor, direto de Taiwan, ele está interessado na empresa de minha família, mas tenho certeza de que não estou preparada para lidar com ele. Não tenho a manha, sabe? - riu de forma amigável. - Será que você, sei lá, poderia me ajudar?
- Mas é claro, por que não o manda a este endereço, - Alice lhe entregou um cartão, a julgar o seu próprio. - e eu resolverei as coisas para você.
- Sem compromisso? - a olhou, preocupada.
- Sem compromisso. - garantiu ela. A moça sorriu e se levantou despedindo-se da outra e virou-se em direção à saída.
Deu largas passadas até o lado de fora e logo pode ouvir os passos apressados de Neal tentando alcançá-la. Sorriu e continuou, seguindo para a van do FBI.
- Ei, se importa de me contar o que aconteceu ali no bar? - ele a segurou pelo braço, os olhos curiosos ainda mais azuis e a respiração ofegante.
- Como se você já não soubesse. - ela balançou-lhe a escuta que havia tirado de sua bolsa e o rapaz sorriu enviesado.
bateu à porta da van, a qual foi aberta por um agente de olhos surpresos, mas ainda assim com um sorriso satisfeito no rosto. Ela entregou-lhe a escuta com a sobrancelha arqueada e a melhor expressão de "Eu te disse".
- Devo dizer que estou surpreso, srta. . Meus parabéns e bem-vinda à equipe. - Peter apertou a mão de com o sorriso agora mais largo.
- Tenham uma boa noite. - ela apertou a bolsa contra o corpo e se virou, saindo andando. Não demorou para que Neal a seguisse, com o paletó do terno por sobre um dos ombros e o chapéu dando-lhe aquele ar extremamente sexy.
- Que tal dar uma passada na minha casa? - ele ofereceu quando estavam próximos ao carro de .
- Você não tem casa, Neal. - ela franziu as sobrancelhas rindo divertida.
- Está bem, o lugar que estou ficando por um tempo. - ele colocou a mão no bolso com a expressão inocente.
- Tudo bem, você dirige? - ele concordou e entraram no carro.
Chegaram à luxuosa casa de esquina, deveria ter uns três andares no mínimo percebeu enquanto era encaminhada para a porta de entrada; lá dentro ela foi apresentada à adorável dona da casa, June, e logo subiram com a desculpa de já ser tarde demais e não querer incomodar. Dentro do terraço a casa de Neal era modesta, sem divisões de cômodos, até que ele estava bem acomodado. A cama espaçosa, a cozinha organizada e até mesmo a vista do lado de fora deixaram a menina boquiaberta. Sem dúvida, Caffrey era um rapaz muito esperto.
- Será que você pode me explicar que sorrisinho é esse que você tem desde que deixamos o Peter e o pessoal?
- Eles caíram direitinho. - murmurou a garota analisando a peculiar coleção de livros que havia na estante a qual ocupava uma parede inteira.
- É, você conseguiu fisgá-los. - Neal pegou um copo colocando uma leve dose de uísque.
- Não tolinho, não o alvo, os federais.
- O que está dizendo? - ele andou em largas passadas e colocou-se à sua frente procurando por seus olhos, achando-os divertidos.
- O FBI caiu em um golpe que eu mesma planejei. Por isso foi tão fácil chegar ao suposto alvo, foi tudo arquitetado. - roubou-lhe o copo tomando um longo gole e sorrindo satisfeita. - Lembra-se de minha amiga, Lisa? Pois é, olá Alice Kingley! Ah foi tão fácil colocá-la na reta do FBI, não precisou fazer muito. - seu pulso foi agarrado por Neil, ele estava bufando.
- Você me usou para conseguir um lugar no playground foi?
- Não seja tolo Neal, eu nunca seria capaz de fazer isso. Uma hora ou outra nos encontraríamos no FBI, esse golpe já estava armado muito tempo antes de nos encontrarmos. Você foi, digamos, um facilitador das coisas. Mas não me entenda mal, eu nunca, nunca faria isso com você. - ela se livrou de seu aperto incômodo.
- Mas como você vai explicar para o Peter quando a sua amiga for presa?
- Ela não será. - disse simplesmente. - Todas as evidências, toda e qualquer prova vai sumir na noite de hoje e eles não terão nada amanhã. Será como um sonho. - ela riu. - Está vendo Neal? Este é o potencial de que você vem me falando não é? E então, gostou? - ela aproximou-se do rapaz, com um pouco de receio, precisava admitir, mas ficou surpresa ao vê-lo rir.
- Essa eu tenho que admitir, foi genial . - disse em meio aos risos. - Eu daria de tudo para ver a cara do Peter.
- Eu também. - ela suspirou e abriu a porta que dava para a varanda. Neal a observou por um momento de costas, que garota esperta! Precisava convencer a si mesmo de que ela havia sido mais esperta do que todos eles juntos. Quem diria que a pequena , sempre pega e fichada pela polícia, poderia ser digna de um golpe bem debaixo do nariz do FBI. Era realmente de se deixar o queixo cair.
Aproveitou a distração dela com a paisagem e chegou de fininho por trás, abraçando-a pela cintura e beijando-lhe o pescoço de forma sensual. A garota sorriu fechando os olhos e inclinou sua cabeça de maneira a encostar levemente sobre o ombro direito de Neal. Suas mãos passearam sobre o vestido vermelho que vestia e os lábios deslizaram até seu ouvido.
- Qual é a cor de hoje? - ele sorriu ao vê-la se arrepiar toda pelo sussurro.
- Surpresa. - virou-se e aproveitou o apoio de uma das cadeiras que circundava a mesa para poder subir e se sentar na mesa, de frente para Neal.
Conseguia ouvir o trânsito na rua logo abaixo deles, os prédios vizinhos e suas luzes acesas, mas eles não se importavam. Caffrey grudou os lábios ferozes nos sedentos de e deixou que a loucura guiasse suas mãos.
não deixou por menos, afrouxou a gravata e o livrou do cinto. O vestido curto caiu a seus pés ao mesmo tempo em que ele se desvencilhava da camisa. Neal sorriu ao ver o conjunto sensual de lingerie da moça, embora não conseguisse distinguir a cor por conta da fraca luz que havia do lado de fora. Avançou-lhe no pescoço, anestesiado com o perfume doce que exalava de sua pele clarinha e continuaram a arrancar peça por peça.
Neal não se preocupou em se livrar da calça, manteve-a amontoada aos pés, assim como sua peça íntima. Nem a brisa gelada da noite abrangia o calor que os dois trocavam. deixou que ele tomasse conta da situação, puxando-a pelas pernas e segurando fortemente em suas coxas enquanto eles se encaixavam com perfeição. Foi inevitável gemer com as suas investidas tão ousadas. Ela pouco se importava se haveriam vizinhos recatados ou crianças curiosas, era bom correr aquele risco e isso só a deixava mais excitada. O velho Neal Caffrey estava se mostrando ali, enquanto eles faziam sexo sobre uma mesa em plena varanda de uma casa de esquina a uma rua movimentada. Essa era a verdadeira adrenalina pela qual ela procurara.
Quando atingiram o orgasmo, a moça conseguiu sentir o jorro de prazer dentro de si e isso a deixou ainda mais satisfeita. Seus lábios procuraram pelos de Neal e as respirações chocaram-se enquanto as línguas travavam uma batalha de somente vencedores. Houve o momento em que eles precisaram se afastar, o ar estava rarefeito. Não foi preciso palavras, os olhos brilhantes que se encontraram diziam tudo. Ele a envolveu pelos ombros e passaram a observar o céu de Manhattan, contando as estrelas. O dia seguinte seria cheio de trabalho, afinal, trabalhava para o FBI agora.

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