quarta-feira, 14 de setembro de 2011

#Resenha: Capitães da Areia - Jorge Amado

Boa tarde!

Desculpem a falta de posts, mas andei correndo com as provas de química e com um mal estar que só passou dormindo. Depois de uma noite em claro, tive que tirar o atraso de Die For Me e, faltando apenas dois capítulos para terminar (cruel, não?) eu dei uma pausa para "descansar" os olhos.
Obviamente não podia deixar de passar por aqui, principalmente com todos os comentários no post de segunda-feira! Fiquei muito feliz que tenham gostado e espero que continuem dando sugestões e comentando não só nessa seção, como nos outros posts também!
A resenha de hoje, confesso, é um pouco diferente...

Capitães da Areia
Autor: Jorge Amado
Editora: Record
Número de páginas: 240
Sinopse: "Publicado em 1937, pouco depois de implantado o Estado Novo, este livro teve a primeira edição apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. Em 1940, marcou época na vida literária brasileira, com nova edição, e a partir daí, sucederam-se as edições nacionais e em idiomas estrangeiros. A obra teve também adaptações para o rádio, teatro e cinema. Documento sobre a vida dos meninos abandonados nas ruas de Salvador, Jorge Amado a descreve em páginas carregadas de beleza, dramaticidade e lirismo."
Ler Capitães da Areia para o colégio parecia ser só mais um livro chato e monótono sobre a realidade de nosso país em determinada época. Porém, devo confessar que me surpreendi com toda a trama descrita por Jorge Amado, sobre os meninos de rua, instalados em um trapiche (galpão abandonado) e que roubam para sobreviver.
Existem muitas personagens ao longo da história, mas vou procurar me ater às principais. Uma delas é Pedro Bala, o líder dos Capitães da Areia. Loiro, com uma cicatriz no rosto, esse menino foi filho de sindicalista e, como treinado desde cedo, praticamente nasceu com o dom da liderança. Beira os dezesseis anos e no grupo, arma as jogadas.
Junto com ele está Professor, o único dos meninos que é alfabetizado e que sabe ler, devorando um livro após outro que, muitas vezes, acaba furtando. Ele lê para os demais meninos e planeja os roubos com Pedro Bala. Sem Pernas é um garoto manco e amargurado, teme a polícia mais do que a própria vida por já ter sido preso uma vez e torturado. Muitas vezes usado em golpes, passando-se por garoto órfão e aleijado, acaba por ganhar a simpatia de mulheres que o acolhem em sua casa, dessa forma ele pode informar aos Capitães aonde estão os objetos de valor.
Pirulito, o único dos meninos cuja vocação descoberta é para ser padre. Ele presta atenção aos ensinamentos do Padre, um dos poucos adultos em que os Capitães confiam, e reza todas as noites, não só por ele, mas para todos os outros. João Grande, como já diz o nome, é alto e corpulento para a sua idade e serve de força bruta ao bando. Gato é um jovem elegante que adora jogar charme para mulheres mais velhas, tem até um caso com uma prostituta.
Dora, que tem pequena participação, considero uma das personagens mais importantes. Ela representa para esses meninos o mais perto do que eles já tiveram de família, sendo como uma irmã para uns, mãe para outros, mas noiva e esposa para apenas um: Pedro Bala.
Jorge Amado descorre rapidamente do cotidiano dos meninos, deixando claro a situação de miséria e constante perigo em que vivem. Poucos são os adultos em que confiam, a exemplo do Padre José Pedro e da Mãe de Santo, Dona Aninha. Eles possuem aversão a qualquer tipo de autoridade (naquela época, a polícia não mostrava misericórdia contra criminosos, quanto mais crianças. Eles apanhavam e eram tratados como animais, bem como no reformatório e no orfanato) e convivem com o medo de serem pegos. Digamos que a vida deles é pressionada ao limite.
Fazem pequenos furtos ou até mesmo favores a alguns amigos, como Querido-de-Deus. São moleques peraltas, espertos e eu até ousaria dizer profissionais, muito bons no que fazem. Não que sempre se livrem de serem pegos, mas na maioria das vezes corre tudo bem. Muitos deles são órfãos, outros, fugiram de casa por maus tratos. Já dá para perceber que não é um livro feliz, mas de muitas aventuras e que me fez agradecer por tudo o que tenho.
Na aula que tive sobre o livro para poder fazer a prova (não se preocupem, não compartilharei os spoilers que minha professora deu, haha!), eu ainda não havia terminado o livro, mas depois, quando cheguei em casa naquela tarde, me chamem de louca, mas quando vi que estava passando Peter Pan na Sessão da Tarde (detalhe: só passa filme bom quando eu não posso assistir!) eu consegui enxergar ali, em Peter e nos meninos perdidos, os Capitães da Areia. Com a exceção de que Wendy não é uma menina de rua e, muito menos, tem o mesmo desfecho que Dora.
Mas à parte dos meus devaneios e as relações que encontrei entre o livro e Peter Pan, eu achei o livro o mais gostoso de se ler. Claro que não é uma flor que se cheire, afinal, muitas coisas são introduzidas a esses meninos que apenas adultos poderiam entender, como o sexo. Desde muito cedo esses meninos são forçados a crescer psicologicamente no intuito de conseguir sobreviver à sociedade que os recrimina e que não dá espaço ou oportunidade para que possam crescer, prosperar. É uma ótima leitura para refletir e, porque não, se divertir mesmo que um pouco nas aventuras de Pedro Bala e dos Capitães da Areia.
Sem muito aprofundamento psicológico ou muitos detalhes na narrativa, Jorge Amado consegue nos inserir, mesmo assim, nesse mundo conturbado e, por vezes, real que esses meninos enfrentam dia após dia até que, certa hora, a vida lhes dá um empurrãozinho e eles se vêem na oportunidade de seguir em frente, seguindo suas vocações (ou não).
Mesmo sendo um livro de escola, eu totalmente indico àqueles que ainda não leram e não pensavam em ler. Geralmente torço o nariz para a literatura nacional, principalmente aqueles livros que somos obrigados a ler para prestar o vestibular ou fazer prova (mesmo quase enlouquecendo com uns, eu li todos que foram propostos até hoje), mas Capitães realmente caiu no meu gosto e eu pretendo deixá-lo entre os meus favoritos, fato inédito!
Não vou dizer para esperarem um final feliz, mas... conformador. E mesmo assim ele não perderá seu encanto e o mundo ao qual somos introduzidos.

Nota:



6 comentários:

Aione Simões Sérgio disse...

Adorei sua resenha!
A comparação que você fez entre o livro e Peter Pan foi ótima!
Gosto quando livros instigam uma boa reflexão e não tenho dúvida que os clássicos de nossa literatura, em sua maioria, são mestres nisso!
É uma pena que exista esse preoconceito com os clássicos (confesso que também tenho), mas acho que a culpa reside principalmente na maneira como esses livros nos são apresentados: como uma obrigação escolar.
Quando colocamos isso de lado, podemos nos surpreender e muito com a leitura!
Beijos!

Rafaela de França disse...

É minha primeira vez no blog, e resolvi olhar depois de um convite no skoob. Quando me deparei com esta resenha senti um carinho grande, porque este livro, depois de Dom Casmurro, é um dos da literatura brasileira que mais me tocaram. E sua resenha explorou isto também. Parabéns pelo blog! e até mais ^^

Veezinha disse...

Oi Rafaela!

Muito obrigada pela visita, fico feliz que tenha gostado! Capitães da Areia foi um dos poucos livros de que eu gostei de todos que eu li para o colégio. Achei justo fazer uma resenha, já que a história me tocou de verdade! ;)

Volte sempre!!!

xx




2011/11/10 Disqus <>

Flavio Oliveira disse...

Único do Jorge que li, e gostei. Dos brasileiros, além do grande mestre Machado, sou muito fã de Cony... Ahhh, minha professora de segundo grau nos fez ler São Bernardo, livro bem difícillll... rs

Veezinha disse...

Único que li do Jorge também e um dos poucos que gostei da escola. Não sou nem um pouco fã do Machado rsrs
Acho que nas escola lemos de tudo um pouco, alguns melhores do que outros e uns muito chatos! kkk

xx

Flavio Oliveira disse...

AhHhh, eu gostei muito de Dom Casmurro e Memórias Póstumas... rs.. Mas meu escritor de cabeceira é inglês: Dickens...