segunda-feira, 3 de outubro de 2011

#Resenha: A Vida em Tons de Cinza - Ruta Sepetys

Boa tarde!

Embalando na agitação de tantas coisas para se fazer, vim aqui postar a resenha antes que eu perca a coragem. Por quê? Vocês já vão entender...

A Vida em Tons de Cinza
Autora: Ruta Sepetys
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 240
Sinopse: "1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias."
Este livro foi cortesia da editora Arqueiro.  

Como começar a falar sobre um livro que te deixou completamente sem palavras? Como contar sobre ele a uma pessoa sem que a garganta raspe e seus olhos ardam? A Vida em Tons de Cinza é uma história baseada em fatos reais que transformou completamente o meu olhar sobre Segunda Guerra Mundial e a União Soviética (não que eu gostasse das duas, mas vocês já vão entender o que mudou). Só de me lembrar lendo aquelas páginas, minha garganta aperta. Como pode o ser humano tratar seus semelhantes daquela maneira? Como pode ele determinar quem é mais forte ou mais fraco, mais ou menos inteligente, superior ou inferior?
Lina e sua família vivem na Lituânia. Seu pai, estudado e com muitos amigos, é reitor da faculdade, ela e seu irmão estudam e a mãe é uma excelente companheira. Tudo muda, entretanto, em uma noite. A NKVD, a polícia soviética, invade sua casa e a tira de seu conforto para um destino sombrio e incerto.
Por que ele estão tirando-a de sua casa? O que ela, o irmão e a mãe fizeram? Onde está seu pai? Essas perguntas atormentam Lina enquanto ela é encaminhada para um caminhão com outras pessoas, algumas conhecidas, outras não. Sua mãe, Elena, parece saber muito bem o que está acontecendo, mas, para não assustar, prefere manter o silêncio. E é na caçamba do caminhão, seguindo para buscar outras pessoas para, posteriormente, serem alojados em um trem de carga, que Lina começa a se dar conta de que sua vida está mudando radicalmente.
Os lituanos são tratados como animais, seres inferiores e burros, são vistos como mão de obra, verdadeiros escravos que poderão ser úteis aos caprichos soviéticos. E é aí que a tortura começa. Por muitos capítulos me perguntei quando que eu havia aprendido sobre o papel de Lituânia, Letônia e Estônia, os países Bálticos, durante a Segunda Guerra. Eu sabia que eles haviam sido anexados pela então União Soviética, mas, fora isso, nada mais havia. Por que motivo esse pedaço da história nos foi escondido? Pessoas, nações que sofreram tanto (e talvez até mais) que os judeus sob domínio de Hitler. O que aconteceu ou não a eles, suas situações precárias e regime de completa escravidão ficaram escondidos do mundo e isso me chocou muito.
A todo momento somos bombardeados por pensamentos confusos de Lina, sobre seu ponto de vista da viagem que ela, sua família e muitas outras pessoas consideradas "ladrões e prostitutas" de acordo com o que está escrito em seu vagão estão fazendo contra a vontade. No entanto, vamos conhecendo cada vez mais sobre cada um deles, quem são e o que supostamente fizeram para estarem ali. E tudo isso é registrado por Lina, seja pela sua narração, pelos desenhos que está fazendo e pelas cartas que escreve; esse é o seu modo de aliviar todo o horror e caos que se acomoda à sua volta.
Sem saber para onde estão indo, em condições tão precárias que eu penso que nem animais são tratados assim, lá se vão os lituanos presos para um destino cada vez mais assustador. A comida e a bebida é rala, as condições de higiene são péssimas. Há pessoas doentes, assustadas, à beira da loucura, machucadas. Ninguém escapou à frieza da NKVD. No meio disso tudo, Elena se mostra uma líder nada, com a cabeça no lugar e o mais importante: ela fala russo. A polícia soviética fala russo. Portanto, acende-se uma chama de esperança de que ela possa contornar as situações e garantir o pouco de dignidade que os resta. Essa mulher é forte e a todo momento ela também alimenta a esperança de que voltará a ver seu marido um dia, quando a guerra acabar. Lina também se agarra a esse pensamento, assim como seu irmão mais novo.
Seus dias são duramente relatados em cada capítulo, onde a vida não fica mais fácil, apenas suportável, se é que podemos chamar aquilo de sobrevivência. Todos eles esperam um dia voltar para suas casas, suas camas quentinhas, bem longe de todo o inferno que tem vivido. E eu ainda não conseguia acreditar que pessoas tenham passado por situações como essa. De extrema humilhação, dor, desespero e sofrimento. Qual é o tipo de ser humano que tem capacidade de fazer isso aos seus semelhantes?
A Vida em Tons de Cinza não é uma leitura fácil, é pesada, triste, mas que alimenta a esperança de quem lê, que mostra a luta de um povo para manter sua dignidade, seus valores e não se deixa sucumbir aos sofrimentos que lhes são impostos. O livro é, mais do que tudo, uma história de superação, de coragem. Ainda que já tenha se passado alguns dias desde que terminei, eu não consigo evitar me emocionar ao lembrar de tudo o que li, das cenas que visualizei em minha cabeça. É um livro que todos deveriam ler, porque se há algo que podemos fazer é tomar conhecimento de situações como essa para que, no futuro, possamos impedi-las de acontecer novamente. Uma história emocionante do começo ao fim que conseguiu me mudar como pessoa, que me atingiu lá no fundo e me fez refletir. Afinal, o que somos uns para os outros? Iguais? Inferiores? Superiores?
Essa história, além de muito triste, porém com seus momentos de beleza, é uma lição de vida. Impossível você ler e ficar neutro a tudo o que é relatado naquelas 240 páginas. Simplesmente não dá para ignorar tudo o que se faz aos nossos semelhantes. Não temos esse direito e não podemos mais permitir que isso aconteça. Esse, acima de tudo, é o objetivo de Ruta Sepetys, e eu lhe dou completo apoio.

"...o mal irá governar o mundo até o dia em que os homens e mulheres bons decidirem agir."
(Pág. 236)

Eu agradeço imensamente à editora Arqueiro, parceira do blog, por ter me proporcionado essa leitura emocionante e que ficará guardada em meu coração até o fim dos meus dias. Por favor, leiam, essa experiência deve ser de todos.

Nota: 

14 comentários:

Natália Alves disse...

Eu já estava com vontade de ler esse livro, mas confesso que não sabia do que se tratava. Costumo querer ler os livros apenas pela capa e coisa e tal.

Mas agora que acabei de ler a sua resenha, preciso ler urgentemente esse livro. Primeiro porque adoro livros que tratem de assuntos relacionados á 2ª guerra, acho super interessante poder ler sobre tudo o que aconteceu naquele epoca apesar de alguns relatos serem um pouco chocantes...

Você escreveu essa resenha e demostrou de forma clara o que o livro lhe passou e isso me deixou com mais vontade ainda. Sério, adorei a resenha!

Quero ler esse livro o quanto antes...

Bj;*
Naty - Just Books !

Veezinha disse...

Oi Naty! Leia sim, o mais rápido possível! haha É triste e bem chocante, mas vale a experiência, viu? Acho que todo mundo deveria ler, são relatos como esse que são esquecidos e que fazem toda a diferença, não é mesmo?
Eu também adoro livros que tratem sobre esse assunto, vou procurar ler mais agora! ;)

xx




Em 3 de outubro de 2011 20:44, Disqus
<>escreveu:

Duda Menezes disse...

Sou extremamente mole para ler esse tipo de livro e por isso os evito! Imagino que deve ser extremamente tocante, e muito, muito bom, mas só de imaginar todas as barbaridades que aconteceram nessa época.. como as pessoas sequer deixaram que isso acontecesse e que atingisse proporções tão catastróficas, eu fico super agoniada e me perguntando do que alguns seres humanos realmente são capazes. E só de imaginar que o livro é uma história real, já é mais um plus para eu passar alguns dias cabisbaixa e triste, então em suma prefiro evitá-los!
Gostei da sua resenha e imagino que o livro deve realmente passar uma mensagem de coragem e superação muito bonita! Aliás, adorei o quote! ^^

Beijos

Veezinha disse...

Ahhh eu também sou Duda. Morro de medo desses livros tristes, que eu sei que vou acabar chorando. Demoro até um pouco mais de receio de pegar para ler. É uma temática muito pesada mesmo, que provoca reflexão e praticamente te transforma. Eu tive que engolir o choro (li durante a aula #shame), mas depois que cheguei em casa não deu para aguentar. Nessas situações que nos perguntamos como pode existir pessoas que chegam a esse ponto?!
O quote foi tirado da última página do livro, o epílogo. Se um dia você conseguir ler, vai entender todo o contexto dessa frase e vai ficar ainda mais emocionada. Eu o achei perfeito para resumir todo o livro!

xx




Em 3 de outubro de 2011 23:48, Disqus
<>escreveu:

Nil Macedo disse...

Que maravilha. Sua resenha foi simplesmente maravilhosa.
Tenho muita vontade de ler esse ivro. E' sempre muito bom a gente conhecer fatos verdadeiros da historia do mundo. Temos que ver e conhecer todos os angulos da historia.
Parabens!

bjs.

http://booksandmuchmore.blogspot.com

Veezinha disse...

Obrigada querida, fico feliz que tenha gostado! :D Leia sim, é uma leitura emocionante que vai mudar a sua visão sobre a 2ª Guerra Mundial e o domínio de Stalin.

xx




2011/10/7 Disqus <>

Ricardo Biazotto disse...

Olá Vê, tudo bem?

Incrível a sua resenha. Antes de ler esse post, li o que você diz sobre suas notas e afins, e agora lembrei do meu último professor de história. Muitos criticavam a forma como ele lesionava, principalmente por ser rude e mostrar suas ideologias antes daquilo que está nos livros, mas ainda assim foi um dos melhores professores que tive.

Apesar dele ter ensinado muito sobre os mais variados assuntos da IIGM (principalmente os que não estão nos livros), acredito que o que é retratado em A Vida em Tons de Cinza é algo totalmente diferente, afinal, como você disse, esse povo sofreu mais do que os judeus. É triste lembrar que tudo isso aconteceu, e em um passado não muito distante :/

Pela sua resenha e sua recomendação, é uma leitura essencial, e sem dúvidas vai entrar na lista de futuras leituras.

Já estou seguindo seu blog viu? Beijos (www.overshock.blogspot.com)

Veezinha disse...

Oi Ricardo!

Acho que nunca tive um professor assim ou, pelo menos, não me lembro. Eles falam tanto de vestibular ultimamente que eu não sei mais o que é ter uma aula de História sem prestar atenção que isso ou aquilo pode cair em uma questão! >< Mas os meus sempre procuraram mesclar a História com fatos cotidianos e eu acho isso bem legal, dinâmico.
Forcei minha memória muitas vezes durante a leitura desse livro, mas nunca, realmente, ouvi falar dessa parte da Segunda Guerra. No máximo que os países Bálticos se separaram da União Soviética depois que o socialismo ruiu. Definitivamente é uma leitura obrigatória e, sem dúvidas, emocionante! Não consegui desfazer o nó na garganta até expor toda essa angústia que ficou ao ler a história de milhares de lituanos, letônios e estônios.
É terrível ter consciência de que isso de fato aconteceu, só deixa nossa percepção sobre os fatos ainda mais dolorosa. Eu ainda me arrepio ao falar do livro e preciso engolir o choro haha Mas todo mundo deveria ler, porque é impossível não terminar a leitura transformado! ;)
Obrigada pelo comentário e por seguir, volte sempre!!

xx




Em 9 de outubro de 2011 03:58, Disqus
<>escreveu:

Veezinha disse...

Verdade! E eu achei incrível que em meio ao caos todo a autora tenha aberto um espaço para o romance! Foi como o fio de esperança de que o livro precisava! Achei incrível o epílogo, embora o final tenha ficado meio rápido demais, como se não houvesse mais o que dizer, sabe? Ainda assim, inacreditável tudo o que aconteceu! Deveriam existir mais livros assim! :)
xx




Em 5 de outubro de 2011 19:46, Disqus
<>escreveu:

Veezinha disse...

O final foi muito rápido! Terminou, sei lá... como se fosse mais um dia dela, sabe? Eu até achei que tivesse entendido errado, que ele já tivesse voltado, mas não. Ficou muito inexplicado, mas o epílogo esclareceu algumas coisas. Mas já que tinham 85 capítulos, mais alguns explicando o desfecho não seriam demais não! ;)

xx




Em 5 de outubro de 2011 19:53, Disqus
<>escreveu:

Naniedias disse...

É realmente um livro que mexe muito conosco, né?! Uma história muito triste, mas também muito bonita.
E mais do que isso, muito importante! Porque agora sei que não sou a única que ignorava tudo o que aconteceu nessa época e as atrocidades que foram feitas >< É um relato impressionante, mesmo sendo ficção.

dpaulaingrid disse...

Sempre quis ler esse livro, sei que parece triste (é triste) a historia, mas acho que todo mundo deveria ler pelo fato da "moral da história" parecer ser bastante boa.

Veezinha disse...

Eu concordo plenamente! Apesar de ser triste, tem pitadas de esperança e até espaço pra romance! É lindo, lindo mesmo! Vale a pena o sofrimento e a angústia!

xx




2011/10/4 Disqus <>

Nanie disse...

Eu gostei muito disso também... afinal, apesar de todas as diversidades, a vida continuou.
Senti também a falta de um final mais elaborado... realmente achei que ficou meio corrido ><