domingo, 5 de fevereiro de 2012

Grandes Mestres: Vincent Van Gogh


A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros.
Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Vincent Van Gogh (1853 - 1890)

"Autodidata, dono de uma personalidade intensa e instável, ele trilhou um caminho personalíssimo no mundo das artes. Em apenas dez anos produziu uma obra de cores e formas inimitáveis, cuja influência permanece.
(...) Van Gogh, artista aparentemente instintivo e incoerente nas escolhas juvenis de vida, tomou um caminho de obstinada determinação desde seu início no campo da pintura e em toda sua curta carreira. Foi um caminho único e pessoal, que não excluía comparações contínuas e intercâmbios com outros jovens artistas da vanguarda parisiense, mas que se mantinha irredutível à vontade expressa no momento em que decidiu se dedicar inteiramente à pintura: tornar-se o 'pintor colorista' "
(Grandes Mestres, Vincent Van Gogh, Abril Coleções; páginas 5 e 10)

Os Comedores de Batata (Maio de 1885)

Testemunho do estudo do artista sobre o tema dos camponeses ("Rostos ásperos e lisos, de cabeça baixa e lábios grossos, não afilados, mas cheios e semelhantes aos das pinturas de Millet", como Van Gogh os definiu em uma carta em agosto de 1884), na tentativa de conseguir uma mistura de cores que faria a encarnação deles vibrante e semelhante àquela "de uma batata suja de terra e obviamente não descascada".
Ele escreveu a Theo, seu irmão: "Tentei sublinhar como essas pessoas que comem batatas à luz da lâmpada escavaram a terra com as próprias mãos que põem no prato. Falo, portanto do trabalho manual e de como eles ganharam honestamente a sua comida. (...)"

Vaso com Quatorze Girassóis (Agosto de 1888)

O Vaso com Quatorze Girassóis, da National Gallery, de Londres é uma dessas naturezas-mortas destinadas inicialmente à decoração do estúdio da Casa Amarela, em Arles, e depois colocadas no quarto de hóspedes com a proximidade da chegada de Gauguin ao lugar. A ligação tão próxima dos girassóis com a chegada do amigo pintor está documentada também pelo fato de que Van Gogh, como escreveu mais tarde ao crítico Aurier, via nesses quadros o símbolo da "gratidão", ou seja, ele tinha um sentimento de reconhecimento em relação a Gauguin, que havia finalmente decidido alcançá-lo para uma irmandade artística e existencial tanto no "ateliê do sul", como nas aspirações de Van Gogh e de outros artistas de renovar a pintura e a vida. A tela era pintada com cores muito claras, com uma variação de amarelos - do mais deslumbrante do fundo aos mais quentes da jarra, passando pelos mais profundos e com os quais são feitas as flores - que parecem realmente embutidas de luz do sol.

A Noite Estrelada (Ciprestes e Vila) (Junho de 1889)

Em junho de 1889, Vincent Van Gogh estava no sanatório para doentes mentais em Saint-Rémy, no mosteiro medieval de Saint Paul de Mausole, a pouca distância da cidadezinha provençal. Ele decidira voluntariamente se curar naquele lugar solitário. A insônia o estimulou a olhar para fora de sua cela, para uma paisagem noturna imersa no silêncio e na escuridão, sob um fantástico céu estrelado. Ao lado do cipreste torto, que parece tentar desesperadamente se elevar até chegar perto do céu, Vênus, a estrela da manhã, brilha, luminosa, enquanto o longo perfil das colinas se expande com a primeira luz do amanhecer. Do outro lado da tela, a lua, brilhante como um sol noturno, explode em círculos concêntricos, enquanto na torre do sino, lembrança das paisagens holandesas da infância sobreposta pela fantasia do artista à paisagem provençal, tem início um fantasmagórico motivo em serpentina, como se cometas em chamas ou meteoritos enlouquecidos estivessem prestes a cair na Terra. A visão, na qual o pintor sem dúvida se inspirou, é deformada por uma passionalidade exasperada, de uma incandescente vontade de se comunicar com o infinito.

Campo de Trigo com Corvos (Julho de 1890)

Símbolo da morte prematura do artista, que atirou contra o próprio peito em 27 de julho de 1890 e faleceu dois dias depois, foi objeto das mais diversas interpretações psicológicas: no ameaçador voo dos corvos, nos três caminhos que se perdem no campo, no céu fechado pela tempestade que se aproxima, podem ser lidas alusões ao desaparecimento existencial do artista e a sua intenção de suicídio.
Van Gogh tentava desesperadamente achar a via de salvação nas duas pilastras que sustentavam sua existência: o contínuo exercício criativo e a inabalável fé no vigor da natureza, que resplandecem, com seus magníficos contrastes e cores em seu Campo de Trigo com Corvos.

Atualmente, as obras de Van Gogh estão concentradas, principalmente, na Holanda e nos Estados Unidos. Para mim, foi muito importante falar sobre esse pintor em específico, pois ele esteve presente na minha vida desde muito pequena. Foi um dos artistas que estudei nas aulas de artes durante as primeiras séries e, de certa forma, ele conseguiu me marcar. Como parte do nosso estudo, tentamos reproduzir algumas de suas obras, dentre elas, Girassóis e A Noite Estrelada. A pintura Os Comedores de Batata é a que mais me intriga até hoje.
Van Gogh foi um artista atormentado e que enfrentou muitas dificuldades, inclusive, pela falta de reconhecimento, o qual, infelizmente, veio apenas após a sua morte. Toda a sua arte e sua singularidade fazem dele um grande mestre!

Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 2, Vincent Van Gogh, pág. 5;
2. O artista e o seu tempo; Van Gogh e o Pós-Impressionismo, pág. 10;
3. Os Comedores de Batata, pág. 44 a 47;
4. Vaso com Quatorze Girassóis, pág. 94 a 97;
5. A Noite Estrelada (Ciprestes e Vila), pág. 126 a 129;
6. Campos de Trigo com Corvos, pág. 142 e 143.



6 comentários:

Naniedias disse...

Sou fã do Van Gogh e seus quadros *-* O meu favorito é um que não está nesse post -"Quarto em Arles" e gosto muito do "Autorretrato com Chapéu de Palha" também *-*

Beijos,
Nanie - Nanie's World

Veezinha disse...

Ahhh, você sabe que eu ia colocar "Quarto em Arles", Nanie?? Também gosto muito dele, mas decidi que ficaria muito (embora para nós, que gostamos, nunca seja o suficiente" rs) e acabei cortando.

xx




2012/2/6 Disqus <>

Naniedias disse...

Acho que nunca seria o suficiente mesmo ><

Júlia disse...

Eu amo Van Gogh, já fui até no museu dele lá na Alemanha, é lindo demais *-*
você já leu o livro Girassóis? Conta sobre a vida dele, e é encantador!
Beijo
Júlia
www.saladacultural.blog.br

Júlia disse...

E amo o Van Gogh, fui até no museu dele lá na Alemanha, é incrivel! Ver tudo de perto, as cartas, o vaso, é maravilhoso *-*
Você já viu o livro Girassóis? Fala sobre a vida dele e é encantador!
Beijos
Júlia
www.saladacultural.blog.br

Veezinha disse...

Nunca li, Júlia! Mas tenho um livro desde quando era pequena que também conta a história dele e tem até alguns diálogos entre personagens desenhados. É bem legal e eu adoro! :D

xx


Em terça-feira, 7 de fevereiro de 2012, Disqus<
> escreveu: