sexta-feira, 30 de março de 2012

Grandes Mestres: Salvador Dalí


A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros.
Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Salvador Dalí (1904 - 1989)

"Principal nome do movimento surrealista, o mestre espanhol traduziu em imagens poderosas e, muitas vezes, chocantes, seus fantasmas, seus desejos e suas fantasias, ou, como preferem alguns, seu inconsciente. Dalí também foi um dos primeiros artistas a perceber o poder da mídia e a criar para si uma aura de excentricidade, o que ajudou a promover sua figura e sua arte.
Em poucos anos, Dalí atingiu o pleno domínio dos meios pictóricos. Os modelos visuais de referência eram extensos e às vezes contraditórios, sinal de uma curiosidade inesgotável e de uma vocação experimental desprovida de restrições e controles. O estilo, por consequência, era eclético."
(Grandes Mestres, Dalí, Abril Coleções; páginas 5 e 12)


Jogo Lúgubre (1929)

Jogo Lúgubre é a transcrição, por meio de um brilhante repertório iconográfico, dos sonhos e das obsessões que emergirão durante o verão de 1929. Resumo inquietante de uma crise nervosa no auge da agonia, o quadro coloca em cena, diante de uma escadaria inacessível, um vasto vocabulário visual. Leões, gafanhotos, lesmas. Pedaços de corpos humanos. O rosto de perfil do autor, que retornará como sua marca autobiográfica em muitas obras-primas sucessivas. Cabelos, pedras e conchas.
A transcrição visual das obsessões e das neuroses atinge o êxito de uma dissipação compositiva de efeito francamente alienante e não menos ambíguo.


Persistência da Memória (1931)

Entre 1929 e 1930, Dalí começou a realizar obras que, em um curto período de tempo, se tornaram não só o símbolo mais reconhecível do seu estilo e da sua iconografia como também, por consequência, do próprio surrealismo. Aquilo que chama a atenção em Persistência da Memória não é a novidade dos elementos colocados em jogo, e sim a rigorosa economia compositiva e a calculada simplicidade em relação às complicadas e, às vezes, pleonásticas agregações de motivos pictóricos dos trabalhos anteriores.


O Sonho (Cerca de 1930)

Em quase sua totalidade, a pintura é ocupada por um rosto feminino petrificado e esculpido por um claro-escuro dramático. Os olhos e a boca estão apagados. São substituídos por duas protuberâncias opacas. A zona entre o nariz e o queixo é entupida por uma nuvem de formigas, uma imagem já amplamente empregada por Dalí como um símbolo de morte e decomposição. A agressividade predatória e castradora de figura feminina é exacerbada pela cabeleira densa e volumosa. Mechas fluidas são fruto de uma virtuosística elaboração de motivos espirais de art nouveau.


Sonho Causado pelo Voo de uma Abelha ao Redor de uma Romã, Um Segundo Antes de Despertar (1944)

O sucesso mundano e de mercado se consolidava cada vez mais, contribuindo para a interrupção dos relacionamentos com o grupo dos surrealistas refugiados da Europa. Uma das consequências desse sucesso foi a extensão da atividade criativa de Dalí à moda, às artes gráficas, ao cinema e ao design, reduzindo o espaço para a pintura. Esta pintura, entre as mais famosas de Dalí, é também uma das poucas que foram terminadas nesse período.
Além de representar um exemplo da produção norte-americana do autor, a obra demonstra a clara mudança estilística em direção a uma arquitetura compositiva mais livre e fluente em relação às perspectivas vertiginosas e à indefinida espacialidade do decênio anterior.

As obras de Dalí se concentram, principalmente, na Espanha e nos Estados Unidos. Por se tratar de um artista considerado paradoxal, foi muito difícil escolher as obras para colocar nesse post, afinal, poucas seguiam o mesmo estilo, sendo completamente diferentes umas das outras. A meu ver, Dalí era um artista atormentado e porque não dizer levemente maluco, com cada pintura transmitindo jorros de informações, sentimentos e estados de espírito do próprio artista.
Confesso que já havia tentando reproduzir Persistência da Memória, mas tudo o que consegui foram minhocas no lugar de relógios, totalmente desfiguradas e o que eu imaginava ser um animal, quando criança, acabou que era um rosto de perfil! Definitivamente, as obras desse grande mestre merecem um olhar especial.

Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 6, Dalí, pág. 5;
2. O artista e o seu tempo; Dalí e o Surrealismo, pág. 11 e 12;
3. Jogo Lúgubre, pág. 58 a 61;
4. Persistência da Memória, pág. 72 a 77;
5. O Sonho, pág. 78 a 81;
6. Sonho Causado pelo Voo de uma Abelha ao Redor de uma Romã, Um Segundo Antes de Despertar, pág. 122 a 127.


4 comentários:

Diego Rangel disse...

Sei que ele foi um pintor muito famosos, mas ao olhar para suas obras não consegui entender muito oque ele queria passar com elas! Ele mistura tantas coisas que acaba ficando tudo um pouco confuso. Por exemplo no quadro: Persistência da Memória (1931) olhando a foto, pelos relógios derretendo eu entendo que o tempo passa e com isto as coisas vão morrendo mas o que isto teria haver com o título da obra!

Mayara Fernandes disse...

o persistencia da memoria vi ontem na aula, porem gostei mais do "Sonho Causado pelo Voo de uma Abelha ao Redor de uma Romã, Um Segundo Antes de Despertar (1944)"
KKKKK RI MUITO com o bigode do homem ali em cima, nossaa!!!! que estilo é este ai ai
apesar ontem me explicaram os ignificado do quadro do relogio mas nao lembro..

Ricardo Biazotto disse...

Acho que de todos os nomes já retratados nos "Grandes Mestres", esse seja o que menos conhecia e ainda assim sua importância é claro.
Também é difícil escolher a melhor das obras expostas no post. Talvez Jogo Lúgubre e O Sonho sejam as mais interessantes.

Beijos, Vê.
Ricardo - www.overshock.blogspot.com.br

Veezinha disse...

Eu sabia que o Dalí possuía obras curiosas, mas, lendo o seu volume da série Grandes Mestres, jamais pude imaginar que sua vida teria sido tão... perturbadora. Sem dúvidas, mudou a visão que eu tinha dela e dos seus quadros. De repente, tudo começou a fazer sentido rsrsrs

xx




Em 9 de abril de 2012 15:36, Disqus
<>escreveu: