segunda-feira, 19 de março de 2012

#Resenha: A Arte da Invisibilidade - Allan Pitz

A Arte da Invisibilidade
Autor: Allan Pitz
Editora: Dracaena
Número de páginas: 132
Sinopse: “A arte da invisibilidade visa condicionar o homem moderno ao intelectualismo de avanço real e lógico, natural, em acordo com sua época. E, ousadia das ousadias, visa trazer de volta o homem pensador, que vagaria pelas prisões hipnóticas sem se deter a nenhuma delas. Apenas isso.” 

Este livro foi cortesia da editora Dracaena.


Sabe aquele livro que, num primeiro momento, você nunca poderia se imaginar lendo, mas, depois que termina, não consegue parar de pensar no quanto ele te surpreendeu? Pois essa foi, basicamente, a minha experiência com A Arte da Invisibilidade.
De início, eu torci o nariz para ele porque, vejam bem, não gosto muito quando não conheço bem o livro que tenho em mãos. Já havia falando dele aqui no blog na parte de divulgação da editora Dracaena, mas nem de longe imaginava que um dia ele cairia nas minhas mãos. Nem havia prestado atenção o suficiente nele para isso!
Mas eis que ele acabou chegando para mim e, com a tentativa de me manter de cabeça aberta (assim como fiz quando recebi Mulheres Solteiras Não São de Marte - resenha aqui), iniciei a leitura porque ele é bem curtinho. Só que, de início, ele não me ganhou. A linguagem era um tanto rude, não gosto muito de ler palavrões enquanto tenho um livro em mãos, não havia um enredo, uma história em si, e todo aquele questionamento, organizado de forma que se parece como uma diarreia verbal.
Ok, até então parecia um livro perdido e eu estava começando a dar razão em ter torcido o nariz para ele. Porém, conforme eu avançava nos primeiros curtos capítulos, me peguei várias vezes balançando a cabeça e dizendo a mim mesma: "é assim mesmo". E acabou que, na verdade, o livro nos oferece uma enorme reflexão sobre o modo como vivemos em sociedade. Não importa que a narrativa seja uma avalanche de informações, pensamentos e críticas, uma verdadeira logorréia.
E bem no meio dessa loucura toda, você acaba rindo, não porque identifica algumas situações, mas porque é uma experiência tão diferente que, para mim, foi como se o próprio Allan Pitz estivesse na minha frente, discursando sobre tudo, tamanha a descontração de sua escrita. Ao final, foi muito bom eu ter me deparado com esse livro e dedicado algumas poucas horas a sua leitura que acabou se transformando em um momento de invisibilidade, como o autor passa vários capítulos tentando nos ensinar.
Finalmente, àqueles que acompanham as minhas resenhas, sabem que não costumo colocar quotes dos livros, mas devo abrir uma exceção, já que esses trechos me chamaram a atenção:

"Este aqui não deve deixar saudade em ninguém: não tem personagens fantásticos, nem feitos heroicos, nem diálogos empolgantes (um técnico em melhorar livros iria sugerir mudanças para vender mais)..."
Página 44

"É tão distante dos romances, tão distante dos contos, dos poemas..."
Página 59

"Temos que ser práticos; ao mesmo tempo, saber esgrimar contra as avalanches do modismo, na medida exata; saber entrar na casa das pessoas dentro de suas bolsas. Ficar com elas na cama, na escrivaninha, no caminho para o trabalho, nas tardes de feriado, de folga."
Página 72

"O que se espera de um artista? O que se espera de um escritor? O que se espera de um advogado famoso? O escritor que cria uma teoria inteligente deve dedicar todo o seu livro à técnica específica da nova teoria, esforçar-se em mostrar aos leitores seu domínio e apuramento de palavras, flutuar sobre o tema suavemente (lentamente). Ele deve deixar claras a abordagem do livro e a ordem de palavras que deve trabalhar até o fim da obra, para qual público é destinado. De quem ele quer o dinheiro."
Página 78

Nota:

8 comentários:

... da Cost@ disse...

Já li e foi uma experiência muito boa. Parecia que eu estava conversando com ele e tomando um bom vinho tinto. Filosofia moderna. Algo novo no meio de tanto tédio.

Felipe Vicente disse...

Parece ser legal, mas não é o meu gênero preferido.

Abraços, Lipe.
www.blogopenbooks.blogspot.com.br

Diego Rangel disse...

Achei importante a sua resenha pois até agora não tinha entendido muito bem sobre o que se trata este livro. Achei sempre complexo a sinopse e as resenhas de outros sites mais ainda! Pelo que entendi o autor fala sobre um monte de assuntos oque acaba confundindo um pouco o leitor mas no final o livro passa uma mensagem boa e isto é o que importa. Como tenho outro livros na minha lista acho que vou deixar este para ler mais tarde, mesmo assim obrigado pela dica! Abrc!

Veezinha disse...

Diego, esse livro fala de tudo um pouco, são verdadeiros devaneios do autor, mas que, no final, não deixam de ser verdade. Eu me peguei concordando com o livro em vários momentos e, às vezes, é muito legal quando um livro fala verdades que outros não falam. Esse é o diferencial e foi o que me fez gostar tanto desse livro! :D

xx




Em 1 de abril de 2012 21:02, Disqus
<>escreveu:

Mayara Fernandes disse...

Uau
que capa linda
não conhecia o livro ainda, mas pela resenha ficou obvio que e outro daqueles livros que muita gente poderia nao gostar e eu adorar.
a editora dracaena sempre lança livros lindos e otimos

Ricardo Biazotto disse...

Acho que já lhe disse que essa foi uma leitura que me surpreendeu. No inicio parecia chato, porém com o passar dos capítulos, fui me identificando com o autor e com seus ideais. Não é o melhor livro, mas gostei. Mas do que imaginava.
Beijos
Ricardo - www.overshock.blogspot.com

Veezinha disse...

De fato, é uma leitura que pode te aborrecer no começo, mas depois você se pega concordando e dizendo: "ei, é assim mesmo!" Eu fiquei muito satisfeita com o resultado final do livro, foi tranquilo, foi rápido e não ficou cansativo.
No final das contas, as diarreias verbais funcionaram e tiveram um efeito positivo! kkk

xx




Em 8 de abril de 2012 21:15, Disqus
<>escreveu:

Joanna Cândida disse...

Parece ser um livro bem interessante, a resenha está ótima!

http://www.combomental.com.br/