segunda-feira, 30 de abril de 2012

Grandes Mestres: Gauguin


A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros.
Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Paul Gauguin (1848 - 1903)

"Quando deixou a cidade natal, Paris, por um remoto vilarejo na Bretanha, região do interior francês que naquela segunda metade do século XIX permanecia congelada no tempo, Paul Gauguin assinou seu divórcio da cultura ocidental. E empreendeu uma viagem sem volta que o levaria longe, até a Polinésia Francesa, depuraria seus sentidos e suas emoções, e se expressaria numa pintura pessoal, original, autêntica e poderosa, a ponto de antecipar os novos e radicais modos de expressão da arte pictórica no início do século XX.
Nessa viagem, Gauguin encontrou o que procurava: a natureza intocada, selvagem, ritos ancestrais, autenticidade, que foram traduzidos em formas primitivas e traços sintéticos carregados de simbolismo."
(Grandes Mestres, Gauguin, Abril Coleções; aba e página 5)

Dança das Quatro Bretãs (1886)

Pont-Aven, graças à localização isolada, preservara ritos e tradições. Nessa jovem e variada comunidade, Gauguin, com quase 40 anos, se torna referência. A circularidade do grupo e o senso de direção da dança foram interrompidos pelo nivelamento absoluto da imagem: a figura à direita, em primeiro plano, torce o busto em uma curva que pediria um arco correspondente em profundidade. A única camponesa pintada em posição frontal é quase plana, como se a modelo estivesse colada ao fundo.
Mesmo a disposição espacial das figuras sugere instabilidade: a terra marrom em que a dança acontece não parece um plano real nem um segundo plano. Faltam sombras e a linha do horizonte.


Retrato de Madeleine Bernard (1888)

Sob o olhar atento do pintor, a moça se torna um ídolo exótico, uma presença enigmática e extremamente atraente. O ídolo Madeleine é colocado em um contexto doméstico, sugerido por alguns elementos: a cadeira em que está sentada, os chinelos no canto inferior direito, uma porta ou um indefinível motivo decorativo também à direita, uma gravura ou, melhor, o fundo de uma obra que foi atribuída como um trabalho de Jean-Louis Forain. A roupa com que a moça é retratada remete ao japonismo. A capa que ela veste parece um quimono feito de seda dupla face, dourado e vermelho.
Ao Japão, mais que tudo, remete o rosto da menina, um oval cortado por linhas muito angulosas e afiadas a partir do queixo pontudo, continuando até o limite das orelhas, culminando no coque.


Café em Arles à Noite (Madame Ginoux) (1888)

O café noturno é retratado em setembro por Van Gogh, em três sessões noturnas, que revelam um ambiente alucinado e visionário, feitas sob um ponto de vista elevado, em que o amarelo predomina quase deslumbrante. Dois meses depois, Gauguin elabora uma composição mais sóbria, aproximada e em tons de vermelho. Duas visões da mesma situação, alterações da realidade, pois nenhuma delas se propõe a ser a representação fiel da verdade. O café se torna um tipo de estudo para as ideias artísticas dos pintores.


Hoje, suas obras estão concentradas em museus dos EUA e da França. Quando ouço falar em Gauguin, sempre me remete à sua vida em Arles, como companheiro de quarto de Van Gogh. Tudo o que sabia sobre ele era a parte que presenciara a vida de Van Gogh e só. Olhando para suas pinturas, principalmente a última, dá para perceber que eles se assemelhavam alguns pontos, embora a técnica de Gauguin tenha sido mais sóbria.
Seu talento é notável e a quebra com os paradigmas da época, na arte. Não é algo que chame a atenção logo de cara, mas, ainda assim, vale um olhar cauteloso, por causa das técnicas próprias e inéditas para o seu tempo.

Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 8, Gauguin, pág. 5;
2. Dança das Quatro Bretãs, pág. 46 e 47;
3. Retrato de Madeleine Bernard, pág. 54 a 57;
4. Café em Arles à Noite (Madame Ginoux), pág. 76 a 79.


6 comentários:

Caique Bruno disse...

Gostei muito desse post! Gosto de conhecer e de aprender coisas novas, achei as artes muito bonitas, falta gente assim nos dias de hoje, falta a valorização da arte.

Abraços
Caique Fortunato
http://entrepaginasdelivros.blogspot.com/

fellipe disse...

Acho que já ouvi o nome do pintor em alguma aula de Artes que tive, só não me lembro qual era o assunto rs As obras dele são bem interessantes, gostei mais dessa Dança das Quatro Bretãs!

Veezinha disse...

Realmente falta! Hoje em dia, qualquer quadrado em branco é arte. E arte caríssima! Esse conceito todo se perdeu ao longo do tempo. O que me faz querer muito conhecer essas obras magníficas de perto! :D

xx




2012/4/30 Disqus

Veezinha disse...

Deve ter sido relacionado a Van Gogh, não? rsrs Eu só me lembrava dele relacionado a esse primeiro, que aprendi na aula de artes também. Bem legal conhecer mais sobre Gauguin!

xx




2012/5/2 Disqus

Viagem ao Centro dos Livros disse...

São sim grandes mestres, mas nunca ouvi falar de nenhumas destas obras..Mas vou me informar!

Abraços!

Veezinha disse...

Confesso que, de alguns, também nunca ouvi falar, mas é sempre muito legal descobrir sua contribuição para a época em que viveram e, é claro, para os dias de hoje! São curiosidades que poucas pessoas se interessam hoje em dia! ;)

xx




2012/5/11 Disqus