terça-feira, 15 de maio de 2012

Grandes Mestres: Toulouse-Lautrec

A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros.
Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec Monfa (1864 - 1901)


"A arte de Toulouse-Lautrec é a do contraponto. Ele escolhe temas notoriamente vulgares - salões de baile com decorações miseráveis, corpos de mulheres cansadas ou sem nenhuma graciosidade - não para mostrar-lhes a feiúra, mas para descobrir-lhes a beleza, a alegria, o frescor que outro olho qualquer não poderia perceber. Em resumo, Lautrec mostra o contrário daquilo que representa. É exatamente essa procura pela pureza, essa sua necessidade do absoluto, que o leva a buscar uma inspiração cada vez mais distante da sociedade aristocrática e culta em que nasceu."
Radptonl Adoftpt

A Condessa Adèle de Toulouse-Lautrec (1881 - 1883)

Casada com um primo, a condessa Adèle assistiu ao fim precoce de seu matrimônio depois da morte do seu filho mais novo, Richard, irmão de Henri Toulouse-Lautrec. Adèle foi importante na vida e na obra de seu filho mais velho. Ela o confortou nos momentos de insegurança que se seguiram aos primeiros contatos com o mundo de Montmartre, em Paris, e financiou seu tratamento para desintoxicação.
O retrato da condessa Adèle é a imagem de uma mulher austera e melancólica. Revela a intimidade da relação que ligava mãe e filho, confirmada pela caudalosa correspondência trocada entre eles. A condessa é retratada de frente, pensativa, com o olhar voltado em direção à xícara de chá, em uma harmônica combinação de tons - verde, cinza e malva.


No Moulin Rouge: A Dança - Valentin, o Desossado, Ensaia as Novas Candidatas (1890)

Deformações, caricaturas e uma atmosfera um tanto grotesca são elementos que parecem pertencer à pena de Toulouse-Lautrec ao final de seu período de aprendizado. Por seu formato e ambição compositiva, No Moulin Rouge representa o primeiro desafio autêntico no território da pintura de época. Desdenhosamente, algumas figuras cortadas na altura do joelho atravessam o campo visual mais próximo ao observador. Trata-se de um expediente fotográfico já utilizado pelos impressionistas, batizado de silhouette repoussoir, que reforça a sensação de profundidade da obra e que Lautrec refinará até torná-lo um de seus recursos mais marcantes.


A Revue Blanche (1895)

Misia Godebska, esposa de Thadée, um dos três fundadores na revista Revue Blanche, serviu de modelo para essa capa. A figura de Misia, cortada na altura do joelho, inclina-se para a esquerda e inicia uma torção em espiral. A figura tem seu ponto culminante no chapéu decorado com plumas, num elegante arabesco. As composições são perfeitas e breves. A paleta limita-se ao azul, usado como fundo para o vestido, e ao vermelho, que reaviva a silhueta. O fundo destaca a forma feminina, mas, ao mesmo tempo, integra uma perfeita transcrição figurativa da superfície de gelo sobre a qual a protagonista patina.


Atualmente, as obras de Toulouse-Lautrec estão concentradas, principalmente no Brasil, nos Estados Unidos e na França, sendo nessa última abrigadas em um museu que leva seu nome. O que mais me chamou a atenção no seu estilo foram as pinceladas que dão uma impressão de movimento às pinturas e, claro, a profundidade também foi um diferencial.
Ele também foi responsável por vários posteres e capas, um verdadeiro publicitário para a sua época. Além dessas peculiaridades, a capacidade de transmitir a beleza de uma cena sóbria faz dele um componente curioso e especial da galeria de Grandes Mestres.


Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 9, Toulouse-Lautrec;
2. A Condessa Adèle de Toulouse-Lautrec, pág. 40 e 41;
3. No Moulin Rouge: A Dança - Valentin, o Desossado, Ensaia as Novas Candidatas, pág. 60 a 65;
4. A Revue Blanche, pág. 120 a 123.


6 comentários:

Bruna Reis disse...

Não goato muito de pinturas hehe se fossem escritores eu acharia mais interessante, mas mesmo assim, não tem como negar o talento dessa gente né =D

Gostei daqui
Beijos
Bruna Reis
http://desbravandohistorias.com.br/

Veezinha disse...

Inegável, definitivamente Bruna! :D Não é à toa que foram selecionados para essa coleção, estou percebendo isso aos poucos, conforme vou conhecendo todos.
Que bom que gostou, espero vê-la aqui mais vezes! :D

xx

Rodrigo Caldas disse...

Ele gosta de pintar mulheres sem graciosidade para descobrir-lhes a beleza que outro olho não poderia perceber, bem isso é inusitado no mínimo. Não concordei com a parte que disse que ele gosta de pintar temas vulgares, não vo nada de vulgar nas pinturas.

Veezinha disse...

Bem inusitado mesmo. O fato de ser vulgar, Rodrigo, acho que tem muito a ver com o que era vulgar para época, sabe? Ele tinha essa prática de descobrir a beleza nas coisas feias e, digamos, "vergonhosas". Um diferencial bem incrível!

xx




Em 31 de maio de 2012 21:54, Disqus escreveu:

Fellipe ramos disse...

Gostei do quadro da dança, gostei da profundidade e as cores também ficaram bem legais.
Os outros dois são também interessantes, mas esse foi o que mais gostei!

Veezinha disse...

A profundidade é um dos aspectos que mais chama a atenção na obra! Não conhecia muito bem o artista, mas gostei bastante do trabalho! ;)

xx



2012/6/4 Disqus