sábado, 16 de junho de 2012

Grandes Mestres: Degas

A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros.
Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Edgar Hilaire Germain Degas (1834 - 1917)


"Degas foi, sem dúvida, um dos artistas mais inovadores e originais do século XIX. O seu olhar excepcionalmente agudo permitiu-lhe entrar no coração da vida parisiense moderna - o café-concerto, as corridas de cavalo, a vida nos bastidores do teatro Opéra - com uma rapidez e uma liberdade de aproximação sem precedentes. Irrequieto e insaciável experimentador de novas técnicas, ele conferiu ao pastel uma força expressiva e uma riqueza cromática totalmente novas, ampliou os limites da gravura, da litografia, do monotipo e da fotografia, e introduziu novos assuntos e materiais no campo da escultura, meio tradicionalmente menos flexível. Degas não teve alunos; talvez a sua originalidade fosse tamanha que os outros artistas só conseguiram colher a sua herança parcialmente. Foi, porém, o inspirador de vários deles e, em geral, foi generoso com aqueles que o observaram."
Ann Dumas

A Família Bellelli (1858 - 1860)

A fisionomia dos parentes de Degas são presenças frequentes em suas telas juvenis. Mais que revelar a intensidade de uma ligação, esses retratos foram ditados pelas necessidades comuns a um pintor em seus primeiros anos. Os vultos familiares permitem a Degas se exercitar em um gênero de comercialização, em busca de um reconhecimento artístico e econômico que tardaria a chegar.
A Família Bellelli vai além do mero retrato. Na tela, o grupo se fragmenta em subgrupos. A tia, que domina a pintura com seu ar imperioso e ausente, forma a pirâmide entre suas duas filhas. Uma exibe uma pose educada e fixa o espectador. A outra, trêmula de animação infantil, exibe o perfil esquerdo de seu vulto. À direita, voltado para a direção oposta e como que emergindo da sombra, está o tio Gennaro, isolado e sentado à mesa.


A Orquestra da Opéra (cerca de 1870)

Em A Orquestra da Opéra, retrato que funde dados fantasiosos e anotações e esboços feitos ao vivo, o músico está cercado de outros profissionais (o flautista, os dois principais violinistas e o contrabaixista). Todos são mostrados em primeiro plano. Em sua porção inferior, os músicos são retratados com um vívido realismo. Ao alto, as bailarinas estão imersas na cintilância artificial da cena e contidas pela borda superior da tela. Ao centro, integrando as duas partes, o feliz achado da clave do contrabaixo, uma experiência em contraluz, pronta para ser reempregada na indústria dos cartazes.


Retrato de Edmond Duranty (1879)

Romancista de escasso talento e sorte, jornalista e crítico de arte, Edmond Duranty se lançou na carreira de escritor em 1856. Os seus interesses, que variavam das gravuras japonesas à arte popular, da pintura grega em vasos às marionetes, incluíam também um repertório de modelos "ingênuos", redescobertos com o viés contemporâneo da cultura realista, não lhe garantiram o sucesso sonhado. Obrigado a vender os itens mais raros de sua eclética biblioteca, morreu miserável aos 57 anos, em 1880.


Bailarinas de Rosa e Verde (cerca de 1890)

A consistência grumosa da cor, que recobre, vibrante, a tela toda com a vivacidade saturada do pastel, coopera ativamente com o realce da superfície lisa da pintura. Degas estuda o modo de transpor para a técnica a óleo a opacidade do pastel. A textura resultante, parecida a um tecido oriental, é devedora das noções científicas relativas à aplicação da cor que circulavam na época.


As obras de Degas encontram-se, em grande parte, no Brasil, nos Estados Unidos e na França. Eu já havia ouvido falar de Degas em alguns episódios da série White Collar, pois o protagonista é um grande fã do pintor, mas nem de longe poderia imaginar que grande parte de seu trabalho estivesse bem aqui, tão perto, em São Paulo. Os traços dele são, definitivamente, únicos e a fidelidade com que Degas retrata as feições de seus modelos foi o que mais me impressionou. Com certeza estou ansiosa para observar essas pinturas de perto e sem sair do país!


Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 11, Degas (orelha);
2. A Família Bellelli, pág. 40 a 43;
3. A Orquestra do Opéra, pág. 54 a 57;
4. Retrato de Edmond Duranty, pág. 96 a 99;
5. Bailarinas de Rosa e Verde, pág. 132 a 133.


6 comentários:

fellipe disse...

Gostei de todas essas obras, mas a que mais gostei fora essa O retrato de Edmond Duranty por todos esses livros em volta dele, essa estante cheia e ainda vários na mesa *-*
Também nem podia imaginar que suas obras poderiam estar aqui no Brasil, mesmo que esteja longe de mim é bom saber que temos essa belezas aqui!

Rodrigo Caldas disse...

Eu tinha o pensamento de que todas as pinturas de artistas importantes como Degas estivessem em países da Europa, não sei porque rsrs.
Diferentemente das pinturas que eu já vi de outros artistas em outros posts por aqui esses bem normais, retratam situações do dia a dia.

Flavio Oliveira disse...

Degas não é dos meus favoritos pois eu acho ele meio fora do tempo, entretanto, eu gosto da técnica de pastel e ele é craque com os bastões... Gosto muito dessa série sobre artistas, pois sou um... rs

Veezinha disse...

Ahhhh é pq você acha que escolhi esse quadro? Justamente por isso!!!!! *-*
Surpreso né? Espero poder vê-las em breve!


xx

Veezinha disse...

Pois é, também achava isso! Mas essa informação me pegou desprevenida! kkk
Ainda que sejam normais, convenhamos que tem um toque especial! ;)


xx

Veezinha disse...

Por enquanto, tenho gostado um pouquinho de cada um, com suas peculiaridades...
Fico feliz que goste, parece que são poucas pessoas que apreciam arte hoje em dia!


xx