sábado, 30 de junho de 2012

Grandes Mestres: Velázquez

A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros.
Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Diego Velázquez (1599 - 1660)


"Velázquez foi o pintor da corte de Felipe IV. Produziu não só inúmeros retratos da família real, mas também da fauna humana que gravitava em torno dos monarcas, como bufões e anões. Como todo grande artista, sua obra vai além do simples registro para penetrar e revelar a alma de seus retratados. Velázquez já foi classificado de realista, barroco, seguidor dos mestres venezianos, discípulo de Caravaggio. Mas aprisionar sua arte em um escaninho qualquer é reduzi-la."
(Grandes Mestres, Velázquez, Abril Coleções; página 5)

O Agueiro de Sevilha (cerca de 1621)

As figuras humanas tem uma monumentalidade que se adapta bem aos santos de um altar: o vendedor segura o seu copo com a mesma gravidade solene que um padre levanta o cálice de vinho durante a missa. É a luz, típica de Caravaggio, que tira os corpos das trevas e os esculpe com precisão. Um dos detalhes mais fascinantes dessa obra é a equação entre pessoas e objetos, todos igualmente sujeitos à incidência da luz, todos igualmente protagonistas da pintura.


Retrato de Juan Martínez Montañés (junho de 1635 a janeiro de 1636)

Juan Martínez Montañés foi o escultor mais importante da Espanha. O fato de o quadro estar inacabado tem um sentido artístico para Velázquez. Nessa obra, o escultor foi retratado durante o trabalho, enquanto modelava em argila o rosto do rei. No entanto, nenhum escultor trabalharia tão elegantemente vestido e, portanto, a presença da grande cabeça de argila é percebida mais como um atributo da profissão do que a representação da ação real.


Retrato da Infanta Margherita em Azul (1659)

Na pintura, Margherita aparece como uma pequena mulher. Esse tipo de boneco arquitetônico se desmaterializa e rarefaz à medida que os olhos do espectador sobem: acima das listras douradas que marcam a barra da saia, uma massa de azul intenso é quebrada apenas pela luz e pela estola de pele. A saia faz a figura explodir, depois o rosto etéreo é emoldurado pelos fios de cabelo loiro-cinza. Enterrada nesta maravilhosa torre de tecido pintado, Margherita continua a olhar, e sua forte presença parece ainda mais milagrosa.


Autorretrato com a Família de Felipe IV (As Meninas) (cerca de 1656 - 1657)

"Entre as maravilhosas pinturas de Diego Velázquez existe uma grande com o retrato da Imperatriz (então Infanta da Espanha) dona Margeritha de Áustria, quando ela era jovem. Não existem palavras para descrever o seu grande encanto, vivacidade e beleza, mas o próprio retrato é o seu melhor elogio. Aos seus pés, curvada, está Maria Agustina, criada da rainha e filha de Don Diego Sarmiento, entregando-lhe um frasco de água. Do outro lado, há outra empregada, que mais tarde se tornou dama de honra, senhora Isabel de Velasco. (...) Da outra parte surge Don Diego Velázquez, que pinta. Ele segura a paleta de cores com a mão esquerda e um pincel com a direita, os símbolos de seu cargo no palácio. No peito, leva insígnias da Ordem de Santiago."
Antonio Palomino


As obras de Velázquez encontram-se na Espanha, Estados Unidos e Reino Unido, principalmente. Algo que considero curioso ao analisar suas várias pinturas é que, em algumas, Velázquez fazia uma pequena participação no cenário em que pintava e sua sucessão de retratos denominados "Retrato Masculino" praticamente o entregam como modelo do próprio retrato, em diferentes épocas.
Definitivamente, ele foi o pintor da corte espanhola já que grande parte de suas obras retrata os monarcas. Algo diferente, visto até então e que, com sua técnica, o coloca em destaque, como um verdadeiro mestre.


Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 12, Velázquez, pág. 5;
2. O Agueiro de Sevilha, pág. 44 e 45;
3. Retrato de Juan Martínez Montañés, pág. 90 e 91;
4. Retrato da Infanta Margherita em Azul, pág. 130 a 133;
5. Autorretrato com a Família de Felipe IV (As Meninas), pág. 134 a 143.


Obs.: Pessoas, leitores lindos, gostaria da opinião de vocês: devo, ou não, continuar com a seção Grandes Mestres? Sejam sinceros.


7 comentários:

fellipe disse...

Também gostei dele aparecer na obra, essa última, o Autorretrato com a família de Felipe IV, foi o mais gostei! As meninas foram desenhadas parecendo bonecas, como a obra acima, e gostei bastante disso!
Sobre essa sessão eu gosto dela, é legal ver essas obras!

Rodrigo Caldas disse...

Interessante, todos os quadros dele tem um tom meio sombrio, até mesmo o da festa, que deveria ser alegre.
Achei super legal a frase "aprisionar a sua arte em um escaninho qualquer é reduzi-la", eu já li algumas matérias a respeito disso, onde especialistas falam que grandes obras de grandes artistas deveriam poder ser vistas por todo mundo, e não ficarem aprisionadas em museus.

Flavio Oliveira disse...

Um dos maiores gênios das artes. Claro, para os espanhóis, o maior de todos... rs. Dos meus pintores favoritos.

Flavio Oliveira disse...

Um dos maiores pintores de todos os tempos... Para os espanhóis o maior... rs. Dos meus favoritos muito por causa do uso do claro-escuro. Gosto demais do Velazquez.

Veezinha disse...

Não é interessante?! rsrs
Bom saber que gosta, pretendo continuar com ela, então! :D Obrigada!


xx

Veezinha disse...

Pois é, ele tinha essa prática de iluminar os personagens e objetos da obra e deixar o resto com uma aparência sombria. Bem interessante!
De fato, se bem que as pessoas hoje em dia não se interessam muito por arte, mas penso que ver tudo isso reunido em um museu deve ser lindo demais de se ver! *-*


xx

Veezinha disse...

Exatamente, o preferido dos espanhóis!
Eu conhecia muito pouco do Velázquez até então, mas foi muito legal observar suas obras e ver sua habilidade de iluminar personagens e objetos em seus quadros. É interessante!


xx