quinta-feira, 26 de julho de 2012

#Resenha: Danação - Marcus Achiles

Danação
Autor: Marcus Achiles
Editora: Baraúna
Número de páginas: 410
Sinopse: "Em maio de 1734 Taubaté era uma vila sitiada e aterrorizada. A cada sexta-feira seus moradores repetiam o mesmo ritual perturbador das semanas anteriores, enterrando corpos queimados encontrados nas matas. Uma intolerância comparável apenas ao medo diante de um adversário oculto e invencível logo jogou colonos e militares contra os índios abrigados em aldeias próximas. Para os crentes, no entanto, aquele pedaço de terra e suas três mil e poucas almas eram uma nova Sodoma, condenada por Deus a ser consumida pelas chamas. É nesse pandemônio de fanatismo, fúria e violência que chega a Taubaté o mais maldito dos homens, perseguido pelo maior dos inimigos e guiado por um anjo. Ele é Diogo Durão de Meneses, um senhor de engenho a quem a tão desejada morte era negada há quatro anos. Um forasteiro, destinado a enfrentar um ser que desafiava toda razão e fé – e que, nos séculos seguintes, seria imortalizado no imaginário de um povo. DANAÇÃO não é apenas um romance que transporta o leitor para o Brasil do século XVIII. Em suas páginas estão mais do que o dia-a-dia no interior de uma colônia inóspita, com seus costumes fielmente retratados. O livro é também uma passagem para outra dimensão, na qual seres imaginários – que séculos atrás povoaram os medos dos homens – criam vida. E onde o Mal deixa os sermões dos padres e se torna tangível e implacável. DANAÇÃO busca dar ao folclore brasileiro contornos inéditos, unindo o mais puro realismo fantástico aos dramas verdadeiros de negros, brancos e índios em uma época de incerteza e provação."
Este livro foi cortesia da editora Baraúna.

Desde a escola, eu não era muito fã de história nacional. Eu adorava, claro, saber mais sobre a história de outros países, mas sempre torcia o nariz para a nossa história. Por outro lado, sempre gostei do nosso folclore, histórias sobre Saci, Mula Sem Cabeça, Iara, Curupira... tinha livros infantis e, até hoje, tenho um chamado "Um Saci no Meu Quintal", que reúne diferentes estórias sobre esses seres tão conhecidos pelo povo brasileiro.
Unindo essas duas características, Danação retrata o Brasil colônia de tal forma que foi impossível não ficar fascinada. As descrições são riquíssimas e muito precisas e me transportaram até os cenários de seus 57 capítulos. Além desses detalhes, a escolha de enredo também foi inesperada e muito bem trabalhada. Uma peça do folclore brasileiro assombrará a comarca de Taubaté, da capitania de Itanhaém, levando todos os seus moradores a questionar a eficiência da guarda e de seus vereadores.
Paralelo a isso, acompanhamos a viagem de Dom Diogo Durão de Meneses e seus dois escravos, João e Inácio, pelas capitanias e os caminhos sinuosos enfrentados há quatro anos. Fugindo de um terrível passado e tendo seus passos acompanhados de perto por ninguém menos que o Diabo, Diogo há muito deseja a própria morte, algo não muito fácil de obter.
Enquanto nas manhãs de sexta-feira, corpos são descobertos carbonizados nos arredores de Taubaté, a população recorre à Igreja e às palavras do vigário para procurar algum tipo de consolo acerca do que ameaça a todos, sem distinção de raça, classe social, sexo ou idade. A principal suspeita é da ação de índios que ainda ocupam alguns trechos da terra já colonizada e, com exceção daqueles já catequizados, ainda resistem ao domínio dos homens brancos e da imposição da religião católica sobre suas crenças.
Somos guiados pelo dia a dia de uma civilização que está apenas começando em terras novas, o regime escravista ainda é forte e os engenhos de açúcar acabaram de perder sua prosperidade. As condições de higiene, precárias, e as moradas sem nenhuma infraestrutura assusta no começo, mas depois somos capazes de imaginar e pensar no quanto a vida era difícil naqueles tempos, sem tantos avanços com os quais vivemos hoje em dia.
Uma verdadeira aula de história, com a diferença de ser muito mais interessante e emocionante do que aquelas que tive na escola e, claro, adquirindo um tom sobrenatural que eu adoro! Desde o princípio, sabemos que Diogo possui uma maldição, mas ele não é o único a sofrer com a própria danação. Conforme ele for se aproximando de seu destino final, Taubaté, vamos descobrindo quem poderá estar à sua altura, ou até pior, para um confronto entre homens malditos.
Testemunhamos a ignorância de um povo, precariamente letrado através de ensinamentos filtrados pela Igreja, vivendo em terras desconhecidas, tentando sobreviver perante as rígidas regras da Coroa que, determinando impostos, pouco resta aos próprios moradores. Na época, o ouro e as pedras preciosas estavam alcançando seu auge em exploração e muitos escravos ajudavam na renda de seus patrões, como escravos de ganho. Alguns conseguiam alforria, outros estavam fugindo para os quilombos.
Embora poucos índios restassem, qualquer tipo de maldição lhes era atribuída e os confrontos, cada vez mais sangrentos. As milícias contra o Rei também surgiam, reunindo-se secretamente; algumas, inclusive, formadas por jovens letrados no exterior que retornavam à colônia, para o seio de suas famílias.
A história de diversos personagens se ligam e em uma bem entremeada história, onde se percebe que o autor fez sua lição de casa, a leitura destaca-se e garante os olhares atentos do leitor até sua última página.


Nota:



7 comentários:

jessica rochafonseca disse...

eu também não gostava muito da nossa história na escola.Mas realmente esse livro parece muito bom.Fiquei super curiosa!!
http://livrosobaluzdalua.blogspot.com.br/

Marcus Achiles disse...

O problema da História do Brasil é que ela é contada por meio de livros maçantes e métodos tradicionais demais. Se a história dos fatos enche (e geralmente enche mesmo) tente a história das pessoas comuns, que é apaixonante. E temperada com nosso folclore então...

Amanda Gabrielle disse...

Ao contrário de você, eu amo amava ouvir sobre a História do Brasil, ainda amo. Até mais fascinante do que a de outros países. O livro deve ser riquíssimo de coisas sobre o Brasil. Amei!

Rafa K. disse...

Na época da escola eu também não era muito fã da história do Brasil, preferia a do Egito e da Grécia. Agora fiquei curiosa para ler o livro e aprender sobre a a história do Brasil. Preciso recuperar o tempo perdido.

Rafaela Kulmann disse...

Na época da escola eu não era muito fã de história do Brasil, mas era apaixonada pelo folclore brasileiro. O livro parece ser bem interessante e deve contar a história do Brasil de maneira legal.

fellipe disse...

Eu também não gosto de historias do Brasil, mas gosto do folclore hahaha Esse livro parece legal por isso, mas fico muito confuso se gostaria de ler ele, talvez não por se passar em 1734!

Caique Bruno disse...

Oi, também sempre tive problemas com a literatura nacional, até ler bons livros e tirar isso da minha ideia kkk. Nunca li nenhum livro dessa editora, mas já tinha ouvido falar nesse. Gostei muito da resenha, a obra realmente parece ser bacana, um tema diferente e um pouco que ''importante''.


Abraços
http://entrepaginasdelivros.blogspot.com/