quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Grandes Mestres: Cézanne

A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros.
Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Paul Cézanne (1839 - 1906)

"Cézanne surge como um grego da belle époque. As suas telas têm a calma e a serenidade heroica das pinturas e das cerâmicas antigas. (...) Cézanne é um grande pintor. A sua pintura possui o inexpressável fascínio da antiguidade bíblica e grega. Os movimentos dos personagens são simples e grandes como nas esculturas antigas. As suas paisagens possuem uma majestade imponente e as naturezas-mortas, tão belas, tão exatas nos tons, têm, nas suas verdades, algo de solene. Em todas as suas pinturas, o artista comove, pois ele mesmo sente, diante da natureza, uma emoção violenta, que a sua habilidade transmite para a tela."
Georges Rivière

O Relógio Negro (1867 - 1869)


O poeta alemão Rainer Rilke descreve a natureza-morta com relógio preto exaltando suas peculiaridades com base nas duas cores dominantes: o preto, "no belíssimo conjunto de uma prateleira de lareira negra, com seu relógio de pêndulo", e o branco, "em um pano que cobre uma provável mesa, pendendo dela". Ambos, o branco e o preto, segundo Rilke, "comportam-se inteiramente como cores ao lado das outras cores, com os mesmos direitos, como velhos conhecidos". Dois elementos parecem singulares na composição: o relógio, que não tem ponteiros, e a concha, de proporções incomuns e presença quase viva no vermelho-aceso de sua abertura e no movimento das ondulações superiores.


A Casa do Enforcado, Auvers-sur-Oise (1873)

Comparada às obras precedentes, a paleta assume tons mais claros e, frequentemente, a técnica consiste de pequenos toques de pincel. A Casa do Enforcado trata-se de uma composição aplainada que não permite aos olhos vagarem na profundidade espacial. Com efeito, a profundidade é perceptível não tanto no vazio deixado em torno das coisas, mas no encurvamento dos intervalos e nos escuros que se interpõem entre os vários elementos.


Gardanne (1885 - 1886)

Da estadia em Gardanne e dos estudos conduzidos ali, restam poucas obras. Cézanne trabalha lentamente e destrói algumas pinturas. Mas elas merecem atenção pela qualidade que as caracteriza no contexto de seus estudos. As três vistas de Gardanne, uma horizontal e duas verticais, conservadas em diferentes museus dos Estados Unidos, são capturadas de uma estrada que dava para a colina onde surgia o velho vilarejo. O olhar de Cèzanne é atraído pela estrutura compacta e quadrada das habitações, dispostas uma ao lado da outra sobre a inclinação. O artista busca o "motivo" pictórico respeitando a conformação do vilarejo.


Os Jogadores de Cartas (1890 - 1892)

O tema dos jogadores de cartas surge cinco vezes nas obras que Cézanne realiza em Jas de Bouffan no decorrer dos anos 1890. Esta composição, complexa e articulada, se comparada às naturezas-mortas da época, exigiu do pintor numerosos estudos, desenhos e também pinturas a óleo, que se concentravam em uma só figura por vez. As duas primeiras versões apresentam cinco e quatro personagens, dispostos em um cômodo, alguns jogando e outros assistindo à partida. As três versões seguintes mostram duas figuras, uma de frente para a outra, com as cartas na mão. Mais uma vez, o artista despe o personagem de qualquer aspecto anedótico, transportando a atenção para a especificidade da matéria pictórica.

Curiosidade: Uma das cinco versões de Os Jogadores de Cartas é considerado o quadro mais caro da história, tendo sido vendido por mais de US$250 milhões em 2011. A pintura é datada de 1895-1896, pertencia a um magnata grego e foi adquirida pela família real do Catar, país que pretende virar uma referência mundial em arte.

Fonte: Revista Mundo Estranho, edição 128, Agosto 2012 (página 49)


Atualmente, grande parte das obras de Cézanne encontram-se espalhadas em museus dos Estados Unidos, França e Rússia.
Cézanne é outro dos pintores citados na série de TV White Collar e pela incrível habilidade com a qual retratou diversas paisagens e naturezas-mortas, além de transmitir grande parte de seus sentimentos demarcando cores em suas telas, foram os elementos que mais me chamaram a atenção. Por esse motivo escolhi apenas um (no caso, dois) quadro retratando pessoas que, na minha opinião, foi representado com traços mais definidos, ao contrário de outros exemplares que possuem um toque mais impressionista.


Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 15, Cézanne (orelha);
2. O Relógio Negro, pág. 56 a 59;
3. A Casa do Enforcado, Auvers-sur-Oise, pág. 76 a 81;
4. Gardanne, pág. 96 a 99;
5. Os Jogadores de Cartas, pág. 112 a 117;
6. Revista Mundo Estranho, editora Abril, edição 128 - Agosto 2012, página 49.


3 comentários:

Khrys Anjos disse...

Gostei da - A Casa do Enforcado, Auvers-sur-Oise (1873).

E parabéns para a Editora Abril por essa iniciativa. Os amantes da arte agradecem.

Um leve bater de asas para todos!!!!!!

jessica rochafonseca disse...

Os jogadores de cartas foi é que mais gostei.Tem sido muito interessante acompanhar esse post que você faz.Beijos!

Flavio Oliveira disse...

O genial Cezanne. O, digamos, quase percursor do cubismo. Ótimo artista...