quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Grandes Mestres: Manet

A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros. Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Édouard Manet (1832 - 1883)

"Édouard Manet talvez seja o maior artista do século XIX. Ele alcançou poder e profundidade expressivos por meio de um esforço incansável para captar o verdadeiro sentido da vida contemporânea, sem colocar os fatos do presente em aberto conflito com os ideais do passado. (...) Ele é respeitado e admirado, mas raramente amado. Há sempre algo de muito cru e realista em seu trabalho, algo que atinge a nossa vontade preguiçosa de ver a arte apenas como prazer estético. Manet constantemente nos desafia e nos mantém a uma distância segura."
Fred Licht


Almoço na Relva (1863)

Em uma floresta, sentada em um gramado, uma mulher completamente nua conversa com dois homens, enquanto outra, com roupas de baixo, está se banhando em um riacho próximo. Em primeiro plano, uma cesta de vime, colocada sobre roupas femininas espalhadas de maneira displicente pelo gramado, adiciona um toque de composição clássica. A tela foi realizada toda em estúdio, embora, de acordo com os relatos de Antonin Proust, a ideia tenha surgido enquanto Manet observava banhistas nas margens do Rio Sena, em Argenteuil.


A Batalha dos Navios Americanos Kearsarge e Alabama (1864)

A Batalha dos Navios Americanos foi a primeira incursão de Manet em um fato que ganhou grande destaque nos jornais da época e que mexeu com a opinião pública. O quadro registra um episódio da Guerra Civil Americana que se desenrolou na costa francesa em 19 de junho de 1864: a batalha entre uma embarcação dos confederados e outra da união.
A tela foi exposta na vitrine de uma galeria parisiense apenas um mês depois dos acontecimentos e ganhou elogios por sua veracidade e pela qualidade da pintura. A perspectiva aérea leva a supor que Manet tenha testemunhado pessoalmente a refrega da torre do sino da igreja de Cherbourg, onde se postaram na ocasião jornalistas e curiosos. No entanto, Manet não estava presente naquele dia. Ele irá ao local apenas muitos meses depois do incidente.


Na Ferrovia (1972 - 1873)

Uma mulher fixa o espectador. Ela está sentada em uma mureta, com um livro na mão e um filhote de cachorro dormindo em seu colo. À sua esquerda, uma menina de costas olha ao longe. Atrás delas, uma grade preta ocupa toda a altura da composição, revelando uma paisagem indefinida. Talvez seja uma plataforma de embarque, ideia sugerida por uma nuvem de fumaça e vapor d'água, expelidos provavelmente por um trem que não pode ser visto. Finalmente, um cacho de uvas colocado à direita no muro oferece uma indicação de tempo, fixado na representação de um dia de setembro.


O Bar no Folies-Bergère (1881 - 1882)

Quem simplesmente observa a tela não imagina todos os passos laboriosos, as meticulosas revisões e as reflexões contínuas que caracterizaram a gestação deste trabalho, considerado pelos críticos como o testamento mais completo do artista. Devido ao agravamento de sua doença, Manet é muitas vezes obrigado a interromper as sessões de pintura, utilizando a pausa para meditar sobre o que vai surgindo na tela.
A inglesa Suzon, que serviu de modelo, trabalhava como garçonete no Folies-Bergère. Seu olhar para o vazio parece direcionado a um cliente que está diante dela, mas dele é possível ver apenas o reflexo no espelho. Na extrema esquerda, outro personagem masculino, muito semelhante ao anterior, é o único a olhar na direção da garçonete. Para quem observa o quadro, o efeito é desestabilizador.


Atualmente, as obras de Manet encontram-se, principalmente, nos museus dos Estados Unidos e França. Apesar de, aparentemente, não ser muito icônico entre os críticos e possíveis apreciadores, podemos perceber que Manet possui a própria maneira de impressionar e, por que não dizer, chocar. Eu sabia muito pouco dele, frequentemente o confundia com Monet (o que uma letra diferente não faz?), mas percebi que são dois artistas completamente diferentes e que souberam chamar a minha atenção para seus trabalhos.


Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 16, Manet (orelha);
2. Almoço na Relva, pág. 58 a 61;
3. A Batalha dos Navios Americanos Kearsarge e Alabama, pág. 74 a 77;
4. Na Ferrovia, pág. 118 a 121;
5. O Bar no Folies-Bergère, pág. 140 a 143.


4 comentários:

Flavio Oliveira disse...

Discordo logo da primeira frase... kkk. Na verdade Manet ficou no meio do caminho, não se entregou ao impressionismo, mas foi fonte de inspiração e amigo do movimento. É um ótimo artista, mas não o chamaria de Mestre não... (crítico feroz)... rs

Khrys Anjos disse...

As pinturas são lindas mas a que mais atraiu minha atenção foi Na Ferrovia (1972 - 1873)




Um leve bater de asas par todos!!!!

jessica rochafonseca disse...

Achei belíssimo O Bar no Folies-Bergère.Muito,muito lindo!!

Fabianne disse...

Na Ferrovia me chamou bastante atenção!Gostei bastante.