segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Grandes Mestres: Modigliani

A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros. Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

Amedeo Modigliani (1884 - 1920)

"Uma vida breve e difícil, algumas obras-primas, a Paris boêmia do início do século XX. O mito e o fascínio de Amedeo Modigliani estão nessa imagem tardiamente romântica, no protótipo do dândi sem teto nem lei, do artista maldito. No entanto, a pintura de Modigliani - uma produção quase ininterrupta de rostos esguios, olhos oblíquos, pescoços finos e longuíssimos - esconde e revela sabedoria técnica, cultura profunda, adesão íntima e sentimental ao mundo e aos personagens que retrata."
F. Nicosia


O Violoncelista (1909)

Com O Violoncelista, Modigliani desejava se mostrar um artista adaptado à Paris febril, atento à crucial e inesquecível lição de Cézanne, que, poucos anos antes, em 1907, tornara-se conhecido do grande público graças a uma vasta retrospectiva póstuma. Modigliani elegeu como objetos das próprias experimentações outro aspecto de estudo do artista francês: a veia intimista, sutilmente pálida e introspectiva.


Paul Alexandre em Frente a uma Vidraça (1913)

A tela, pintada em 1913 e, cronologicamente, o último dos trabalhos que representam o amigo, médico e patrono, representa um momento de transição de uma concepção representativa naturalista, fiel ao real, a outra que, ao contrário, transcende a verossimilhança para se concentrar em estudos formais que não escondem o componente introspectivo do retratado. Na aparente despersonalização e na estilização fisionômica, residem as peculiaridades do novo caminho estético tomado por Modigliani.


Leopold Zborowski (1916)

O mercador e poeta Leopold Zborowski, que se empenhou em renovar a galeria de rostos retratados pelo artista ao procurar para ele novos modelos, às vezes profissionais, serviu como personagem para diversos quadros. As órbitas oculares são vazias e preenchidas alternadamente de marrom e celeste, enquanto a barba percorre de modo irregular o rosto. As porções esquerda e direita não são simétricas. Modigliani colocou em evidência o aspecto culto e nobre do amigo e patrocinador. Mas alguns detalhes, como os cabelos rebeldes, o vago sorriso de tom zombeteiro e a gravata pendente à esquerda, conferem ao personagem um caráter excêntrico, quase romântico, compatível com sua atividade original de poeta.


Mulher com Gravata Preta (1917)

A figura é capturada de frente, como que esmagada em uma superfície bidimensional. Tem lábios e bochechas vermelhas, olhos vazios, como órbitas de estátuas antigas, e uma espessa cabeleira, que cai sobre a testa, criando um arabesco em movimento. A blusa branca é obtida ao manchar a tela preparada anteriormente com a mesma cor do fundo. A gravata é traçada com uma única pincelada embebida em densa tinta preta.


Atualmente, as obras de Modigliani estão concentradas, principalmente, em museus dos Estados Unidos, França e Itália. Uma característica marcante e que pude nota em grande parte de seus retratos são as cavidades oculares opacas, dando um aspecto levemente sinistro se você olhar diversas vezes o livro.
Outra coisa que me deixou curiosa sobre Modigliani não foi sobre seu modo de trabalhar, mas sobre a própria história de vida. Lutando contra a tuberculose, acabou falecendo aos 35 anos de idade, deixando uma filha de um ano e a companheira Jeanne que, dois dias após a sua morte, acabou cometendo suicídio, mesmo estando grávida do segundo filho, e deixando a pequena Jeanne (a menina tinha o mesmo nome da mãe) aos cuidados da irmã de Modigliani.


Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 17, Modigliani (orelha);
2. O Violoncelista, pág. 46 a 49;
3. Paul Alexandre em Frente a uma Vidraça, pág. 62 a 65;
4. Leopold Zborowski, pág. 92 a 95;
5. Mulher com Gravata Preta, pág. 96 e 97.


7 comentários:

Flavio Oliveira disse...

Eu não diria que Modi é um grande mestre... mas o filme que conta parte da vida dele, com Andy Garcia no papel principal, é muito bom..
:D

Ana Paula Barreto disse...

Não conheço muito sobre arte e confesso que minha sensibilidade (neste sentido) não é nada boa!
obs: Ainda bem que a medicina evoluiu muito nos últimos anos. A expectativa de vida tem aumentado muito. Que bom!
bjs

Allana Odorizzi disse...

Puxa vida, que história de vida trágica O.O Mas enfim, gostei das obras, muito legal essa mistura de realidade e abstratismo dos personagens dele. Porém tenho que comentar: Deus, o que são esses olhos??? Que medo, as pessoas parecem zumbis kkkkkkkkkk

Thais Vianna disse...

Eu não gostei muito. Mas sou uma negação pra essas coisas...Confesso que a clássica paisagem com um barquinho acaba fazendo mais o meu estilo. Que tensa a história dele.


Thais Vianna@dathais

Rodrigo Caldas disse...

Ah você ainda está fazendo a coluna dos grandes mestres, achei que tivessse parado. Bem eu sou péssimo para avaliar arte, mas vamos lá, os quadros dele são bem singulares, ele pinta pessoas de maneira distorcida, o que é interessante. Que trágica a vida dele, porque será que os pintores são sempre tão azarados?
Abraços.



http://viciadoemlivrosefilmes.blogspot.com/

Fernanda Rodrigues Mendonça disse...

Nao conhecia ainda esse cara =O

Mas nao gostei muito nao. Sou leiga no assunto, confesso, mas só considero um cara realmente bom se a pintura dele quase parece uma fotografia, sabe? 'Desenho torto' quem nem o dele, ou manchas coloridas q nem arte moderna qualquer um faz HAUSHAISUHAIUSH


=*

Gabriela Brito disse...

Choquei com a história da vida dele, dígina de Shakespeare viajei na maionese). Esse F. Nicosia é um cara sensivel, como ele pode perceber tanta coisa apenas vendo algumas pinturas? Dá pra perceber que eu nunca entendi muito de arte, mas o quadro da mulher com gravata preta é até bonito!
É Only The Strong Survive nos ensinando um pouco mais de cultura!