sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Grandes Mestres: Bosch

A seção Grandes Mestres, que ocorrerá todos os dias 15 e 30, será um retrato dos mais famosos e inovadores artistas que foram selecionados pela editora Abril para compor uma coleção de 25 livros. Para os amantes das artes, um prato cheio; para os curiosos, a possibilidade de descoberta desses incríveis pintores e escultores que mudaram o seu tempo.

 Hieronymus Bosch (1453 - 1516)

"Seres demoníacos, homens com cabeça de pássaro, peixes que voam, plantas mutantes. O universo delirante de Hieronymus Bosch já suscitou inúmeras explicações. Seria resultado de uma mente profundamente religiosa ou, ao contrário, herética, o espelho de uma criatividade sem limites, ou até mesmo estimulada artificialmente. Ele, sem dúvida, é filho de seu tempo, o final da Idade Média, período de grandes mudanças, em que a igreja católica inspirava fervor e pavor nos homens. Os temas religiosos atravessam toda a produção do pintor flamengo, que deles oferece uma interpretação invulgar e genial."
(Grandes Mestres, Bosch, Abril Coleções; página 5)


Tríptico do Jardim das Delícias, O Jardim das Delícias (1480 - 1490)

A atribuição da autoria do quadro a Bosch é amplamente reconhecida. A dúvida persiste sobre a época em que teria sido pintada: seria uma obra da juventude ou da maturidade do artista? Pesquisas recentes localizam a execução na juventude em razão da natureza arcaica dos planos e da falta de realismo.


Tríptico do Jardim das Delícias, O Inferno Musical (1480 - 1490)

O sentido geral do compartimento direito interno do tríptico é claro: descreve o castigo dos pecados da carne e de outras faltas capitais, como se a apresentação fosse uma justaposição de vários infernos. A pintura ficou conhecida como Inferno Musical porque numerosos instrumentos musicais, presentes principalmente na parte inferior do painel, são usados por demônios como objetos de tortura física. Na arte de Bosch, os instrumentos musicais muitas vezes assumem conotações eróticas.


O Juízo Final (cerca de 1482)

O tríptico representa, ao centro, o Juízo Final e a punição dos condenados e, nos lados, o pecado original e o inferno. É provável que as fontes literárias consultadas pelo pintor para compor a porção central da obra tenham sido a Visão do Tondalo (poema irlandês anônimo de 1482, que conta a história de um cavaleiro arrependido da vida pecaminosa que é autorizado a visitar em espírito o submundo). Bosch extraiu os vales do inferno, a ponte de pregos, o preguiçoso que é calçado por demônios sobre a bigorna e os assassinos cozidos em uma panela.


Visão do Além, A Ascensão ao Empíreo (cerca de 1490)

Esta obra é um bom exemplo da criatividade e originalidade de Bosch ao retratar um tema que foi trabalhado por vários artistas. Especula-se que uma das fontes de inspiração do mestre flamengo tenha vindo do texto O Orçamento do Casamento Espiritual, do místico bela Jan van Ruysbroeck. O texto cita a luz como um ponto de contato com Deus, traduzido por Bosch como um cone composto de faixas concêntricas de luz, que se abre na direção dos beatos e dos anjos.


Os Sete Pecados Capitais (1500 - 1520)

Originalmente o tampo de uma mesa e, como tal, representa um exemplo único na história artística dos Países Baixos. O círculo central, forma geométrica apreciada por Bosch e que se repete em vários outros trabalhos, é a representação do olho de Cristo. A íris é ocupada por Ele, em pé, sobre o túmulo. A córnea é dividida em seções trapezoidais dispostas radialmente. Nelas estão distribuídos os pecados capitais. Os cantos trazem outras formas circulares com representações da morte, julgamento, céu e inferno. O significado moral da tela é claro: as representações ilustram o tema dos pecadores e a reflexão sobre o destino final dos seres humanos.


Atualmente, as poucas obras de Bosch encontram-se bem distribuídas em museus de todo o mundo, estando principalmente na Alemanha e nos Estados Unidos.
Acredito que, quanto mais antigo o pintor, mais fascinante é sua obra, afinal, se formos pensar nas tecnologias e oportunidades que existiam, o que eles faziam beirava o extraordinário. O fato de Bosch ter vivido uma parte da Idade Média reflete-se em suas obras, de alto teor católico. Mesmo com certa dúvida a respeito da autoria de algumas obras, Bosch, sem dúvidas, mereceu ser escolhido para essa coleção.


Bibliografia:

1. Abril Coleções, Grandes Mestres vol. 19, Bosch, pág. 5;
2. Tríptico do Jardim das Delícias, O Jardim das Delícias, pág. 46 a 51;
3. Tríptico do Jardim das Delícias, O Inferno Musical, pág. 54 a 57;
4. O Juízo Final, pág. 60 a 65;
5. Visão do Além, A Ascensão ao Empíreo, pág. 88 e 89;
6. Os Sete Pecados Capitais, pág. 110 a 113.


7 comentários:

Gabriel Sousa disse...

Como já tinha dito, não sou um amante da arte mas sei apreciar uma boa quando vejo, e com certeza essas são lindas *-*
Achei legal, tem bastante cor, e são divertidas :)

Fernanda Faria disse...

Eu ainda não conhecia Bosch! Eu não entendo muito de arte, mas eu aprecido *.* Gostei dos quadros, alguns bem coloridos, tão fofos.

Gabriela Brito disse...

Ainda não sei bem interpretar pinturas, mas com as aulas que você está dando, aos pouquinhos, eu aprendo algo novo. O que eu mais gostei nos quadros dele foram as cores, elas sempre deixam tudo mais bonito!

Fernanda Rodrigues Mendonça disse...

Acho o trabalho desse cara bem divertido.


São taaao coloridos *O*

Clara Beatriz disse...

Seres demoníacos, homens com cabeça de pássaro, peixes que voam, plantas mutantes? Que medo! Não entendo nada de arte, infelizmente

Rodrigo Moreira Dias disse...

Amei esse post sobre Bosch.
Adorei o trabalho e tudo o que você falou.
Me deixou animado para procurar um pouco mais sobre ele.

Sayonara Lima Augusto disse...

Idade Média é um um período bem legal, gostava de estudá-lo quando estava no ensino médio. Não entendo nada de arte, mas gostei desse Bosch, o tema que ele pintava, seres misticos, essa coisa delirante é bem interessante. Gostei do primeiro quadro é bem colorido e vibrante hahah, os outros são mais sombrios.