segunda-feira, 12 de novembro de 2012

#Resenha: Hereafter - Tara Hudson

Como prometido, a resenha do Desafio ABC de Outubro que ainda estava faltando:

Hereafter - Eternidade
Autora: Tara Hudson
Editora: iD
Número de páginas: 352
Sinopse: "Pairando sozinha e perdida, Amélia vive o eterno pesadelo de acordar nas águas escuras de um rio misterioso. Suas únicas certezas: ela está morta e não tem nenhuma lembrança do tempo em que era viva. Ao tentar salvar Joshua, um garoto que se afogava no mesmo rio de águas escuras que a vinha mantendo prisioneira há tanto tempo, Amélia passa ter sensações diferentes e a descobrir os segredos que rondavam sua morte. A conexão entre Amélia e Joshua ultrapassa as barreiras da vida e da morte. E eles precisam proteger essa felicidade a qualquer custo..."


Eu quase desisti de terminar esse livro. Quase. E, agora, fico feliz por ter insistido, mesmo irritada profundamente. O que me manteve presa a Hereafter não foram os personagens e sua história de amor impossível, mas a história em si. Na verdade, todo o mistério que circundava a vida e morte de Amélia.
Não esperem muito de Amélia e Joshua, o casal principal. São adolescentes bobos, irritantes e que possuem diálogos iniciais tão vagos que parecem conversas de elevador.
Mas deixemos os personagens de lado, vamos ao que realmente interessa: o enredo. Amélia está morta. Disso ela tem certeza há muito tempo. Mas o fato de, constantemente, ter pesadelos em que está se afogando em um rio para, depois acordar em um cemitério, já abrem as portas para o primeiro mistério: o que aconteceu com Amélia?
Preciso compartilhar minha irritação pelo fato de ela acordar várias vezes nesse cemitério e nem se dar ao trabalho de vasculhar entre as lápides, em busca de alguma resposta. Parece que ela está conformada demais com o seu estado ou, como descobrimos depois, esse estado tem o nome de "névoa da morte". Talvez o que gostaríamos de chamar de as cinco fases do luto. Amélia já sabe que não pode fazer nada quanto a sua condição, afinal, ninguém pode vê-la, ela não pode tocar em ninguém, não existem outros fantasmas. Então, o que resta a ela além dos pesadelos?
Quando Joshua surge, tudo muda, ela desperta desse conformismo e passa a questionar sua existência. Por que ela morreu? Como ela morreu? Quem era antes de morrer? Ah, finalmente as perguntas certas. Mas o seu deslumbramento por Joshua atrapalha um pouco seu desenvolvimento no início. Na verdade, o que vemos na relação deles é o que duas crianças fariam. As perguntas bobas, os comentários idiotas, era como redescobrir um mundo que, como adolescentes, eles já deveriam estar cansados de saber. E essa foi a parte que me irritou.
Tudo bem, é novo para Amélia que um humano consiga vê-la e, o mais importante, tocá-la e que essa interação desperta sensações que, no seu corpo espectral, ela pensou ter deixado há muito em sua vida humana. Eles se apaixonam rápido e esse sentimento logo vira o que eu chamaria de obsessão. As perguntas toscas, as reações exageradas, a necessidade de não se separarem. Por favor.
Até posso entender que Amélia tenha passado anos vagando sozinha, desamparada e que encontrar Joshua pode ter sido uma forma de ela estabelecer o novo ponto de partida para descobrir mais sobre si mesma. Foi o despertar de que ela precisava. E, realmente, mais tarde, percebemos isso.
Mas durante os 17 capítulos dos 29, mais epílogo, o que vemos é o andar em círculo desses dois que, no momento, possuem três empecilhos: primeiro - Amélia está morta; segundo - Joshua faz parte de uma família que possuem videntes e sua avó, Ruth, é uma delas assim como ele se tornou ao sofre o acidente, e ela está atrás de Amélia; terceiro - Eli. Uma palavra consegue descrever o que Eli representou para mim durante essa primeira parte do livro: instigador. Eu queria saber mais sobre ele, queria que ele aparecesse mais na história para dar aquele contrabalanço sombrio para o melaço causado por Amélia e Joshua. Embora meus pedidos tenham sido atendidos um pouco tardiamente, fiquei com a impressão de que a Tara Hudson que havia começado a história não era a mesma Tara Hudson a partir do capítulo 18. É como se ela tivesse levado um chacoalhão e, finalmente, engatado na história para desvendar os mistérios que desde o começo havia plantado na minha cabeça.
Essa segunda parte, sem dúvidas, salvou minha opinião sobre o livro. Foi dinâmica, completamente informativa, emocionante e de surpreender. Amélia finalmente tomou as rédeas da própria existência, desgrudou-se de Joshua e sua coragem para mandar no próprio nariz foi a maior surpresa que eu tive. Além disso, seu instinto de proteção não foi, em momento algum, algo ridículo e forçado, realmente podia-se notar que ela retirava daquela necessidade de proteger Joshua e sua família a força para erguer a cabeça e enfrentar tudo. Parabéns a essa personagem que, de última hora, despertou para arregaçar as mangas.
O final, para mim, foi extremamente reconfortante. Por mim, não haveria necessidade de uma continuação o que, claramente, não foi o que aconteceu. Só ainda não tenho certeza de será uma trilogia, mas, se for, os dois últimos títulos: Arise e Elegy poderão esperar um pouco mais até que eu coloque minhas mãos neles, mesmo depois que a editora iD resolva trazê-los para cá. O que posso concluir é que o livro começou capenga, mas evoluiu muito bem. O plot me manteve interessada nele e não me arrependo de ter continuado a ler até a última palavra. Posso não ser a maior fã dos personagens, que eu consideraria acessórios, mas a história, definitivamente os salvou de ser só mais um casal repentinamente perdidamente apaixonado. Digamos que tem-se um ponto aqui, algo pelo o que realmente lutar. Amélia está longe de ser apenas um fantasma que vaga entre o mundo dos vivos e dos mortos. Tem muito mais aí.
E uma última coisa: me incomodou o fato de encontrar vários erros de tradução e revisão no livro. Fiquei um pouco decepcionada já que eram coisas facilmente identificáveis e que poderiam ter sido evitadas. Acho que uma revisão mais atenta poderia eliminá-los.
Indico Hereafter, mas só se vocês prometerem sobreviver para surpreender-se com a segunda parte da história. ;)

Nota:


10 comentários:

Clara Beatriz disse...

Amei esse livro, foi paixão a primeira vista, ele é simplesmente lindo mas o que mais me interessou foi a história, adorei a história dele

Allana Odorizzi disse...

Venho eu toda feliz pra ler sua resenha, saltitante (~ou não), chego aqui e... Ãhh?! Como assim?? Nãããão, Hereafter não pode ser ruimmm :@ Estava super ansiosa pra lê-lo kkk... Mas bem, se você diz que o final vale a pena, fico um pouco mais confortada. Porém as minhas altas expectativas diminuíram um pouco, de fato :/ Acho que esse é o problema de criá-las né? xP Adorei a resenha!

Veezinha disse...

Calma Allana, sem stress. rsrs Não disse que o livro é ruim, só disse que os personagens não me agradaram muito no começo. Mas a história é boa, muito bem construída na verdade.
Mas o bom é que você vai pegá-lo com as expectativas já menores e isso ajuda porque pode ser que você acabe gostando mais do que esperava ou não se decepcione tanto, não é?
Eu espero que você não se decepcione e que ainda queira ler o livro. Os capítulos finais, como eu disse, são a melhor parte de todo o livro :D

xx

Gabriel Sousa disse...

Logo de cara eu me apaixonei pela história dele, mas quando comecei a ler a resenha me desanimei muito :(

Não gosto de livro onde os personagens se apaixonam do nada!

E mais uma vez a editora ID com erros de revisão, pelo preço alto dos livros da editora acho que esse inúmeros erros são uma falta de respeito com nós leitores :(

Gabriela Brito disse...

Lembro-me de já ter visto a capa antes, mas nunca tive oportunidade de descobrir do que se tratava o livro...

A estória é diferente e a capa é linda. Mas, sendo sincera, quando você começou a falar que o livro é do tive que se arrasta, meu estomago revirou. Tive e ainda tenho experiencias com livros assim, e o que eu ando evitando são coisas desse jeito. Foram tantas leituras que me desanimaram que eu tive que tomar decisões radicais, não vou mais tentar ler livros que parecem não valer a pena!

Se for levar em conta todos os pontos que você mencionou, esse parece mais um daqueles livros que seguem a mesma linhagem, ou seja, o que eu menos preciso.

Mas, levando em conta a sua nota e o final, não tomarei decisões tão definitivas. Primeiro vou pesquisar um pouquinho, ler resenhas e depois me decidir.

Parabéns por ter terminado o desafio desse mês, não foi fácil, né?

Aproposito, estava dando uma olhada na aba Desafio ABC e fiquei com uma curiosidade: todos aqueles castigos foram sugeridos pelos leitores? Alguns são tão complicados, não sei se conseguiria (re)ler livros que eu abandonei... Estou com pena de você, rs

Cassia Moura disse...

Gostei da capa...mais não entendi muito bem a resenha acho que para entender vou ter que ler o livro né....


xoxo

Fernanda Faria disse...

Eu amei a capa! Logo quando abri a postagem, bati os olhos nela. Achei a história bem diferente, nunca vi nenhum livro contando um enredo semelhante. Acho que eu gostaria de ler, vou procurar me informar mais sobre o livro. Agradeço a indicação. A resenha ficou ótima.
beijos

Sayonara Lima Augusto disse...

Concordo com vc, as vezes esses personagens adolescentes, sempre tentando viver um amor impossível, enjoa. Mas o enredo realmente parece ser bastante interessante. Adorei as dicas e a opinião sincera sobre os personagens.

Rodrigo Moreira Dias disse...

Eu não aguento mais ler livros sobre esse tipo de casal.
Em Ecos da Morte eu achei isso, a autora ficou muito no casal e o casal era muito ridiculo, eu fiquei enjoando do livro, até que cansei. Terminei porque não queria ter gastado dinheiro átoa KKK
Depois dessa resenha, eu desisti de comprar esse livro. Eu tinha achado a capa e o enredo maravilhosos. Mas agora percebi que não é o jeito que eu imaginava.

Fernanda Rodrigues Mendonça disse...

Bah, eu tinha vontade de ler esse livro, mas já mudei de ideia.

Concordo com o Rodrigo aqui embaixo: cansei desse tipo de casais. Na verdade, nunca gostei. Odeio mocinhas cheias de mimi, gosto mesmo é das personagens fortes, decididas, q sabem o que querem e como se defenderem.

Nao lerei esse livro..


=*