terça-feira, 20 de agosto de 2013

#Resenha: Minha Vizinha Alice - Judi Curtin

Minha vizinha Alice
Autora: Judi Curtin
Editora: Galera Record
Número de páginas: 192

"Megan e Alice são melhores amigas desde sempre. Moram na mesma rua, estudam na mesma classe e não gostam das mesmas garotas chatas e metidas do colégio. Mas, quando os pais de Alice resolvem se separar, tudo muda - sua mãe se muda para outra cidade e leva os dois filhos com ela. Agora, as duas meninas têm um plano arriscado para voltarem a se ver. Mas será que essa idéia vai funcionar?"


Às vezes eu descubro um livro por causa da continuação que, de alguma forma, me chama a atenção e, por isso, acabo sendo obrigada a procurar pelo primeiro volume. Com Minha vizinha Alice foi assim, eu vi primeiro o lançamento da continuação, Alice de novo, e depois fui procurar saber mais sobre essa história. Acabei comprando o exemplar durante a Bienal do Livro de SP e minha mãe leu primeiro. Disse que era bem legal, então quando estava à procura de uma leitura diferente, logo pensei nele.
A leitura é super rápida, os capítulos são curtos, a capa é linda, toda colorida e fofa, mas a história... Não vou dizer que é ruim, porque não é. Apenas a forma como ela foi contada que, na minha opinião, foi a principal causa do meu desgosto com o livro. Megan é a narradora, ela é uma garota de 12 anos que mora em Limerick, na Irlanda. Sua melhor amiga, Alice, está para se mudar com a mãe e o irmão mais novo para Dublin após a mãe decidir se separar do pai. Um tremendo choque para as duas garotas, que estão acostumadas a conviver juntas desde bem pequenas.

"Logo que Alice me contou que ia se mudar, pensei que fosse visitar o pai nos fins de semana. Poderíamos continuar sendo amigas. É isso que acontece nos livros. Ou nos filmes (...). Mas, ao que parece, na vida real as coisas são diferentes." 
(pág. 12)

Como se não bastasse, a mãe de Alice toma a decisão com a justificativa mais fútil de todas e esse já é o primeiro ponto que me irrita no livro: a mãe de Alice, Veronica (ai Deus, por que ela tinha que ter o meu nome?). O segundo ponto que não demora a me desagradar é a narrativa de Megan, absolutamente repetitiva. Já começamos sabendo que Alice vai se mudar, que elas vão ficar separadas, que ela vai começar aquele ano escolar pela primeira vez sem a melhor amiga ao seu lado. Mas será que ela precisa repetir isso toda hora?

"Seja como for, foi horrível quando Alice foi embora. Se fosse um filme, acho que eu teria gritado, abraçado ela e teríamos jurado ser amigas para sempre. Mas não fiz nada disso. Alice e eu não somos do tipo meloso" 
(pág. 14)

Bom, é aí que a Megan se trai. Ela passa o livro inteiro nos contando como a vida é difícil sem Alice ao seu lado, como é triste, como ela sente falta. Oh, meu Deus, vida cruel! Tudo isso me fez parar e refletir: será que eu era tão chata assim quando tinha 12 anos também? Tudo era tão intenso e dramático? E todo esse "nhenhenhe" da narrativa só me fazia revirar os olhos e considerar a Megan extremamente melosa, um grude chato e insistente.
Alice, por outro lado, é retratada como o lado durona, aventureira e maluca dessa amizade. Talvez porque seja ela que esteja enfrentando uma situação muito complicada e confusa, o divórcio dos pais. No caso dela, essa relação está conturbada, os pais estão visivelmente transtornados com os acontecimentos e, por estar distante da melhor amiga, em uma cidade totalmente nova, Alice sofre com o distanciamento, as dúvidas e os medos que qualquer criança (será que ela ainda se encaixa nessa classificação?) poderia ter.

"- (...) É horrível, sabe? Meus pais são os adultos, mas passo o tempo todo cuidando deles como se fossem crianças. Tenho de estar sempre tomando cuidado. Se estou feliz, parece que não estou ligando para a separação deles. E se estou triste, eles ficam se sentindo culpados por minha causa." 
(págs. 73 e 74)

Agora, outra coisa que me irritou quase tanto quanto a narrativa enjoativa de Megan foi sua mãe. Uma daquelas naturebas obcecadas, defensoras do planeta e da sustentabilidade que beira o ridículo. E eram nesses momentos que eu pensava "Coitada da Megan, com uma mãe dessas...". A mulher não só é adepta a um consumo sustentável, o que descarta compras de materiais escolares novos, roupas novas e qualquer outro objeto cujo uso seja dispensável, como também é contra absolutamente qualquer tipo de alimento industrializado e preocupa-se excessivamente em preservar as áreas verdes da cidade. Mico total.
Sua atuação é tão obsessiva que ela faz Megan ajudar em todas as tarefas domésticas, não a deixa usar o computador (acreditam que ela só vai aprender a enviar um e-mail quando Alice vai embora? Com doze anos!) e é completamente sem noção do ridículo. As mães dessas meninas só me fizeram agradecer ainda mais a mãe que eu tenho.

"Adoro a minha mãe, mas ela é um dinossauro. Chego até a sentir vergonha. Tenho certeza que moro na casa mais antiquada da Irlanda. Se um vulcão enorme, como aquele de Pompéia, entrasse em erupção no nosso quintal e soterrasse a casa com lava, com certeza os arqueólogos iam errar feio quando fossem calcular a idade das coisas que encontrassem, em milhões de anos..." 
(pág. 38)

Apesar de tudo isso, todos esses pontos que me desagradaram, gostei de algumas outras coisas. A agilidade na leitura foi um ponto positivo, seguir rapidamente pelas páginas me ajudou a não abandonar o livro. Eu também gostei da escolha da autora pelo cenário; não é todo dia que se vê uma história ambientada na Irlanda, nas cidades de Limerick e Dublin, mesmo que essas duas localidades não sejam exaustivamente descritas durante a narrativa para que possamos nos sentir lá. E tem ainda o enredo, que não demanda nenhum drama ou conflito absurdamente complicado; é uma história tranquila, sem muitos altos e baixos, perfeita para quando você não está querendo se estressar com uma leitura.
Mesmo assim, no entanto, o saldo final de Minha vizinha Alice não foi positivo. A forma como a história foi narrada e seus personagens foram decisivos para que eu não tivesse nenhum interesse em procurar pela continuação. Isso mesmo, aquela que, em primeiro lugar, havia me interessado e o que me trouxe para esse livro. Só compraria se ela estivesse em uma super promoção (como R$9,90) e, definitivamente, não seria uma prioridade.
Uma pena, porque tinha tudo para ser mais um daqueles livros infanto-juvenis fofos e descontraídos, uma leitura sem compromisso para passar o tempo. Mas se você quiser se arriscar, saiba que existe grande chance de você se irritar ou, então, de ficar feliz pela família que tem (ou não).

Nota:



5 comentários:

Sheila Lima Wing disse...

Olá!

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ELIZABETH MACHADO DE SALLES disse...

Realmente também não me agradou muito. Se por acaso eu não tiver opção melhor de leitura, eu leio esse livro. Mais só pra matar o tempo. Beijos.

Michelli Santos Prado disse...

Oi Vê!!
Não conhecia nenhum dos dois livros, tanto o primeiro como o segundo... Mas também gosto de variar a leitura, gosto de variar bastante os gêneros. E uma pena você não ter gostado tanto deste livro =(

Vanilda Procopio disse...

Confesso que sua resenha não me animou a ler o livro que parece ser daqueles só para passar um tempo mesmo, que não acrescenta muita coisa. Quem sabe uma leitura rápida para algum dia, mais para frente?

Adriana disse...

Acho que não conseguiria levar uma leitura até o final com uma protagonista chata igual Megan, mas vendo também por outro lado, ela só tinha 12 anos, ai vejo que deva ser por isso que ela é assim, essa idade as meninas dramatizam tudo demais, tenho uma filha de 13 anos e fui lendo a resenha e comparando com minha filha, e olha que não sou obcecada pelo meio ambiente igual a mãe da Megan não hein,rsrs! Esse livro eu passo, obrigada! :)