quinta-feira, 8 de agosto de 2013

#Resenha: Moedas para o Barqueiro 3 - Vários Autores

Moedas para o Barqueiro volume III - Contos Sobre a Morte
Autores: Áquila Nogueira, Bruna Caroline, Bruno Pinto, Carla Witch Princess, Carmelo Ribeiro, Cícero L. da Silva, Danilo Pelloso, Eber Miom, Edriane Roseno, Elaine Rocha, F. M. Santos, Fernando Raffani, Gabriella Lara Silva, Juliana Cimeno, Leandro Assumpção, Leonardo Tremere, Lívia Stevaux, LASlusarski, Marina Feijóo, O. A. Secatto, Patrícia Miranda, Paulo Romão, Rafaela Casemiro, Ricardo Biazotto e William Prado.
Organizadora: Cristiana Gimenes
Editora: Andross
Número de páginas: 128

"Segundo a mitologia grega, o mundo dos vivos é separado por um rio do mundo dos mortos, e Caronte, o barqueiro, atravessa a alma dos que desencarnam mediante o pagamento de duas moedas. Por causa dessa crença mitológica, até hoje, algumas culturas incentivam que uma moeda seja colocadas por seus entes amados em cada olho do falecido. Assim, não lhe faltaria o pagamento devido ao barqueiro e o desencarnado não ficaria preso entre duas terras. MOEDAS PARA O BARQUEIRO – VOLUME III traz novos contos sobre a única certeza da vida."


Outras resenhas:

Moedas para o Barqueiro é a segunda antologia da Andross que leio e, assim como da primeira vez, o livro foi presente de um dos autores, meu amigo Ricardo, do blog Over Shock. Foi uma surpresa bem animadora e logo quis conferir o que os 25 contos guardavam para mim. Na outra antologia, o tema também não era dos meus favoritos; pensar sobre o fim do mundo era quase como pensar na morte: levemente desconfortável e algo sobre o qual não me arriscaria a escrever. Por isso a aventura foi ainda maior. E a experiência foi exatamente como em outras antologias: alguns contos tornaram-se meus favoritos, outros reconheço que foram muito bem escritos e ainda tiveram alguns que não me ganharam. É o que eu esperava que acontecesse.
Como pude conferir em Dias Contados, houve aqui também várias formas de interpretação e desenvolvimento por parte dos autores a respeito da morte. Mas, se teve alguém que foi presença garantida em vários dos contos foi ele, o barqueiro, Caronte. O único problema foi entrar em um acordo sobre quantas moedas seriam destinadas a ele para que a travessia da alma recém-chegada pudesse ser feita; duas moedas, uma moeda...

"Na minha opinião, as almas habitam um só local, vivendo o próprio inferno ou paraíso somente nas suas mentes."
(pág. 42)

A leitura fluía rapidamente, tanto que às vezes eu mantinha o computador no colo para que pudesse registrar todos os 25 históricos no Skoob, algo que eu achei que fosse deixar o site em parafuso. Foi a minha maneira de dar atenção especial a cada conto e a merecida nota que, em antologias assim, muitas vezes ficam resumidas a apenas uma. E eu adoraria reproduzir aqui as 25 opiniões, inclusive, ressaltando com os nomes de cada conto, mas a resenha ficaria enorme, exatamente como ficou a página do livro na minha estante virtual.
Ainda assim, adoraria ressaltar alguns pontos que me chamaram a atenção sem, no entanto, dar nomes aos contos, deixando tudo mais justo. Se eu citasse um, citaria todos, é claro. Então, deixaremos para o conteúdo a tarefa de identificar os pontos positivos e negativos que encontrei durante essa leitura tão diferente e, até certo ponto, divertida.

"Não conseguia entender como alguém poderia tomar a decisão tão idiota quanto a de se tornar uma assombração."
(pág. 68)

Agilidade na leitura é uma das coisas de que mais gosto e nada melhor do que vários contos, muitos deles de pouco menos de cinco páginas, com apenas uns dois ou três mais longos. Variedade também é outro ponto positivo, ter a possibilidade de conferir vários estilos de escrita, diferentes pontos de vista sobre a morte e desenvolvimentos ainda mais surpreendentes, é outra maravilha de se ter nas mãos uma antologia. Eu pude até encontrar o barqueiro em várias ocasiões, mas nunca da mesma forma. Acompanhar como a morte era abordada por cada um dos autores, ora de forma reconfortante, ora como ela realmente era: dura, triste, fatal, foi extremamente importante para que o livro nunca fechasse seus contos de uma mesma forma, algo como um "e viveram mortos para sempre".
O único ponto negativo, para mim, foi a agilidade de alguns contos, senti falta de mais detalhes e um maior prolongamento em algumas histórias, não necessariamente nas que tornaram-se minhas favoritas, mas havia certos momentos em que eu terminava de ler e pensava "Ok, mas e agora?". Na verdade, posso dizer que esse ponto negativo é mais em relação aos contos, de uma forma geral, do que especificamente no caso dessa antologia.

"- Sim, morremos, mas o que importa não é o fim e sim o caminho que percorremos até encontrar a felicidade. A felicidade é o que importa no fim, as experiências que adquirimos no decorrer de nossas vidas e no final a satisfação que temos em saber que fizemos tudo que tínhamos para fazer."
(pág. 83)

Encontrei alguns errinhos de revisão, mas nada grave, o que importa é que foi uma leitura deliciosa e, mesmo tendo em certos momentos ficado com um nó na garganta, nada conseguiu me desanimar, mesmo que a morte nem sempre seja motivo de comemoração ou deleite. Ainda assim, consegui me sentir reconfortada por muitas histórias delicadas e cheias de esperança.
Sem dúvidas, gostei ainda mais do que Dias Contados e só posso agradecer ao Ricardo pela surpresa e pelo presente. Definitivamente é uma antologia que indico a todos e, com certeza, estarei conferindo os volumes anteriores. Vale à pena conferir o que cada autor tem a contar sobre a Morte.

"- (...) Só o tempo contado faz com que os grandes trabalhem com afinco para deixar sua marca. Com todo o tempo que tive me esqueci de sonhar. Tornei-me a cova da humanidade, testemunha e réu da morte do mundo simples, o caixão dos sentimentos e do sonhar."
(pág. 91)

Nota:


7 comentários:

Camila Márcia disse...

Rá eu também li esse livro Vê e posso dizer que também foi uma leitura bem agradável, justamente pela agilidade. Claro que quando se jutam contos de diversos escritores, cada um com sua particularidade na escrita, só poderia resultar em contos bem diferentes e, claro, alguns contos seriam melhores que outros, não no sentido de melhor, melhor, mas que agradariam a um publico variado.


bjs,
Camila Márcia
@camila_marcia
De Livro em Livro
Devaneios Fugazes

Nanie disse...

Vê, eu tenho o primeiro volume dessa antologia aqui em casa. Sou doida por contos, então amo essas antologias da Andross :)


Beijos,
Nanie

Ricardo Biazotto disse...

Como é bom ler uma resenha de um trabalho que você teve o prazer de participar... Ainda mais sendo de uma pessoa tão especial e atenciosa como você. Muito obrigado, Vê *-*
Realmente fico muito feliz que você tenha gostado da antologia que trata de um tema um tanto incomum, se é que podemos chamá-lo assim, mas ainda assim de forma tão variada. Sei a sua opinião particular sobre o meu conto, por isso posso dizer que também fiquei feliz por isso. Sua opinião e comentários são sempre importantes.



Beijos e muito obrigado.
Ricardo - www.overshockblog.com.br

Vanilda Procopio disse...

Faz muito tempo que não leio contos, mas pelo que você comentou, esse é um livro que vale muito a pena, apesar de ser vários contos, a leitura flui de modo rápido e acho isso muito importante. Não conhecia o livro e gostei muito da indicação.

Michelli Santos Prado disse...

Oi Vê!!
Não gosto muito de ler contos, mas você me animou bastante com essa resenha!!
Não conhecia esta obra, mas gostei de saber que são curtos...Espero poder ler em breve!!

ELIZABETH MACHADO DE SALLES disse...

Muito bom. Foi ótimo conhecer esse livro. Não conhecia ainda, mais adorei saber dessa história tão incrível. Vou experimentar ler todos os três livros .

Adriana disse...

Eu não conhecia esse livro e fiquei encantada com sua resenha, eu gosto muito de contos e quando eles num mesmo livro abordam um mesmo assunto, mas cada conto de uma maneira, com particularidades de cada autor, quero muito ler agora e parabéns por uma resenha tão dinâmica e empolgada! Adorei! :)