quinta-feira, 8 de agosto de 2013

#Resenha: O Menino da Mala - Lene Kaaberbøl e Agnete Friis

Nina Borg #01: O Menino da Mala
Autoras: Lene Kaaberbøl e Agnete Friis
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 256

"'Você adora salvar as pessoas, não é? Bem, aqui está a sua chance.' Mesmo sem entender o que sua amiga Karin quer dizer com isso, Nina atende seu pedido e vai até a estação ferroviária de Copenhague buscar uma mala no guarda-volumes. Dentro, encontra um menino de 3 anos nu e dopado, mas vivo. Chocada, Nina mal tem tempo de pensar no que fazer, pois um brutamontes furioso aparece atrás do garoto. Será que ela está diante de um caso de tráfico de crianças? Sem saber se deve confiar na polícia, ela foge com o menino e vai à procura de Karin, a única que pode esclarecer aquele absurdo. Quando descobre que a amiga foi brutalmente assassinada, Nina se dá conta de que sua vida está ameaçada e que o garoto também precisa ser salvo. Mas, para isso, é necessário descobrir quem ele é, de onde veio e por que está sendo caçado. Neste primeiro livro da série da enfermeira Nina Borg, vendido para 27 países, as autoras Lene Kaaberbøl e Agnete Friis apresentam uma heroína que luta contra seus demônios e busca fazer justiça em meio à crueldade e à indiferença do mundo."

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Este livro foi cortesia da editora Arqueiro.

Já fazia algum tempo que não me deparava com um livro cheio de nomes que eu não sabia ler. Mas, quando se mistura dinamarqueses, lituanos, poloneses, russos e romenos, o resultado não poderia ser diferente. Quando li a sinopse de O Menino da Mala, fiquei intrigada, o que poderia estar por trás desse garoto encontrado nu e dopado dentro de uma mala, mas ainda vivo? Muitas surpresas estariam me aguardando dentro de uma história que se desenrolaria entre Copenhague, na Dinamarca, e Vilna, na Lituânia.
Com uma narrativa ágil, já posso começar dizendo que as autoras me passaram a impressão de estar diante de um episódio de Law & Order: Special Victims Unit ao mesmo tempo em que se parecia com uma narrativa que Harlan Coben teria produzido. Logo percebi, no entanto, que a obra se diferenciaria em muitos aspectos, não necessariamente cativantes, mas que ainda assim seriam suficientes para construir uma história capciosa e bem diferente.

"Havia milhares de outros canalhas iguais. Não exatamente iguais, mas canalhas que rondavam suas presas feito tubarões à espera do momento certo para explorar o desespero e a vulnerabilidade das mulheres expatriadas e cravar os dentes nas carnes delas."
(pág. 23)

A narrativa em terceira pessoa e os capítulos breves nos guiam através dos principais personagens que estamparão essa história, apresentando-os sem uma ordem específica, mas garantindo que nem sempre suas histórias continuem no próximo capítulo, principalmente nos momentos de maior tensão. Conhecemos Jan e Anne, um casal de milionários; Jucas (esse nome tem um acento circunflexo invertido na letra "c", o que me deixava sempre em dúvida sobre como deveria ser sua correta pronúncia) e Barbara, outro casal, mas que claramente luta por um espaço para poder viver a vida que tanto sonham; Sigita e Mikas, mãe e filho que tem apenas um ao outro e Nina, a enfermeira que ajuda refugiados e que coloca o trabalho acima de tudo.
Todas essas pessoas terão seus destinos cruzados por causa de uma mala, uma mala que, a princípio, não parecia grande coisa, mas que, quando Nina se prontifica a buscá-la no lugar de uma amiga, será capaz de virar a vida de todos de cabeça para baixo. O que estaria fazendo aquele menino ali dentro? Tráfico de crianças? Comercialização para pedófilos? Nina não tem certeza, mas seu primeiro instinto é cuidar do garoto.

"- O acordo não era esse - falou, afinal, de um modo febril. - Não vou conseguir. Nem sei como fazer. Mas você sabe." 
(pág. 29)

E, indo contra todas as regras imagináveis, todas as ações que julgaríamos sensatas, ela se enterra até o pescoço com esse caso, deixando mais uma vez a família de lado para atender à sua necessidade de ajudar ao próximo. Na verdade, esse foi o aspecto que mais me irritou em Nina. Não estou falando sobre querer ajudar os outros, longe disso; mas deixar a família de lado, sumir sem dar notícias e aparecer mais tarde em algum país de 3º mundo para ajudar em alguma causa, deixando marido e filhos de escanteio, isso me irritou e muito.
Quer ajudar os outros? Ótimo, uma decisão que nem todos se sujeitam a tomar, mas também não é justo abandonar a própria família, que se preocupa e a ama para trás, sem qualquer consideração. Ou você cuida primeiro do que aceitou estabelecer, uma família, com filhos e responsabilidades, ou, então, não deveria nem ter começado e seguido direto para o sonho de ajudar nas causas humanitárias.
Mas, isso não vem ao caso, pois nesse primeiro livro do que parece ser uma nova série (viva os autores que não se contentam com volumes únicos!), Nina não passou nem perto de ser o personagem de maior destaque; muito pelo contrário, me deixei encantar muito mais por Sigita, que tinha muito mais presença, seu sofrimento era palpável, suas ações chamavam a atenção pela determinação.

"A Escuridão voltou a assolar Sigita, cavando novas passagens em seu corpo, navegando no interior das veias. Ela podia sentir o fluxo gelado sob a pele." 
(pág. 123)

A leitura fluiu rapidamente, capítulos curtos são meus preferidos, faz tudo parecer mais ágil, menos cansativo. Demorei apenas dois dias para ler, mas senti que faltou algo a mais. Eu diria que O Menino da Mala poderia ser um livro para iniciantes em Harlan Coben, pois a estrutura dele lembra muito a construção de uma trama que, aos poucos, tem seus pontos interligados para, enfim, compreendermos qual é o papel de cada personagem no cenário todo. Mas ela não chega a uma comparação equivalente, pois senti falta de mais tensão, já que em momento algum fiquei roendo as unhas pelas próximas páginas; talvez fosse porque estava progredindo rapidamente, mas ainda assim não continha nada "OMG!". Os personagens, em menor número, facilitaram a memorização e rápida associação às suas histórias, apesar dos nomes difíceis que apareciam, muitos dos quais eu não tenho ideia de como se pronunciavam.
A diagramação da Arqueiro ficou ótima, apesar de ter encontrado alguns errinhos na revisão. A capa é linda, impactante, e nada melhor do que uma leitura rápida, mesmo com suas mais de 250 páginas.
Ao que parece, Nina continuará em outros livros, mas não acredito que seguirei com a leitura da série, a menos que hajam personagens bem mais impactantes além dela, como aconteceu nesse primeiro volume. Como protagonista, ela não me cativou; houve momentos em que eu realmente queria que ela parasse com as decisões estúpidas e finalmente fizesse algo sensato, realmente esperado de uma pessoa normal. Mas, tal qual numa novela, filme de suspense, ou de terror, se não tivesse essas mesmas decisões, não haveria história.

"Volta e meia ela se pegava naquela mesma ladainha de sempre, achando-se a única pessoa no mundo que não se encaixava em parte alguma enquanto todas as demais chafurdavam na mais imperdoável felicidade, ou a única pessoa interessada em salvar o mundo e consertar o que havia de errado nele enquanto todas as demais compravam suas televisões de plasma, redecoravam suas cozinhas, faziam café em seus bistrôs, eram felizes." 
(pág. 132)

E, apesar de ter sentido falta de desfechos para todos os personagens (mesmo que alguns já estivessem óbvios ou, pelo menos, previsíveis), O Menino da Mala é um livro muito bem escrito e que não dispensaria a leitura de forma alguma. Uma boa história, com bons personagens e uma realidade que, muitas vezes, achamos não existir ou já ter sido resolvida.
Apesar de não ter me entendido muito bem com a enfermeira Nina, protagonista do primeiro livro de sua série, eu super indico O Menino da Mala; uma leitura rápida, intrigante e que te fará torcer pelo melhor dos desfechos.

Nota:


8 comentários:

Camila Márcia disse...

Olá Vê,


Ótima resenha, querida, não é a primeira que meio desse livro, mas compartilha da mesma opinião que a das outras, nota-se que o livro é bom e causa interesse pelo tema 'polêmico' e trágico e a atmosfera misteriosa, desejo lê-lo e espero poder gostar também... uma coisa que me agradou em sua resenha foi você ter falado que os capítulos eram breves e isso me deixou emocionada... gosto de capítulos pequenos... as vezes temos pressa e as vezes temos que ler e parar rapidamente e capítulos pequenos ajudam nisso...


Abraços,
Camila Márcia
@camila_marcia
De Livro em Livro
Devaneios Fugazes

Nanie disse...

Vê, estou com esse livro aqui em casa para ler!
1) Essa capa é uma coisa deslumbrante mesmo *-*
2) Como assim é uma série?! A desavisada aqui não sabia desse pequeno grande detalhe ><
3) Detesto protagonistas que não convencem >< Espero que os demais personagens e a narrativa compensem!


Beijos,
Nanie

Ricardo Biazotto disse...

Como você sabe eu gostei bastante desse livro, até mesmo da maneira como a Nina gosta de ajudar as pessoas. Algumas vezes as indecisões irritavam, até porque era simples achar uma alternativa melhor, mas esse tipo de personalidade mostra que, como qualquer pessoa, ela possui seus defeitos e suas qualidades. Gosto quando os autores fazem isso com seus personagens.
Ao que tudo indica os livros da personagem não seguem bem uma série, mas são apenas livros independentes, e pretendo continuar lendo. Gostei muito da literatura escandinava - que até então desconhecia. Só espero que a editora não demore a lançar :x


Beijos!
Ricardo - www.overshockblog.com.br

Michelli Santos Prado disse...

Fiquei bem curiosa desde o lançamento e a sinopse já é chocante!Realmente um tema para refletir do título,ao tema,passando por personagens e terminando na história.
Gosto de livros policiais pela trama de mistério e ao acompanhar o desenrolar do caso vamos fazendo nossas conclusões. E depois da sua resenha entrou para minha lista de desejados!

ELIZABETH MACHADO DE SALLES disse...

Essa história me surpreendeu muito. É eletrizante e cheia de ação Fiquei muito empolgada com a história e a perseguição. Tudo por causa de um menino na mala? Adorei.

Vanilda Procopio disse...

Gosto bastante dos temas policiais e de suspense mas acho que não estou preparada para ler o menino da mala. Não sei, sempre que envolve criança eu já fico com o coração na mão, então não sei se essa seria uma leitura para agora.

Adriana disse...

Realmente a atitude de Nina foi controversa, como assim, largar a familia pra ir cuidar, ajudar o próximo? Isso não existe, por mais que queremos fazer alguma coisa por alguém, como voce disse, precisamos primeiro cuidar do que nos comprometemos a fazer. Sou fã de livros policiais e de suspense, mas me irrito com personagens topeiras, aff, só espero que os outros livros da série sejam melhores né. Parabéns pela resenha! :)

Cris Aragão disse...

Eu tenho muita curiosidade de ler esse livro desde o lançamento mas a maior parte das resenhas que li sobre ele apontam para a falta de carisma da protagonista. Saber que ficam algumas pontas soltas também me desanima um pouco apesar de saber que o livro faz parte de uma série, será que em futuros livros essas histórias seriam retomadas?