sexta-feira, 20 de setembro de 2013

#Resenha: O Azarão - Markus Zusak

O Azarão (Irmãos Wolfe #01)
Autor: Markus Zusak
Editora: Bertrand Brasil
Número de páginas: 176

"Antes de tornar-se mundialmente conhecido, Markus Zusak escreveu uma trilogia de sucesso que somente agora está sendo publicada no Brasil. O primeiro título chama-se O Azarão. Fãs de A menina que roubava livros não podem deixar de ler os romances que inciaram a carreira estelar desse autor. Narrado em primeira pessoa, o livro apresenta a história de Cameron Wolfe, um garoto de 15 anos, perdido na vida e que vive às turras com a família. Trabalha com o pai encanador e sua mãe está sempre brigando com os filhos, na pequena casa onde todos moram juntos. Steve é o mais velho e mais bem-sucedido. Sarah é a segunda, e está sempre dando uns amassos com o namorado. Rube é o terceiro e o mais próximo de Cameron. Os dois, além de boxeadores amadores, vivem armando esquemas para roubar lojas e outros locais do tipo. Contudo, os planos nunca saem do papel. Uma história sobre a vida e sobre as lições que dela podem ser tiradas. Um romance de formação que exibe um jovem incorrigível, infeliz consigo mesmo e com sua vida. - 'Tento ser humano em minha escrita. Comecei a escrever porque era o caminho natural. Durante o ensino médio eu era muito introvertido. Sempre tinha histórias na cabeça. Então comecei a escrevê-las.' - Markus Zusak"

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O Azarão é o primeiro livro do autor Markus Zusak que leio, apesar de já ter ouvido falar muito bem de seus outros títulos, A menina que roubava livros e Eu sou o mensageiro. A trilogia Irmãos Wolfe estava na minha lista de desejados e confesso que demorou um pouco para que eu ligasse os pontos que O Azarão fazia parte dessa trilogia no Brasil. Não há uma ordem fixa para ler os três livros, mas preferi começar por ele porque, segundo o Goodreads, ele estava como primeiro.
Nele, somos apresentados a Cameron Wolfe, um adolescente que tem dois irmãos e uma irmã, pais trabalhadores e uma existência errante. Desde o começo dá para perceber que a narrativa reflete um jovem que não tem certeza de nada, com muitas dúvidas, porque as frases são curtas, às vezes repetitivas, como se ele quisesse convencer a si mesmo de que, o que está dizendo, é a realidade de sua vida.

"Meu nome é Cameron Wolfe.
Moro na cidade.
Frequento a escola.
Não sou popular com as garotas.
Tenho um pouco de juízo.
Não tenho muito juízo."

(pág. 8)

Cameron é bem próximo ao seu segundo irmão mais velho, Rube e, com ele, planeja pequenos atos de vandalismo que nunca são concretizados. Até mesmo quando são, eles logo se arrependem, com medo das consequências. Isso diz muita coisa sobre os garotos dessa família. Eu os chamaria de bananas, mas só acho que são pessoas direitas, apesar das aparências e do desejo de sempre querer fazer algo errado. Eles se preocupam no que seus atos acarretarão, se preocupam com o que seus pais pensarão deles e de tudo o que lhes foi ensinado por eles. No final das contas, são apenas adolescentes querendo encontrar seu lugar no mundo.

"Então, percebi que havia apenas um eu. Havia apenas um eu que podia se preocupar com o que estava acontecendo aqui, no interior das paredes da minha vida. Outras pessoas tinham os próprios mundos com os quais se preocupar e, no fim, tinham que cuidar delas mesmas, assim como nós." 
(pág. 75)

A leitura foi rápida, bem prática, mas alguns pontos não me agradaram. O primeiro deles foi a narrativa aos solavancos e, em alguns pontos, repetitiva. Como já disse anteriormente, poderia chamar Cameron Wolfe de banana, mas ele realmente mostra que quer ser uma pessoa melhor, ao mesmo tempo em que, porém, não parece exatamente determinado a dar uma guinada em sua vida. Parece um daqueles personagens monótonos e acomodados com a realidade tediosa que o aguarda.

"Vamos encarar os fatos, até falei para mim mesmo, você não merece uma namorada. Estava certo. Não merecia. E dava mostras, no melhor dos casos, de uma moral duvidosa. Era controlado com facilidade pelo meu irmão. Fazia coisas patéticas, que não tinham importância, e só eram feitas por um tipo de orgulho selvagem que era tão ridículo que mal dava para entender." 
(págs. 95 e 96)

E com essa incerteza, Cam acabou não me dando qualquer impressão durante o livro. É como se eu tivesse lido apenas uma parte de seu relato, não consegui sentir um começo, meio e fim. Foi tudo no mesmo tom, senti falta de um ápice, algo realmente importante e que mudasse significativamente a vida não só de Cam, mas de sua família também. Talvez isso tenha acontecido, mas foi ofuscado pelo tom da narrativa.
Por outro lado, as reflexões de Cam sobre si mesmo foram o ponto que mais me impressionou. Por trás de toda essa aparência de acomodado, esse jovem era capaz de percepções bem reflexivas e interessantes. Quase adultas. Não fosse a confusão e a insegurança, ele poderia ser um personagem brilhante. Mas é humano, como todos nós.
Outra coisa que gostei foram os sonhos que Cam descrevia ao final de cada capítulo. No começo não entendi muito bem o que eram, mas, aos poucos, fui me acostumando e percebendo que eram os momentos que mais diziam sobre o que se passava dentro da cabeça de Cam. Quais eram seus medos, suas expectativas, sua visão do mundo, além do que ele já contava nas outras páginas. E foi isso o que me conquistou.
Apesar de não ter achado o livro excepcional, foi uma boa leitura e acho que um bom começo para Markus Zusak. Espero que, a cada livro seu que eu pegar agora, seja ainda melhor. Indico O Azarão para quem está em busca de uma leitura rápida, sem compromisso e, claro, para quem for fã do autor e estiver procurando um pouco mais de seu trabalho.

"Querem que eu defenda um, pois sabem que estou lutando. Veem meus pequenos braços e a vontade em meus lábios, e não podem ouvir, mas sentem as palmas quando me preparo para cada cobrança. Ainda entoam.
Meu nome.
Meu nome.
(pág. 125)

Nota:


6 comentários:

Catharina Mattavelli disse...

Quero demais esse livro, só tenho A GAROTA QUE EU QUERO, Mas pretendo completar a série. Adoro o autor e sua resenha ficou ótima, amei as frases escolhidas.

http://realityofbooks.blogspot.com.br/

Jéssica Antunes disse...

Interessante esse livro, não gostei muito da capa.

Adriana disse...

É uma pena a historia não ter te agradado tanto, gostei tanto da narrativa do autor em A menina que roubava livros, que me decepcionei em saber que esse livro tem uma narrativa cansativa e repetitiva, mas mesmo assim, eu daria uma chance, pela grandeza do outro livro que li do autor!!!

Michelli Santos Prado disse...

Olá Vê!!Tudo bem??
Já li um livro do autor, e gostei bastante. Gostei da resenha do livro, uma historia leve sobre adolescentes. Mas ando fugindo de séries atualmente, pois tenho algumas para leitura e outras que necessito completar.
Bjuuss

Ketlen Patricio disse...

Ainda não li nada desse autor infelizmente, não sei se concordo com você ou não mas quando der lerei e tirarei minhas dúvidas.

Nara Brasil do Amaral disse...

Sinceramente, apesar de você ter recomendado, não consegui me interessar pelo livro, mesmo tendo uma leitura rápida. Acho que não faz muito meu estilo de leitura e parece ser um livro sem grandes emoções, como você mesmo disse parece não ter um ápice. Por enquanto não esta na minha lista de leitura, mas quem sabe mais tarde eu acabe me interessando em saber a história de Cameron...