quarta-feira, 2 de outubro de 2013

#Resenha: O Mago de Camelot - Marcelo Hipólito

O Mago de Camelot
Autor: Marcelo Hipólito
Editora: Novo Século
Número de páginas: 151

"De uma infância pobre e sofrida à irresistível ascensão aos salões dos grandes reis; de um começo sem esperanças ao despertar de um poder inigualável e temido, Merlin vem a se tornar o homem mais influente da Idade das Trevas. Confidente supremo do rei Artur e maior conselheiro da corte de Camelot. Misterioso e enigmático. Amado e odiado. Druida, monge e mago. Na Britânia do Século V da Era Cristã – abandonada pela queda do Império Romano à barbárie dos invasores saxões –, Merlin surge para impor um novo tipo de rei a um povo abatido e desesperado, alterando, para sempre, não apenas o destino dos britânicos, mas de toda a humanidade. A saga de um homem determinado a erigir uma civilização de paz e justiça numa terra devastada pelo caos e pela guerra irrompe em uma aventura épica e brutal que equilibra realismo duro com doses amargas de magia."

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Este livro foi cortesia do autor.

Mais um livro do autor Marcelo Hipólito que tenho a oportunidade de ler e confesso que o que encontrei foi uma atmosfera completamente diferente da conferida a Osíris.
Em O Mago de Camelot, temos uma narrativa ágil, objetiva e muito fácil de transcorrer, fazendo com que capítulos curtos tornem a leitura muito mais rápida. Ao contrário das descrições detalhadas de Osíris, neste livro, ambientado no século V, pequenas explicações acompanham as apresentações deixando tudo muito mais direto de se entender.
Ambientada em uma Britânia que luta constantemente contra a invasão dos Saxões, o livro acompanha não só Merlin, o garoto que viria a se tornar um dos mais influentes na corte de Rei Artur, mas também toda a luta dos britânicos, contadas a partir do avô do monarca que, brandindo inúmeras vezes sua espada Excalibur, não conseguiria chegar sequer perto de expulsar os saxões de sua terra.

"Sob o olhar desapiedado dos nobres, as tropas incendiavam o assentamento, executando os homens, escravizando as crianças e violentando as mulheres, numa retribuição tardia ao tratamento dispensado pelos saxões a inúmeras aldeias britânicas no verão anterior." 
(pág. 16)

Um ponto que me deixou levemente confusa logo no começo do livro foi a quantidade de nomes e as participações que esses personagens teriam na história dali adiante. Em alguns momentos, a explicação rápida sobre quem era quem logo que apareciam não era suficiente e eu me pegava levando algum tempo até novamente me situar na próxima vez em que determinado personagem era citado.
Por outro lado, o autor não deixou que qualquer participação fosse em vão. Quando pensava que alguém só apareceria uma única vez, não passando de mera citação, o personagem retornava para ter sua participação melhor fundada, contribuindo de alguma forma para o desfecho. Embora não conhecesse muito sobre Artur, Merlin e a Távola Redonda, o livro conseguiu me situar muito bem, demonstrando que, assim como em Osíris, o autor havia feito sua lição de casa, sabendo do que estava falando.

"Não saber ler era uma limitação desprezada por Merlin, pois lhe negava um mundo de conhecimentos acessíveis só aos monges e padres do deus pregado, mestres das escritas clássicas: o latim e o grego." 
(pág. 64)

No entanto, o que realmente me chocou foram as voltas que o enredo dava. O ambiente da Idade Média parece girar em torno de morte, guerras, traição, ganância, estupros, miséria, usurpção, luxúria e poder. Eu não ficaria surpresa se me dissessem que nessa época viveram os primeiros homens das cavernas do Mundo Moderno porque o jeito como eles agiam só poderia ser comparado ao de criaturas irracionais. Eram cegados pelo poder e pela conquista, sangue era quase como água: necessário para a sobrevivência. Movidos pelos instintos mais bestiais, não encontrei o menor resquício de romantismo ou a perspectiva de um final feliz.
O mais interessante, apesar dessas circunstâncias sombrias, é que acompanhamos a evolução de Merlin desde bem pequeno, com sua infância difícil, sua iniciação como aprendiz de druida e a profecia que lhe é encarregada muito tempo antes mesmo de Artur sequer chegar ao mundo. E, apesar de Artur gerar sentimentos conflitantes nas pessoas ao seu redor, percebemos que é uma pessoa que tem bondade no coração, destinado a grandes feitos.
Saber das origens de Merlin e Artur foi uma grande e satisfatória surpresa. Sempre quis saber de onde essas lendas haviam vindo.

"- Eu o preparei para que imponha um reino de honra e valor, onde os justos protejam os indefesos da opressão dos tiranos e da ladainha dos religiosos. Você é o arauto de uma nova era, de paz e progresso. Essa é a sua missão, Pendragon." 
(pág. 97)

O Mago de Camelot foi uma leitura rápida, interessante e, apesar de ter me causado certo desconforto (acho que finais felizes fazem mais o meu estilo rs) não posso deixar de ressaltar que é um livro muito bem escrito com uma história que tem sido arduamente explorada ao longo dos anos.
Marcelo Hipólito novamente não decepciona em seu novo livro, mostrando que sabe do que está falando. Fiquei muito satisfeita com a objetividade da história e da agilidade com a qual transcorri as páginas. Sou fã de capítulos breves e histórias dinâmicas e, sem dúvida, O Mago de Camelot cumpriu bem essas duas exigências. Só lamentei o final que encontrei, levemente desanimador, mas acredito que a história só estava cumprindo seu ciclo para preparar as lendas que Merlin e Artur, principalmente, viriam a se tornar.
Indico a leitura a todos que gostam de uma história diferente, com a Idade Média de cenário e que, como eu, também querem saber mais sobre Rei Artur e seu mago conselheiro.
A capa ficou muito bonita e a revisão da Novo Século ficou ótima! Não encontrei quase nenhum erro e a diagramação está absolutamente prática! Recomendo, com certeza.

Nota:



10 comentários:

Julymg2 disse...

Primeiro preciso te parabenizar pela resenha porque está extremamente bem escrita.
Eu nunca li nada a respeito de Merlin e sua história, mas morro de vontade de ler, e saber que este é um livro objetivo me faz muito feliz.
Livros descritivos exageradamente, me cansam um pouco, apesar de estimular a minha capacidade de imaginação.
Durante todo a sua resenha, tenho que confessar, não parava de pensar: "Jesus! Cabe tanta história em tão poucas páginas?" kkkkkk
Mas pela sua resenha cabe sim e estou morrendo de vontade de ler!
Um beijo ;*

Juliana . Oliveira
http://trocandoconceitos.blogspot.com.br/
https://www.facebook.com/sosdeamiga
@Julymg2

Jônatas Amaral disse...

Conheço pouco sobre a história do Rei Arthur, e tenho poucas leituras no meu curriculum de livros sobre idade média, porém é algo que me fascina na História (materia escolar kkk) e em filmes, sempre fico ligado em livros que possam dar-me novos olhares sobre ela. Acho uma época muito incrível de ser analisada e explorada.

Gostei muito do enredo, também ou fã de capítulos curtos e bem feitos. Fique curioso com o comentário sobre gostar mais de finais felizes, pois me deu uma certa vontade maior de ler para ver se tenho um final um tanto trágico, o que me pode animar um pouquinho mais kkkkk

Parabéns Pela Resenha.

Jônatas Amaral
http://alma-critica.blogspot.com/

Renata Cardoso disse...

Estou LOUCA para ler esse livro. Me interessei por ele desde a primeira vez que vi, e toda vez que sai uma resenha positiva eu sinto mais e mais vontade de lê-lo. Pena que agora eu sei que vai ter um final triste, mas fazer o que.


Beijos, Rê

Jéssica Antunes disse...

Nossa realmente a capa esta linda e parece ser bem incrível a estória. Fiquei curiosa

Michelli Santos Prado disse...

Olá Vê!! Tudo bem??

Primeiro quero te parabenizar pela resenha, ela está demais. Não conhecia o livro, e quando li a sinopse e depois sua resenha fiquei super animada por a historia se passar no século V, nunca li nada sobre a história do Rei Arthur, mas fiquei animada para conhecer.

Mil beijos!!

Nara Brasil do Amaral disse...

Eu já tinha lido a sinopse do livro antes e já tinha me interessado... Sei muito pouco sobre o Rei Artur e o seu mago e pelo jeito esse livro serve para eu conhecer a fundo a história desses dois. Confesso que a série 'As crônicas de Artur' de Bernard Cornwell já estava na minha lista de leitura antes, mas vou ler 'O Mago de Camelot' primeiro, pois você disse que era uma leitura rápida e dinâmica... Só fiquei triste porque não irá ter finais felizes...
Espero fazer a leitura em breve :) !!

grinduniverse disse...

Sinceramente eu não achei nada demais, para ser sincero achei uma porcaria.

Perto de obras como as Brumas de Avalon, esse livro é insignificante.
Sorte que peguei emprestado de um amigo e não joguei meu dinheiro fora.

Mallu Marinho disse...

Já li as Brumas de Avalon e só depois de terminar a série que descobri que livros passados na Idade Média, com tema medieval, etc não fazem meu tipo. Adoro livros com capítulos curtos, gosto de ser surpreendida com finais nem sempre felizes, mas acho que esse não foi feito para mim. :/

Ketlen Patricio disse...

Parece ser um livro bastante interessante porém não é o meu gênero de livro preferido então acho que não compraria.

Franciele de Santana disse...

Gostaria de ler esse livro, adoro livros históricos, e adoraria conhecer Merlin, a gente sempre ver muitas histórias sobre o Rei Arthur!