quarta-feira, 27 de novembro de 2013

#Resenha: Seis Coisas Impossíveis - Fiona Wood

Seis Coisas Impossíveis
Autora: Fiona Wood
Editora: Novo Conceito
Número de páginas: 272

"Dan Cereill levou um encontrão da vida: seu pai faliu, assumiu que é gay e separou-se de sua mãe, tudo de uma vez só. Enquanto isso, sua mãe recebeu de herança uma casa tombada pelo patrimônio histórico que cheira a xixi de cachorro, mas que não pode ser reformada... E, agora, Dan está vivendo em uma casa-relíquia que parece um chiqueiro, com uma mãe supertriste e sem conseguir falar com o pai — que ele ama muito. Suas únicas distrações são sua vizinha perfeita, Estelle, e uma lista de coisas impossíveis de fazer, como:
1. Beijar a garota.
2. Arrumar um emprego.
3. Dar uma animada na mãe.
4. Tentar não ser um nerd completo.
5. Falar com o pai quando ele liga.
6. Descobrir como ser bom e não sair abandonando os outros por aí...


Mas impossível mesmo será:


1. Não torcer para que Dan supere seus problemas.
2. Não rir muito com os devaneios dele.
3. Não querer ter um cachorrinho como Howard.
4. Não desejar que a mãe de Dan encontre a felicidade.
5. Parar de ler este livro.
6. Não querer abraçar o livro depois de tê-lo terminado..."

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Este livro foi cortesia da editora Novo Conceito.

Seis Coisas Impossíveis é uma deliciosa e divertida leitura que conta a história de Dan, um jovem de 15 anos que tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua família perde a fortuna, seu pai anuncia que é gay e ele e a mãe precisam ir morar em um casarão deixado de herança por uma tia que está caindo aos pedaços. Contado em primeira pessoa pelo garoto, é impossível não achar cômica a situação em que ele se encontra.
Sem muitos pertences sobrando, afinal, todo o resto foi levado para quitar as dívidas que seu pai fez até falir com a empresa da família, Dan se muda para um casarão histórico completamente desnorteado. A vida dele virou do avesso e ele praticamente terá de começar tudo de novo, só que apenas na companhia de sua mãe. Nova escola, nova casa, novos problemas, preocupações que, até então, deveriam passar longe de sua vida. Essa é sua nova realidade.

"O que deu errado? Quando? E como é que não percebi?" 
(pág. 7)

Mas Dan está determinado a aproveitar esse recomeço para estabelecer um novo Dan. Para isso, faz uma lista com as seis coisas que precisa mudar de imediato: beijar uma garota (mais especificamente sua vizinha, Estelle); arrumar um emprego; animar sua mãe; tentar não ser um nerd na nova escola; falar com seu pai quando ele ligar e descobrir como ser bom para não repetir o que seu pai fez a ele e sua mãe. Tão logo ele percebe que se trata de seis impossíveis de acontecer.
Primeiro, porque Estelle e ele sequer se conhecem; segundo, porque ele não sabe fazer qualquer coisa além de jogar video-game; terceiro, porque a mãe está mais estranha do que ele se lembra; quarto, porque é impossível não virar alvo numa nova escola e ele não leva o menor jeito para passar despercebido; quinto, porque ele ainda está extremamente chateado e irritado com o pai, perguntando-se por que ele os deixou e sexto, porque ele não sabe por onde começar.
Estando na miséria, a mãe de Dan resolve abrir um negócio de bolos...de casamento. Irônico, não é? Mas ela está determinada a fazer dar certo, ainda mais porque eles precisam urgentemente de dinheiro para pagar as contas e, principalmente, comer. Dan tenta dar uma força, mas ele está metido nos próprios problemas, como, por exemplo, conhecer a vizinha Estelle, por quem já nutre uma paixão platônica.

"Estou obcecado por Estelle. Está me matando saber o quanto a gente tem em comum, e como eu sou incapaz de falar sobre isso com ela pelo simples fato de não ter habilidade social nenhuma." 
(pág. 80)

A narrativa de Dan é muito fluida e engraçada, os capítulos são curtos e as confusões, inúmeras. Mas, apesar dos 15 anos do garoto, percebemos o quanto ele vai amadurecendo no transcorrer das páginas. Também, não havia como esperar algo diferente na situação em que ele se encontra. No começo é muito difícil, ele está em choque, ainda tentando aceitar o que está acontecendo ao seu redor, mas depois ele arregaça as mangas e decide mudar seu destino. No final das contas, essas seis coisas não podem ser tão impossíveis assim...ou podem?
Em muitos momentos fiquei completamente irritada, mas não com Dan. As pessoas ao seu redor pareciam sequer perceber por tudo o que ele estava passando, restando ao garoto confiar ao cão Howard (ele veio de brinde junto com a casa) suas angústias. O comportamento da mãe de Dan e, até mesmo, de Estelle chegavam a exigir de Dan o que o garoto ainda estava aprendendo a lidar. Ele parecia muito mais maduro em alguns momentos do que os próprios adultos ao seu redor, em especial, sua mãe. Isso só mostra o quanto ele é um personagem especial e que evolui na história.

"Na escola, eles me chamam de 'menino do bolo', o que não é melhor nem pior que idiota, ou cereal, mas eu me sinto mais exposto que antes. Eu apelei para a bondade das pessoas, e contei o que estava rolando em casa, e agora elas estão usando tudo isso para me atingir ainda mais." 
(pág. 100)

Seis Coisas Impossíveis foi uma leitura muito descontraída e fofa, acompanhamos Dan em sua recuperação e procura para se tornar uma pessoa melhor. É ótimo perceber que ele não é só um garoto mimado, que fica deitado na cama choramingando o quanto sua vida ficou péssima agora que está pobre e sem pai. Muito pelo contrário, Dan ergue a cabeça e sai em busca de uma reviravolta. Mas, se pensa que ele tirará tudo de letra, sem maiores acontecimentos, está completamente enganado. Muita confusão o espera e sua perspectiva, com muito bom humor, torna tudo ainda mais divertido. Será impossível não torcer para que Dan consiga conquistar todas as suas metas e, é claro, que ele finalmente consiga a garota.
A capa do livro tem alguns pequenos desenhos que se repetem por dentro, no início de cada capítulo, e eu achei um máximo esse trabalho gráfico da Novo Conceito. A revisão também está muito boa e a editora vem arrasando na diagramação dos livros. Altamente recomendado se você estiver atrás de uma leitura simples, leve e sem muitos dramas. É o perfeito passatempo, muito bem escrito e rapidinho de devorar.

"O castigo mais superficial para um curioso é descobrir algo que ele não quer saber. O verdadeiro castigo é ter de conviver com essa culpa." 
(pág. 139)


Nota:


Um comentário:

Natalia Araújo disse...

Acho que é uma leitura típica pra ser lida antes de dormir, né? Distrai a mente, o cansaço se vai e a gente se empolga.

Um livro que eu compraria amanhã, já que não tenho a oportunidade de receber da editora, rs.

Obrigada pela dica, Vê. Adorei tua resenha e os quotes.

http://desbravadoresdelivros.blogspot.com.br