quarta-feira, 27 de novembro de 2013

#Resenha: Xadrez - Fabiane Ribeiro (Book Tour - Blog Reino Xadrez)

Esta resenha faz parte de um Book Tour promovido pela própria autora, Fabiane Ribeiro. Agradeço pela oportunidade de participar. ;)


Xadrez
Autora: Fabiane Ribeiro
Editora: Multifoco
Número de páginas: 384

"Inglaterra, 1947. A Europa encontra-se devastada pela Segunda Guerra Mundial, assim como o coração de Anny. A garota de oito anos vê seu mundo desmoronar ao receber a notícia de que não poderá mais viver com os pais e terá que se mudar de casa levando pouco mais que seu tabuleiro de xadrez. Tudo parecia um pesadelo, até que surge Pepeu, um jovem misterioso que mudará para sempre a vida de Anny, levando-a a aprender sobre o mundo e a viver momentos emocionantes sem sair dos canteiros de seu pequeno jardim. Ao lado de anjos que são colocados em sua jornada, a doce menina aprende a enfrentar as dificuldades através de lições de abnegação, fé e amor verdadeiro."

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Como descrever um livro cujo conteúdo seja de uma magnificência assombrosa? Por onde começar a contar sobre a pureza, a bondade e a esperança que recheiam as páginas de Xadrez de forma tão maravilhosa?
Talvez seu conteúdo seja o principal motivo para eu ter demorado mais de um ano para finalizar a leitura. Pois é. O que encontrei em Xadrez foi algo completamente diferente, intenso e emocionante. A história de Anny poderia ser a de qualquer criança com pais que passavam mais tempo viajando do que propriamente em casa, mas o que a faz diferente de qualquer personagem que eu já tenha visto é a sua inocência e enorme bondade, que a acompanhará mesmo nas piores tempestades.
A autora cria uma personagem especial, que terá como sua principal missão espalhar o amor, o perdão, a esperança e ensinará a todos que não importa quão ruim sua vida pode parecer, haverá sempre espaço para a felicidade, mesmo que seja nas pequenas coisas.

"- (...) mas aprendi que não devo me queixar, devo apenas esperar pacientemente, porque eles vão voltar. Eu tenho descoberto que em meu peito cabe toda a fé do mundo. É como se não houvesse limites quando queremos acreditar em algo de todo o coração."
(pág. 136)

Quando Anny é deixada aos cuidados de sua antiga tutora, em uma casa humilde bem ao lado de sua enorme moradia, ela sabe que o que a moverá dali para frente será o enorme desejo de voltar a ver seus pais, que voltarão em breve, dali a um ano, para vê-la. O trabalho misterioso deles os faz viajar constantemente, mas a menina nunca se incomodou de verdade, aproveitando ao máximo todos os momentos que passavam juntos.
No entanto, a senhora Jane em nada se sente animada com a chegada de Anny e não demora muito a transformar a vida da pequena garota no que todos nós acharíamos um inferno. Mas não Anny. Essa pequena é movida por uma fé e paz de espírito tão grande que é impossível não sorrir enquanto viramos as páginas, ao mesmo tempo com o coração muito apertado pelo o que ela está passando, mas esperançosos, querendo aprender como é que uma menina tão jovem já pode encontrar o melhor, mesmo nos piores momentos.
Mesmo reclusa à pequena casa, sendo submetida a muitas limitações, tarefas e o medo (mais do leitor, é claro) das consequências, Anny não se deixa abater e aguarda ansiosamente pelo dia em que seus pais voltarão para vê-la. Tentando transmitir sua alegria de viver para Jane e seu marido, Hermes, ela começa pelo pequeno jardim nos fundos da casa, cuidando para que nasçam novas e belas flores.

"- (...) Na vida o que importa é a felicidade... E são as coisas mais simples que a trazem até nós. Como um pomar, um jardim ou uma criança..."
(pág. 236)

É em uma dessas tardes no jardim que Anny conhece Pepeu, um jovem artista que parece perdido e vai e vem misteriosamente. Logo eles se tornam muito próximos e o carinho entre eles só se faz crescer. Anny tem esse efeito, parece saber como levar a paz aos corações das pessoas sem que ao menos se dê conta. O que ela sempre deixa muito claro é sua fé no Papai do Céu e isso a fortalece de tal forma que muitas vezes os papéis se invertem: Anny dá conselhos e tem uma visão de mundo muita adulta para a idade, mas o que a diferencia de um adulto propriamente dito é sua inocência, digna de uma criança.
Grande prova disso são os sonhos que ela tem em um reino onde tudo é xadrez e ela é sua rainha. Os sonhos são uma poderosa válvula de escape e refletem tudo o que lhe acontece em sua vida pela forma como se encontra, às vezes em paz, quando sua rainha está em paz, e às vezes caótico, quando sua rainha está com problemas.
O xadrez é uma parte muito importante na história, pois é a conexão entre Anny e seu pai, que não só a ensinou a jogar, como também, antes de partir, lhe deu um jogo belíssimo feito de cristal. Além disso, é a estampa dos sonhos de Anny.

"A menina soube segurar o choro, porque sabia que o pai precisava dela e, mais que nunca, ela devia ser forte. Era hora de cumprir sua promessa e proteger o seu rei, como em uma partida de xadrez."
(pág. 287)

Xadrez foi uma leitura emocionante. Anny nos ensina tanta coisa que, em muitos momentos, ela me lembrou Pollyanna e seu jogo do contente. Essa garota leva a cura para as pessoas ao seu redor, pessoas essas que tem seus próprios medos, suas tristezas, confusões. Ela é capaz de tocar a todos com seu jeito de ser e isso, para mim, foi magnífico. Nunca encontrei leitura mais encantadora, inocente e, ainda assim, cheia de lições e uma conclusão que foi, no mínimo, libertadora.
Por muitos capítulos me senti angustiada, temerosa e revoltada. Como é que uma criança como Anny poderia enxergar o arco-íris quando estava no meio de uma tempestade horrível? Mas ela consegue, ah, como consegue! Cada pessoa que se aproxima dela, é uma cura que começa. O mundo que a cerca é caótico, mas Anny torna-se o sol e traz cor para tudo ao seu redor. Essa menina é mais que especial, é uma personagem cativante e a história simplesmente incrível.
Se dermos as mãos à Anny durante a leitura, tenho certeza de que somos capazes de nos sentirmos em paz também, assim como as pessoas com quem ela se relaciona: a senhora Jane, o senhor Hermes, Pepeu, Nicole e até o próprio pai.
O título atual do livro é "Jogando Xadrez com os Anjos", mas você só pode entender o real significado dele na parte final, mesmo que suspeite um pouco antes. Foi uma história excepcionalmente bem escrita, com uma carga muito forte de esperança e doçura, que eu nunca tinha visto antes. Uma leitura muito especial que, com certeza, me tocou e me fez compreender que Anny é tudo o que cada um de nós deveria ser, ela soube preservar o que muitas pessoas perdem ao longo da vida e isso fez dela uma garota muito carismática e especial. Ensinou-me que nós devemos encontrar o lado positivo em tudo que nos acontece, por pior que seja, alimentar a esperança e sempre ajudar o outro a encontrar a paz. A bondade, aqui, foi a cura para muitas pessoas; o perdão, a redenção delas.

Mas ela sabia e podia sentir que eles estariam sempre juntos. Ele havia partido, mas a promessa de sentimento que fizera há muito tempo seria cumprida: ele vivia agora em seu coração. Ali ele era amado; ali era seu lar.
Ele estaria em cada sorriso de Anny, em cada brilho no olhar... Para sempre...
- Você - ela pronunciou, entre os canteiros do jardim. - Você, para mim, significa o mundo (...)."
(pág. 360)

Nota:



2 comentários:

Natalia Araújo disse...

A capa não me chamou muito a atenção não.

Achei muita poluição visual. Mas a história eu achei fantástica. Gosto de histórias que sempre tem algo a nos ensinar. Com certeza aprenderia muito com Anny. Afinal, quantos de nós reclamamos que está sol, que está frio. Ela poderia ter muitas coisas a dizer, preferiu olhar de outras formas.

É fantástico isso.

Ah, estou participando um book tour, você poderá participar também e concorrer a dois livros. O que acha? Entre no blog e conheça, caso tenha interesse.

Beijos

http://desbravadoresdelivros.blogspot.com.br

Jônatas Amaral disse...

"Como é que uma criança como Anny poderia enxergar o arco-íris quando estava no meio de uma tempestade horrível?"


Essa frase me chamou muita atenção, verdadeiramente!
Ver algo tão lindo no meio de tanta maldade, é ver uma esperança num túnel sem saída nem para cima, nem para baixo.
Adorei o livro, quero muito ler. Sentir todas essas emoções e muito mais.
Somente dois livros me fizeram sentir isso: a Biblia e A Menina que Roubava livros.
Que livro incrivel!
Parabéns pela resenha, maravilhosa!


Jônatas Amaral
Blog Alma Critica