quinta-feira, 27 de março de 2014

#Resenha: Desejo à Meia-Noite - Lisa Kleypas

Desejo à Meia-Noite (Os Hathaways #01)
Autora: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 272

"Após sofrer uma decepção amorosa, Amelia Hathaway perdeu as esperanças de se casar. Desde a morte dos pais, ela se dedica exclusivamente a cuidar dos quatro irmãos – uma tarefa nada fácil, sobretudo porque Leo, o mais velho, anda desperdiçando dinheiro com mulheres, jogos e bebida. Certa noite, quando sai em busca de Leo pelos redutos boêmios de Londres, Amelia conhece Cam Rohan. Meio cigano, meio irlandês, Rohan é um homem difícil de se definir e, embora tenha ficado muito rico, nunca se acostumou com a vida na sociedade londrina. Apesar de não conseguirem esconder a imediata atração que sentem, Rohan e Amelia ficam aliviados com a perspectiva de nunca mais se encontrarem. Mas parece que o destino já traçou outros planos.
Quando se muda com a família para a propriedade recém-herdada em Hampshire, Amelia acredita que esse pode ser o início de uma vida melhor para os Hathaways. Mas não faz ideia de quantas dificuldades estão a sua espera. E a maior delas é o reencontro com o sedutor Rohan, que parece determinado a ajudá-la a resolver seus problemas. Agora a independente Amelia se verá dividida entre o orgulho e seus sentimentos.
Será que Rohan, um cigano que preza sua liberdade acima de tudo, estará disposto a abrir mão de suas raízes e se curvar à maior instituição de todos os tempos: o casamento?"

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Este livro foi cortesia da editora Arqueiro.

Lisa Kleypas já começa sua narrativa com uma proposta completamente diferente; ela não só se utiliza de uma linguagem um pouco mais rebuscada, como também insere os ciganos, que permearão o enredo desse primeiro livro e trarão mistério e sensualidade para enriquecer o que poderia ter sido apenas mais uma narrativa apaixonante.
Após a morte dos pais, Amelia sente-se responsável pelos quatro irmãos: Leo, Win, Poppy e Beatrix. A família Hathaway, dispondo de poucos recursos, acaba mudando-se para uma propriedade há muito esquecida e negligenciada, sendo forçada a viver na simplicidade. Seu irmão mais velho, Leo, está fora de controle; depois de ter assumido o título de nobreza, ele tem gastado o dinheiro da família em jogos, bebidas e mulheres. Amelia preocupa-se que essa irresponsabilidade dele poderá levar a todos para a ruína e impedirá que suas irmãs tenham um futuro.
Contando com a ajuda de Merripen, um cigano que os Hathaways acolheram há muitos anos, eles começam a colocar a vida em ordem nessa nova casa, mas, o que Amelia não esperava era encontrar Cam Rohan, um rom, gerente de um bar em Londres, que a havia ajudado a encontrar seu irmão, por aquelas bandas. A atração entre eles é inegável e seus traços são fortes e diferentes.

"Ele não gostava de Londres. Em sua visão, o funcionamento da chamada sociedade civilizada era infinitamente mais bárbaro do que qualquer coisa encontrada na natureza." 
(pág. 8)

Estamos no século XIX e a perseguição aos ciganos é praticamente um esporte para os nobres. Mas há algo em Cam que parece oferecer a Amelia a segurança de que ela precisa quando está tão perdida querendo desesperadamente manter sua família unida. Leo perdeu todo o interesse na própria vida, Win está enfraquecida por sequelas de uma doença, Poppy e Beatrix ainda são novas e tem muito a viver. No meio disso tudo está Amelia, preocupada em dar um bom futuro à sua família, mesmo que, para isso, tenha que abrir mão do seu próprio.
E quando Cam chega, seu mundo parece sacudir. Apesar de determinada e preocupada, ela logo percebe que não consegue tomar conta de tudo. Seu sangue rom é sensual e desconcertante, ele aparece sempre nos momentos em que ela mais precisa. Numa família desafortunada como os Hathaways, alguém como Cam e a sua praga de boa sorte é tudo de que eles precisavam. Mesmo sendo um estranho e, pior, um cigano, ele logo ganha a simpatia dos outros irmãos... menos, é claro, de Merripen, que sempre reage com agressividade quanto à aproximação de Rohen e Amelia.
Apesar de todo o preconceito, Amelia enxerga no misterioso rom um porto seguro, alguém em quem pode confiar diante de todo o caos que a cerca e encontrar ao menos um pouco de felicidade. Saindo das regras e testando a tolerância da sociedade, ela se arriscará para viver uma paixão que somente se fará crescer e será capaz de curar o seu coração partido.

"Havia emoções demais, tristeza demais. E era impossível esperar ansiosamente o futuro quando se era lembrado o tempo todo de perdas tão dolorosas." 
(pág. 32)

Embora seja uma leitura lenta, Desejo à Meia-Noite expõe o fascinante mundo dos ciganos entrelaçado à trama com maestria. Temos uma família praticamente pobre, dois ciganos, um deles rico e respeitado na medida do possível e preocupações sem fim. Para mim, o maior diferencial foi a inserção desse povo místico na história, inclusive fazendo uso de várias palavras no idioma cigano. A forma como Cam chama Amelia de monisha e Beija-Flor é simplesmente apaixonante! Ele é intenso, ousado, um verdadeiro amante exótico.
O livro todo possui um toque cigano, inclusive algo levemente sobrenatural que, para mim, caiu muito bem e ficou ainda mais interessante. Essa crença, os costumes, o que acham certo ou errado, contrasta de forma gritante a que a sociedade inglesa está acostumada. Mesmo assim, podemos encontrar pessoas generosas e acolhedoras, apesar das grandes posses. Isso, sem dúvida, é um ponto muito animador!
Achei lindo a forma como Cam, de certa maneira, entrou na vida de Amelia, mas, ao mesmo tempo, conseguiu influenciar na cura de todos os Hathaway. Ele foi o pilar de sustentação de que a mais velha das filhas precisava para compreender que não podia sentir-se responsável por tudo o que seus irmãos faziam, como se sentiam e como deveriam viver. Cam acabou por tirar um enorme peso de culpa dos ombros de Amelia e ofereceu a ela amor e admiração por ser a jovem determinada que se mostrou durante todo o livro.

"- Pare de fugir de mim e escute. Eu quero você. Quero mesmo sabendo que, se casar com você, terei arranjado uma família completa que inclui um cunhado com tendências suicidas e um criado cigano com o temperamento de um urso irritado." 
(pág. 169)

Mais uma capa ma-ra-vi-lho-sa com esse vestido azul lindo! A narrativa, apesar de densa e com palavras um pouco formais demais, construiu uma bela e intrincada história, com o toque místico dos ciganos, seu comportamento e suas crenças. Foi um diferencial que chamou a minha atenção e me deixou muito interessada por essa cultura que por tanto tempo foi motivo de preconceitos e até perseguições.
Por ser algo diferente, vale muito à pena conferir a primeira história da família Hathaway; apesar de não ter ido muito com a cara de alguns dos irmãos, fiquei curiosa a respeito de algumas questões que foram deixadas em aberto e espero vê-las resolvidas no próximo livro. Acredito que toda essa sensualidade de Cam transformou o mundo de Amelia e a forma como ela via a si mesma e aos próprios irmãos. Adorei como ele foi capaz de começar a cura dos irmãos com pequenos atos, mas, principalmente, por estar cuidando da mais preocupada de todos. Isso, de certa forma, aliviou as tensões e começou a encaixar o que antes parecia virado do avesso e sem sentido.
Porém, uma coisa que me deixou desanimada em um pouco irritada no livro foi a demora para Cam e Amelia cederem ao desejo para, depois, o fazerem em sequência; deu a impressão que todas as cenas a partir dali tinham o mesmo conteúdo e, por se darem com tanta frequência, acabou ficando repetitivo e desnecessário, na minha opinião. Também achei estranho a autora dar tanta atenção a Leo e Win; imaginei que esse livro seria apenas a respeito de Amelia, entretanto temos alguns desdobramentos a respeito desses dois irmãos.
Agora, só posso torcer para que os Hathaways melhorem cada vez mais durante os livros e possam se recuperar para voltarem a ser a família que um dia haviam sido. Leitura mais do que indicada, principalmente para aqueles que querem sair do convencional, onde nobres trocam juras de amor. O que temos em Desejo à Meia-Noite é algo mais... selvagem e inconvencional.

"Pegou uma das mãos de Amelia e pousou-a em seu próprio coração, até que ela conseguisse perceber o ritmo forte, constante. Em um mundo que se desintegrava à sua volta, ele era sólido e real." 
(pág. 206)

Nota:


11 comentários:

nathalia silva disse...

Quando estamos num momento da nossa vida em que é problemas sobre problemas, e que queremos resolver todos os problemas sozinha, faz com que nossa mente se canse. E que as vezes é necessário algo novo em nossa vida para que possamos deixar um pouco essas coisas de lado e vivermos a vida.

Pelo que vejo, Amelia, passou por isso, ela queria resolver tudo sozinha e quando o Cam surgiu em sua vida, ela pode ver que a vida não é bem assim.
Enfim, acho que essa é uma história de época que realmente vale a pena ser lida, tem certeza de que pra quem quem gosta, é um prato cheio.

#ciganos, #LisaKleypas #CameAmelia é sucesso!!!!!

Maria Silvana ♪♫♪♫♫♪ disse...

Oiee =)
Menina, depois dessa resenha preciso desse livro imediatamente! Uma que amo livros épico e segundo porque quero entrar nessa aventura, além de explorar mundos diferente, gostei muito mas você me convenceu com o "selvagem e inconvencional " kkkkkkkk

Roseneia Santos disse...

Amei a resenha ,parabéns pelo que eu pude ver ele é um pouco histórico e instigante ,só sei que eu quero muito ler !
Beijinsss!

Veezinha disse...

Fico muito feliz que tenha feito com que você desejasse a leitura, Maria! Pode ler que é muito legal meeeesmo! Todos os romances de época da Arqueiro, na verdade, são lindíssimos e maravilhosos! Recomendo demais!


xx

Gisele Pereira disse...

Ameiiiii a resenha. Ainda mais por seu meu tipo de leitura favorito, pretendo lê-lo logo. Fiquei hiper curiosa aqui =P

Andreana Marques disse...

Acho que vou gostar muito do Cam, como você citou, sobre ter entrado na vida de Amelia e ao mesmo tempo tirar o enorme peso de culpa dos ombros de Amelia.
Espero que eu possa ler em breve, adoro o gênero e creio que esse romance irá me agradar, principalmente por ter aquela pitada de drama na história.

Andreana Marques disse...

Acho que vou gostar muito do Cam, sobre ter entrado na vida de Amelia e ao mesmo tempo tirar o enorme peso de culpa dos ombros dela.
Espero que eu possa ler em breve, adoro o gênero e creio que esse romance irá me agradar, principalmente por ter aquela pitada de drama na história.

Jaqueline Felix disse...

Finalmente um livro que trata sobre o povo cigano. É engraçado como ainda hoje eles se encontram marginalizados no cotidiano e na literatura em geral.
Eles possuem uma cultura rica de elementos e valores e uma certa dose de magia e malicia, que eu acho o máximo.

Milena Soares disse...

Essa série é ótima, curto muito romance de época, gosto muito desse livro principalmente por falar do fascinante mundo dos ciganos.

Aline Ramos Costa disse...

Aiiiii minha Lisa querida.. Li essa série depois que terminei Wallflowers (seérie mais que perfeita <3 ..e que a Arqueiro vá lançar tb..ebaaaaaaaa) , pois Cam aparece nela...Esse livro é maravilhoso, fiquei totalmente envolvida pelos personagens e a trama.. Romances de época tem um fator mágico e especial que me conquistam a cda livro... Recomendo toalmente esse livro... bjs e parabéns pela resenha.

JessicaLisboa disse...

Bem não li nada dessa serie, infelizmente. Porem a trama que foi criada é muito boa sem duvida, a capa realmente é linda, espeor poder ler essa serie em breve!