terça-feira, 25 de março de 2014

#Resenha: Um Perfeito Cavalheiro - Julia Quinn

Um Perfeito Cavalheiro (Os Bridgertons #03)
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 304

"Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse é um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, ela consegue entrar às escondidas no baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhce o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois, Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica."

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Este livro foi cortesia da editora Arqueiro.

Resenha anterior:

Apesar de ter pulado o volume dois da série, preciso ressaltar desde logo que os livros da série Os Bridgertons podem ser lidos de maneira desordenada, pois cada título tratará sobre um filho distinto, que não estará necessariamente conectado à história do filho anterior.
Um Perfeito Cavalheiro foi uma enorme, agradável e emocionante surpresa! Começou como uma verdadeira história de Cinderela, mas sem sapatinho de cristal ou príncipe encantando, muito menos uma fada madrinha. Mas, ainda contávamos com uma madrasta maldosa, uma meia-irmã cruel e outra tímida e o sonho de uma jovem de viver o amor de sua vida.
Para Sophie Beckett, ser a filha bastarda de um conde já é ruim suficiente por não ter o carinho e atenção do pai; pior ainda seria se ele se casasse e trouxesse para morar debaixo do mesmo teto que ela uma madrasta e suas duas filhas. Pior ainda, se ele viesse a morrer. Familiar? Não se deixe enganar, pois Sophie pode ter muitas semelhanças com Cinderela, mas esta é a vida real.
Seu maior sonho era participar de eventos da sociedade londrina, mas, tendo sido reduzida à condição de criada desde a morte do pai e ser tratada cruelmente pela madrasta e suas filhas como escrava afasta, sem dúvidas, toda e qualquer chance de ela participar de um baile que seja. Mas isso está prestes a mudar. E lá, apenas por uma noite, até a meia-noite, Sophie poderá sentir-se o centro das atenções sendo... bem, alguém que não ela mesma. E esse mistério e graciosidade fisgará imediatamente o coração de Benedict Bridgerton, o segundo de oito filhos e ainda solteiro, portanto, à procura de uma jovem para desposar.
Mantendo sua identidade preservada por uma máscara e respostas enigmáticas, Sophie deixa o baile dos Bridgertons como uma desconhecida depois de soar as badaladas da meia-noite; Benedict, no entanto, jamais poderia esquecê-la e ela a ele, mas o destino ainda interviria a favor dos dois.

"Mas Sophie não tinha raízes. Se fosse a filha real da casa, estaria parada com sua tutora, esperando pela nova condessa. Se fosse mesmo a pupila do conde, ficaria no mesmo lugar." 
(pág. 11)

Três anos depois, livre da casa onde crescera, Sophie continua trabalhando como criada para uma família diferente e Benedict volta a cruzar seu caminho, mesmo que não a reconheça. Ainda assim, nenhum dos dois nunca deixou de pensar sobre aquela noite no baile e, embora o rapaz ainda esteja à procura da misteriosa moça, Sophie já sente um pequeno alívio por tê-lo reencontrado.
É inevitável que eles se sintam atraídos um pelo outro, mostrando que o destino lhes deu um empurrãozinho e mostrou como as coisas podem ser engraçadas. Mesmo ainda pegando-se sonhando com a jovem mascarada, Benedict não pode negar que Sophie o faz sentir-se diferente, mas, sendo quem ela é e vivendo em uma sociedade exigente, não restam muitas alternativas para que eles possam viver esse amor proibido. Por isso ele propõe a ela que seja sua amante.
Sophie, evidentemente, sofreu toda a vida por sua mãe ter sido exatamente a mesma coisa de seu pai e olha só onde ela foi parar. Com uma madrasta como Araminta e suas filhas Rosamund e Posy, Sophie sempre teve a convicção de que jamais seria amante de qualquer homem para que, caso viesse a ficar grávida, nunca tivesse de colocar um filho no mundo para sofrer com a rejeição como ela sofreu. É claro que ela não pode aceitar a proposta de Benedict, mesmo que ele lhe prometa o mundo, ainda não poderia realizar seu maior sonho, não poderia desposá-la para que tivessem filhos e vivessem o amor que insistia em dominá-los quando estavam perto um do outro.
Mas até que ponto pode uma pessoa arriscar-se pelo verdadeiro amor? Seria ele capaz de transpor os obstáculos sociais, todos os escândalos que causaria, para casar-se com a filha bastarda de um conde e simples camareira? Como o amor pode curar feridas do passado e transformar as pessoas para que mudem suas perspectivas e estejam dispostas a desafiar tudo e todos em nome da felicidade?

"Sophie não tinha ilusões quanto a seu lugar na sociedade de Londres. Ela era uma camareira. Uma criada. E a única coisa que a separava das outras camareiras e dos demais criados era que ela experimentara o luxo quando criança. Fora educada com carinho, ainda que sem amor, e a experiência moldara seus ideais e valores. Agora, ela ficaria eternamente presa entre dois mundos, sem lugar definido em nenhum deles." 
(pág. 185)

Eu, novamente, fiquei sem fôlego com essa nova leitura de Julia Quinn; evidentemente, a narrativa perdeu muito a diversão e o bom humor que encontrei em O Duque e Eu, afinal, a história de Sophie é muito mais triste, uma verdadeira Cinderela. Mas não para por aí. Apesar de ter me emocionado em várias passagens lindíssimas e tristes, não posso deixar de destacar como, mais uma vez, a autora se destacou com maestria ao criar uma história transformadora e excepcional.
Assim como o amor foi capaz de mudar Sophie e Benedict, preciso dizer que grande parte disso se deveu à família Bridgerton. Curiosamente, percebemos que esse amor que cerca e une essa grande família é capaz de acolher e iniciar o processo de cura, fazendo com que o/a pretendente se sinta mais amado do que nunca na vida. Com Simon, no primeiro livro, foi assim e não poderia ter sido diferente com Sophie. Incrível perceber como os Bridgertons são unidos, carismáticos e especiais. Há um valor inestimável para a família nessas narrativas e que me emociona só de relembrar. Os irmãos podem brigar entre si, a mãe pode ser inconveniente ao procurar pretendentes incansavelmente para os filhos, mas não há nada mais impressionante do que a forma como amam um ao outro.
E, nesse momento, preciso fazer uma enorme observação a respeito da matriarca, Violet Bridgerton. Que mulher esplêndida! Se antes ela havia ganhado minha atenção por ser uma mãe cômica e muito perspicaz, dessa vez ela me ganhou completamente! Sua determinação para com o filho Benedict foi imprescindível e ela só me surpreendeu ao longo do livro. Uma personagem extremamente memorável!

"- Mas uma das coisas que eu mais amo - falou - é o fato de que você se conhece. Você sabe quem é e quanto vale. Tem princípios, Sophie, e não abre mão deles. - Ele segurou a mão dela e a levou aos lábios. - Isso é tão raro..." 
(pág. 282)

Amei a leitura, foi emocionante, maravilhosa e muito, muito amorosa. Apesar de todo o sofrimento, da dor e do medo, Sophie e Benedict evoluíram e desenvolveram-se guiados pelo sentimento novo e intenso que nutriam um pelo outro. Houveram partes sensuais, Benedict é um amante vigoroso, mas acho que o que imperou nesse livro mesmo foi a família. Nunca vi algo tão lindo e isso só me fez ficar ainda mais apaixonada pela família Bridgerton. O amor compartilhado por todos os seus integrantes de certa forma começou a cura em Sophie e a acolheu numa família que ela sempre sonhara em ter. Sem dúvida, a esse ponto já podemos concordar que os Bridgertons são pessoas de sorte por terem um ao outro. Uma família magnífica e muito, mas muito espirituosa.
Novamente a capa do livro é linda, seguindo o mesmo estilo das anteriores, mas preciso destacar que encontrei alguns errinhos de revisão durante a leitura; nada grave, porém. A Arqueiro está de parabéns mais uma vez por trazer uma história tão maravilhosa.
Ah e Lady Whistledown? Bem, dessa vez ela se focou muito mais nos acontecimentos da sociedade do que, de fato, no nosso casal protagonista, mas o mistério permanece sobre sua verdadeira identidade. O desfecho para ela me deixou intrigada pelo próximo volume. Duvido que vamos descobrir qualquer novidade que seja até o final da série, mas tudo bem. Eu adoro suas colunas ácidas e muito bem informadas sobre os escândalos da nossa sociedade favorita.
Acreditem, depois de uma leitura como essa, você já vai se sentir parte não só da família Bridgerton, como também da sociedade em si. Vai desejar encontrá-los ao sair de casa, vai querer ir a bailes e usar vestes finas. Acho que o século XIX, de repente, ficou mais interessante...

Nota:


6 comentários:

Roseneia Santos disse...

Parabéns pela resenha ,perfeita não vejo a hora de fazer aquisição dessa série amo romance épico!
beijinss!

nathalia silva disse...

Como assim, você pulou o segundo livro???? Considero O Visconde que me amava bem melhor do que O duque e eu, e olhe que esse também é bom. Se fosse você, leria correndo, me diverti muito lendo. É SÉRIO, leia, você não vai se arrepender. :)

Pelo que entendi esse terceiro volume( o único que ainda não li dos já lançados aqui no Brasil) trás um tom mais dramático, né isso? Acho isso bom, apesar de amar as cenas engraçadas que a Quinn descreve, são muito boas. E concordo com você com relação a família Bridgerton, realmente são pessoas especias. Gosto de todos.

Sobre Lady Whistledown, desconfio de um membro da própria família Bridgerton... não sei, espero está certa.


Beijos!!!!

Desbravadores de Livros disse...

Sabendo que o livro tem continuação, mesmo não precisando seguir a ordem, eu não consigo ler. Preciso ler tudo ordenadinho. Acho que é a minha organização que fala mais alto, rs.
Tenho vontade de ler os trabalhos da arqueiro quanto ao romance de época, é sempre muito bem comentado.
Parabéns pela resenha, Vê.

Veezinha disse...

Fico muito feliz que tenha gostado, Roseneia! Foi uma leitura maravilhosa e que indico completamente! Não vai se arrepender! :D


xx

Veezinha disse...

Adoraria não ter pulado, Nathalia, mas, infelizmente, a editora não tinha me enviado o segundo. :/ Mas não se preocupe, já consegui! o/ Muito ansiosa para ler, já que estou vendo tanta propaganda positiva; certeza de que o Anthony será ainda mais engraçado do que em O Duque e Eu *-*
Não é taaaanto mais dramático, mas é uma história triste; toda a dificuldade de Sophia perante a sociedade por ser uma filha ilegítima...é de partir o coração! O romance entre ela e Benedict não será n-a-d-a fácil!


xx

Veezinha disse...

É, eu também tenho essa mania de ler na ordem, então você deve imaginar meu sofrimento quando eu tive que pular o segundo por não tê-lo comigo. T_T Quase morri. kkkkkk Mas eu precisava ler, então pulei. Agora vou voltar ao segundo, doidinha para ler!


xx