segunda-feira, 2 de junho de 2014

#Resenha: Caçadores de Tesouros - James Patterson e Chris Grabenstein

Caçadores de Tesouros (Caçadores de Tesouros #01)
Autores: James Patterson e Chris Grabenstein
Editora: #irado
Número de páginas: 384

"CAÇAR TESOUROS? ENFRENTAR PIRATAS? MOLEZA! ESSA TURMA É RADICAL! Os pais de Bick Kidd são caçadores de tesouros mundialmente famosos, que desapareceram misteriosamente. Agora, Bick e os seus irmãos Beck,Tommy e Tempestade precisam cumprir a última grande missão de seu pai e sua mãe. Mas a vida dos garotos corre perigo agora que eles estão sozinhos no meio do oceano. Junte-se a esta aventura, na mais perigosa e divertida caçada da sua vida!"

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Este livro foi cortesia da editora Novo Conceito.

A família Kidd navega pelos quatro cantos do mundo em busca de grandes tesouros que acabaram se perdendo junto com as embarcações que os levavam há muitos e muitos anos. Como já dá para perceber, não é uma família convencional. Muito unida e apaixonada por tudo o que possui uma história misteriosa, além de amantes de uma boa aventura, os Kidd quase não deixam sua embarcação: O Perdido.
Mas quando, no meio de uma terrível tempestade, o famoso professor Kidd desaparece em meio às ondas revoltas, Tommy, Tempestade e os gêmeos Bick e Beck estão exatamente como o seu barco: perdidos! Com a mãe recentemente desaparecida durante uma viagem da família a Chipre, as crianças estão entrando em desespero, sem ter a menor ideia de por onde começar.

"Eu estava prestes a me afogar no mar.
Doze anos é cedo demais para morrer?
Pelo jeito, o mar do Caribe não achava isso."

(pág. 16)

Entretanto, o que Bickford, nosso narrador, não sabia era que, à parte dos grandes mistérios que seus pais pareciam carregar, eles os haviam preparado sutilmente para seguir em frente com o negócio de caça aos tesouros e, além disso, muitas surpresas os aguardariam dali para frente.
Por conta própria, os Kidd sabem que a chave para conseguirem aguentar tudo isso é manterem-se unidos. E, por sorte, eles se dão muito bem...bom, com exceção de Bick e Beck que, de vez em quando, possuem suas "Tagarelices dos Gêmeos", em que discutem quase tão rápido quanto uma partida de ping-pong antes de terminarem fazendo as pazes no mesmo processo.
De personalidades muito distintas, Tempestade é o cérebro da família, com uma incrível memória fotográfica, capaz de decorar de tudo; Tommy é o cabeça de vento, mas com músculos de ferro, tem ótima habilidade para navegar; Bick e Beck são os gêmeos que se completam, enquanto um possui habilidade para contar histórias, o outro capricha nos desenhos. Juntos, eles serão capazes de viver as maiores aventuras que só as crianças, sem a supervisão de qualquer adulto, conseguem.

"Quando ameaçados, não temos medo dos adultos e zero interesse em obedecer às regras da chamada sociedade deles." 
(pág. 205)

Caçadores de Tesouros é uma leitura aventureira para qualquer criança ou adulto que esteja à procura de um livro que mistura de tudo um pouco e não economiza na hora de colocar a união dessa família à prova. Reúna tudo o que há de melhor em histórias com crianças como protagonistas: piratas, tesouros, espiões, segredos, lutas e surfistas, tudo isso com a maior intromissão de adultos interesseiros e estranhos. Nesse mundo, as crianças Kidd comandam!
Com capítulos curtos e uma aventura seguida da outra, o ritmo de leitura é alucinante, permeada de lindas e caprichadas ilustrações em todas as páginas, além de uma capa dura que deixa o livro extremamente confortável e rápido de ler. Definitivamente é um prato cheio para os olhos.
No entanto, apesar de todas a beleza e diversão garantidas, existem algumas coisas que deixaram a desejar; uma delas foi a tradução. Não a tradução inteira, mas de alguns trechos que tratam da mesma coisa e que acabaram ficando completamente fora de contexto. É costume na dublagem dos filmes inserir expressões e nomes de lugares e artistas que condizem com a nossa realidade, mas que dificilmente correspondem ao texto original.
Essa regionalização sempre me irritou profundamente porque não tem nada a ver mudar algo que é da cultura do país de origem do filme. Temos que respeitar isso; pode ficar sem graça ou sem sentido? Pode. Mas o que podemos fazer? Para mim, o mais importante é relevar e passar para a próxima cena do filme.
Acredito que, até agora, eu nunca havia encontrado uma regionalização tão gritante em um livro, quanto encontrei nesse. Acreditem, ou não, foi inserido o nome do time do Palmeiras! Confiram no trecho a seguir:

"(Dois apitos significam: "O jantar está pronto", e quatro, "O Palmeiras venceu o campeonato".)" 
(pág. 66)

Não só nessa parte, como em algumas outras, a mesma citação ao time se repetiu. Completamente fora de contexto, afinal, como um bando de crianças, mesmo conhecedoras de muitas partes do mundo, sequer conheceria o Palmeiras? Além disso, este é um livro notadamente norte-americano e nós sabemos que a paixão nacional deles esbarra no baseball e futebol americano. Mas jamais no nosso futebol. Depois de passar pelo hóquei, basquete e rugby, talvez os americanos curtam um pouco de futebol. E mais um detalhe: o Brasil sequer é citado no livro. Essa menção a um time de futebol brasileiro caiu totalmente do céu.
Passando por essa derrapada na tradução, outra coisa que me deixou profundamente aborrecida no livro foram as constantes e dispensáveis "Tagarelices dos Gêmeos". Além de irritantes, muitas delas levavam do nada a lugar nenhum, ou seja, não passavam de briguinhas bobas entre Bick e Beck que sempre acabavam nas pazes dos gêmeos,  tornando tudo muito chato e que poderia ser facilmente resolvido na metade da quantidade de diálogos.
No entanto, em se tratando de um livro para o público mais jovem, talvez funcione melhor para uma criança do que para mim. Apesar de todas as ideias mirabolantes, a leitura fácil e gostosa, algumas coisas simplesmente não deram certo comigo. Tantas aventuras e tantas situações extraordinárias nem sempre funcionam e, na minha opinião, se os autores tivessem focado apenas em um ou em outro, teriam tido o mesmo enredo bacana e divertido, mas com maiores possibilidades de desenvolvimento e uma história menos "salada de frutas".
No mais, Caçadores de Tesouros é um ótimo passatempo; a revisão da editora Novo Conceito está ótima e a edição, demais de caprichada! Por mais que não tenha me encantado completamente, ainda indico o livro para quem estiver a fim de uma leitura descontraída e muito rápida. Apesar de suas quase 400 páginas, você irá devorá-las em questão de horas e a beleza no interior de suas páginas contribui demais para uma maior dinâmica na leitura.
Recomendado, mas já estejam avisados dos exageros que poderão encontrar n'O Perdido!

"Então não havia mesmo como ter certeza: Tio Timothy era um sujeito do bem ou do mal?
(pág. 172)

Caçadores de Tesouros é o segundo título lançado pelo selo #irado da editora Novo Conceito, que vai focar no público infanto-juvenil. Até agora, tudo muito bom. Vamos ver o que mais nos aguarda!

Nota:



9 comentários:

Camila Márcia disse...

Ai Vê, surpresa por você não ter gostando tanto, acredita que eu amei esse livro e leria tudo de novo se não tivesse com uma fila enorme pra ler? Eu li em um único dia e me apaixonei pela história, reconheço que há o que vc disse sobre a tradução e até mesmo a regionalização em alguns dialógos como _Ocê falô.... etc... mas não achei que esses detalhes prejudicaram ou tiraram o brilho da história... Eu simplesmente amei esse livro e meus sentimentos foram completamente o oposto do que sneti lendo Bruxos e Bruxas... que foi intragável para mim...
Apesar de ser bem mais infantojuvenil Caçadores de Tesuros dá de pau em Bruxos e Bruxas.

xoxo
Mila F.
@camila_marcia
De Livro em Livro
Devaneios Fugazes

Érika Rufo disse...

Estou apaixonada por esse livro, desde que soube do seu lançamento. Não tanto para mim, mas para minha filha que ama piratas. Acredito que esses pequenos detalhes que você citou, apesar de irritantes, não atrapalham a leitura. Fiquei muito curiosa em ver como ele é por dentro, como são as ilustrações. Espero poder conferir logo!


Beijos!!

Raquel Pereira disse...

Adorei a capa e a diagramação desse livro. Ficou simplesmente lindo.
A sinopse é bem interessante e parece ser uma ótima aventura de piratas. Quero muito ler. Gosto dos livros do autor, apesar de esse ter uma temática bem diferente.

Bjok

Luana Souza disse...

Nunca li nada desses autores. E pre ser bem sincera esse livro não me chamou muita atenção... Mas a capa é legal. Parabéns pela resenha.

Franciele de Santana disse...

Quando vi o nome James Patterson na capa eu já fiquei com o pé atrás, como o início do texto foi só elogios eu pensei: eu estou errada quanto o livro ele deve ser massa, mas quando cheguei ao final eu percebi que meu receio se concretizou, isso por que li Bruxas e Bruxos e a história tinha tudo para dar certo mas tem umas falhas bem bobas, eu acho que Caçadores de Tesouros teria chance de conquistar todas os públicos mas que por pequenos faltas e erros o público bem jovem se agradaria realmente da história,eu acho que ele peca realmente é nessas co-autorias ele perde a sua característica de escrita e eu acho que o toque dele é mínimo.

Luciana Campos disse...

Bom, por ser um livro voltado mais pro público infanto-juvenil eu não me interessei muito, apesar de a arte gráfica ser linda e impecável também, eu imagino.
Acho que se eu lesse não ia gostar muito da parte do humor meio bobo :/
Mas pro público-alvo deve ser mesmo um livro muito bom :)

Luana Gantert disse...

Eu acho incrível como o James Patterson escreve tantos livros! Esse não me interessou muito e depois pela sua opinião,acredito que não vou lê-lo mesmo. Mas de qualquer forma, gostei de ler o que achou :)

Veezinha disse...

HAHAHAHAHAHA E pensar que comigo foi justamente o contrário, né, Mila? Talvez eu não estivesse em um bom momento para histórias assim. Mas eu adoro livros infantojuvenis, então talvez tenha sido o momento mesmo.
Não posso negar que o livro é lindo visualmente, mas quem sabe numa releitura em um futuro próximo ou na continuação eu não mude de ideia, né?
Quanto a Bruxos e Bruxas, desanimei completamente de continuar ao lembrar que tem tantos livros ainda. kkkkk


xx

Veezinha disse...

Concordo com você, Franciele. Eu ainda não li nenhum livro do Patterson que tenha sido escrito exclusivamente por ele, mas, o que vi até agora são co-autorias que mais parecem encheção de linguiça na capa do livro. Embora eu não saiba como é o estilo de escrita dele, penso que esses autores que ele "pega" são tão aleatórios que as histórias acabam se perdendo e o livro não passa de um caça-niqueis. Espero ter experiências melhores com seus policiais, porque, até agora, tenho tido experiências bem medianas para um autor do qual sempre ouço falar tão bem!


xx