quinta-feira, 12 de junho de 2014

#Resenha: Café Preto - Agatha Christie e Charles Osborne

Café Preto
Autora: Agatha Christie
Adaptado por: Charles Osborne
Editora: Best Bolso
Número de páginas: 154

"O excêntrico detetive belga retorna em uma aventura passada em 1934, quando é convocado pelo famoso cientista inglês temeroso de que a fórmula secreta que está desenvolvendo seja roubada. Ao lado de seu fiel escudeiro, o capitão Hastings, Poirot apressa-se em atender ao chamado, mas chega tarde demais. Encontra o cientista morto, e a fórmula desaparecida. Todos os ocupantes daquela bela casa de campo inglês são suspeitos, e só as privilegiadas células cinzentas de Poirot poderão descobrir o verdadeiro culpado.
'Café Preto' foi escrita originalmente em 1930 como uma peça em três atos. Charles Osborne, biógrafo de Agatha Christie, encarregou-se da tarefa de transformar o texto em romance."

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Outras resenhas:

Café Preto é uma adaptação para romance de uma peça de teatro escrita por Agatha Christie tendo seu mais famoso detetive, Hercule Poirot, como personagem investigativo. Para quem já leu ao menos um livro da autora, logo no começo percebe que a escrita é muito diferente do que estamos acostumados a conferir.
Embora eu tenha lido apenas um outro livro com o detetive Poirot, ao longo da leitura não encontrei qualquer problema com a linearidade da trajetória dele, estando novamente acompanhado do capitão Hastings; eles serão tragados para uma história cheia de mistério, conspiração e, claro, assassinato.

"Poirot achava não ser muito profissional começar uma rotina diária de trabalho antes das 10."
(posição 71)

Poirot é chamado para investigar uma possível conspiração que cerca um famoso cientista que descobriu a fórmula de um potente explosivo. Preocupado que a fórmula possa ser roubada por quem o cerca, Sir Claud Amory solicita a ajuda do detetive belga para que desmascare o provável ladrão. Mas, como logo percebemos, se não há um assassinato, não há por que haver Poirot, certo?
Ele e Hastings chegam, infelizmente, tarde demais para resolver o mistério e salvar Sir Claud da conspiração, no entanto, uma série de confusões e pedidos "fique"/"não fique", convencem o baixinho astuto de que é seu dever honrar a palavra que deu ao cientista e descobrir o verdadeiro ladrão de fórmula e espião conspirador.
Mas, com uma sala cheia de suspeitos e o único que poderia guiá-los nisso tudo, morto, como Poirot e seu fiel escudeiro Hastings saberão por onde sequer começar a investigar?

"- Hastings - declarou -, um homem foi morto aqui. E como reage sua família? Com mentiras, mentiras por toda parte! Por que a senhora Amory quer que eu me vá? Por que o senhor Amory quer que eu me vá? Por que deseja evitar que eu fale com a tia? O que ela pode me contar que ele não quer que eu ouça?"
(posição 1500)

Eu, até agora, curti bastante os livros da Agatha; ela tem uma enorme habilidade em tecer lentamente os mistérios que cercam seus personagens. Você é capaz de mudar de suspeito inúmeras vezes e, ainda assim, corre o risco de levar um belo tombo no final, quando descobre o verdadeiro culpado, que pode dar uma imensa reviravolta à história.
No entanto, eu senti completamente falta de tudo isso quando li Café Preto. A explicação mais plausível é que, sendo uma peça de teatro, embora tenha sido escrita pela Agatha, na hora da adaptação, não foi ela quem escreveu. Grande parte da magia de sua escrita, da narrativa construtiva, ficou perdida completamente. É uma leitura rápida e que já dá muitas pistas logo no começo.
Não demora muito até que fique claro quem é o responsável pelo assassinato. Muitos fatos que seriam apresentados ao longo da trama foram jogados nos momentos mais inconvenientes possíveis e fiquei muito aborrecida pela obviedade da história.

"- Tenha coragem, madame - aconselhou Poirot. - Confie em mim. Conte a eles. Diga-lhes a verdade. Chegamos ao ponto em que as mentiras não servem mais. A verdade virá à tona."
(posição 2256)

Além disso tudo, tendo lido um único outro livro em que Poirot aparece, tive a infelicidade de pegar a mesma base do enredo: envenenamento. E a solução, também, foi muito parecida: acendedores de lareira. Então, para mim, foi bem sem graça. Fiquei bem desanimada, pois nada de muito inovador me foi apresentado.
O que, é claro, me fez pensar constantemente em como seria essa história nos palcos de um teatro. Talvez muito mais bem encaixada do que ficou nas páginas de um livro. Foi uma pena, afinal, a leitura não passou de um grande passatempo, sem muitas emoções ou algo inovador a acrescentar na perspicácia de Poirot ou Hastings.
Apesar disso tudo, indico a leitura de Café Preto, de preferência não imediatamente após a leitura de O Misterioso Caso de Styles, pois as resoluções dos crimes são bem semelhantes e isso pode deixar a impressão de que tudo seguirá esse mesmo estilo pelo resto dos livros da autora. E eu já bem sei que não será assim. É uma narrativa mais prática, rápida de ler e você devora o livro em poucas horas. No entanto, é esclarecedora demais nos momentos errados e detona a magia do mistério e da investigação.
Quem já leu algum livro da Agatha e pega Café Preto claramente percebe que não foi escrito pela autora em sua fascinante narrativa cuidadosamente construída. Mas devemos levar em consideração que foi adaptado de uma peça de teatro e por uma pessoa diferente. Sem dúvida, Charles Osborne deve levar algum crédito pela coragem e iniciativa para a adaptação, embora não tenha dado muito certo.
Para passar o tempo e se alimentar de um pequeno mistério, Café Preto é a leitura certa, pois não toma mais do que algumas horas e você adivinha rapidinho quem é o culpado!

"- (...) A faxineira e o detetive, afinal, têm algo em comum. A faxineira: o que faz ela? Ela explora os cantos escuros com sua vassoura. Traz à luz do dia todas as coisas ocultas que rolaram convenientemente para fora de vista. O detetive não faz o mesmo?"
(posição 2525)

Nota:



11 comentários:

Joi Cardoso disse...

Oi Vê tudo bem? Confesso que ainda não li nada da Agatha mas pretendo quebrar este "tabu" o quanto antes, só não sei se este livro, pelo que percebi por sua resenha seja o adequado para conhecer a leitora ^^

Adorei seu blog e já estou seguindo, se quiser conhecer meu cantinho também sera super bem vinda.
Beijos Joi Cardoso
www.estantediagonal.com.br

Raquel Pereira disse...

Nunca li esse livro da Agatha.
Realmente adoro os livros dela, mas acho que em muitos deles, as histórias meio que se repetem mesmo.

Bjok

Monica Navarro disse...

Achei super interessante esse livro ter sido adaptado de uma peça de teatro da Agatha Christie. Pena que o mistério é desvendado facilmente.

Érika Rufo disse...

Adoro os livros da Agatha Christie, principalmente as histórias com o detetive Hercule Poirot. É uma pena que seja muito fácil desvendar o mistério, assim perde toda a graça da história. Gostaria mais de ver a peça do que de ler o livro. rsrs


Beijos!!

Desbravadores de Livros disse...

O simples fato de ter como o investigador o Hercule Poirot já faz o livro ganhar pontos comigo. Porém, imagino que talvez o livro tenha perdido um pouco da essência por ter sido reescrito por outra pessoa.
Uma pena também que seja parecido com outro livro dela.
Eu pretendo ler a obra, mas lerei outros livros dela primeiro.

Franciele de Santana disse...

Qualquer livro de mistério que você sabe logo o final desde o começo perde a graça e principalmente quando a escrita da autora se perde por um co-autor é pior ainda.

Luciana Campos disse...

Bom, como já disse em outro post aqui no blog, não tenho muito interesse nos livros da Agatha Christie, e esse não me fez mudar de ideia, pelo contrário, me deixou menos interessada ainda :/

Luana Gantert disse...

Por mais que esse livro possa parecer meio fraco, terei que ler só pelo Poirot. Ainda não li e quando soube que era nesse formato acabei ficando com o pé atrás. Leia outros livros do detetive, e acho que vai ver o quanto ele é brilhante!

Veezinha disse...

Oi Joi, tudo bem e você?


Definitivamente, para começar a ler Agatha você não pode (e nem deve) começar por Café Preto! haha
Muito obrigada por seguir, também dei uma passada no seu blog e o achei uma graça, também já estou seguindo lá! Muito sucesso, viu?


xx

Veezinha disse...

Ainda não li vários do Poirot para saber se são todos nesse mesmo estilo, Raquel; espero que não e que esse tenha sido apenas um acaso mesmo. kkkk


xx

Veezinha disse...

Com certeza lerei, Luana! É que meu timing foi errado e acabei optando por esse antes, o que foi uma pena. Mas definitivamente estou correndo atrás dos outros títulos, que descobrir mais sobre ele!


xx