sexta-feira, 20 de junho de 2014

#Resenha: Peter Pan - J. M. Barrie

Peter Pan
Autor: J. M. Barrie
Editora: Zahar
Número de páginas: 253

"Todas as crianças crescem, menos uma.

Um dos mais populares clássicos infantis, Peter Pan é uma história que, como Alice no País das Maravilhas, une gerações, contagiando também adultos com sua energia, imaginação e um enredo que permite diversos níveis de interpretação.
Como pó de fada, há cem anos esse livro transporta os leitores para um mundo mágico, povoado pela família Darling e pelos habitantes da Terra do Nunca - Peter Pan, os meninos perdidos, Sininho, crocodilos, sereias, o Capitão Gancho e seus piratas...
Essa tradução do texto integral da obra de J.M. Barrie transporta crianças e adultos para um mundo mágico, povoado pela família Darling e pelos habitantes da Terra do Nunca - Peter Pan, os meninos perdidos, Sininho, o Capitão Gancho e seus piratas..."

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Peter Pan é mais um daqueles clássicos que permearam a minha infância sem, no entanto, nunca ter sido explorado da maneira correta. Depois da adaptação feita pela Disney e, em 2003, uma adaptação cinematográfica com a participação de Jeremy Sumpter como Peter e Jason Isaacs (sim! Lúcio Malfoy!) como Gancho, estava na hora de, finalmente, entender de onde surgiu essa história sobre o menino que nunca crescia.
E, embora, a princípio, a história de Peter Pan tenha sido escrita na forma de peça de teatro, Barrie concordou em adaptá-la para um livro e foi assim que grande parte dela inspirou animação e filme, contando, inclusive, com cenas iguais e falas idênticas! Se você já assistiu a uma dessas duas adaptações, imediatamente se sentirá familiarizado com as páginas do livro.

"No início a sra. Darling não sabia, mas foi pensando em sua infância e se lembrou de um tal de Peter Pan que, diziam, morava com as fadas. Existem histórias estranhas sobre ele." 
(pág. 20)

Wendy, Pedro e Miguel são as crianças Darling que, tendo passado por grandes dificuldades financeiras, conta com um rígido e inseguro pai, o Sr. Darling, e uma adorável e sonhadora mãe, a Sra. Darling. Além deles, há, também, Naná, um cachorro que age como babá das crianças, cuidando desde o banho até os remédios que cada um deve tomar.
Tudo está bem para a família Darling, até que uma noite, o Sr. e a Sra. precisam sair para um evento social, mas um incidente envolvendo Naná deixa o Sr. Darling muito nervoso. As crianças são deixadas em casa e Naná fica presa do lado de fora, a situação perfeita para que Peter Pan adentre a casa para recuperar sua sombra que, numa visita anterior, acabou se separando de seu corpo.
Wendy recebe Peter e fica encantada que a lenda seja real. Um menino muito esperto e que sabe voar, além de andar na companhia de uma pequena fada enfezada, Sininho, e sem a presença de nenhum adulto. Ele e os meninos perdidos habitam a Terra do Nunca, um lugar para onde as crianças vão quando suas babás se descuidam e elas caem de seus carrinhos.
Galanteador, Peter logo convida Wendy para vir com ele e contar histórias para os Meninos Perdidos e ser sua mãe.

"Ele não apenas não tinha mãe, como não tinha a menor vontade de ter uma. Achava que todo mundo dava uma importância exagerada para as mães." 
(pág. 43)

Seduzida pela possibilidade de conhecer índios, piratas e sereias, Wendy aceita, mas com uma condição: ela precisa levar seus irmãos Miguel e João. Algo que, a princípio, não agrada muito ao menino astuto, mas que cede para poder viver uma aventura e todos seguem para a Terra do Nunca.
Deixando sua casa, as crianças Darling logo percebem que o inconstante Peter, além de misterioso, é completamente instável. Com uma viagem que parece demorar dias, eles vão voando sempre em frente, seguindo uma estrela até o amanhecer. Ao chegar à tão mítica Terra do Nunca, as aventuras não param de acontecer. Peter e os meninos perdidos vivem em constante conflito, devendo a todo custo manter os piratas afastados de sua toca subterrânea e, ao mesmo tempo, manterem-se longe do caminho dos nativos.
Wendy, naturalmente, torna-se a mãe de todos e Peter fica como a espécie de um pai. Mas as coisas são bem diferentes de Londres e, embora Peter Pan banque o esperto, acaba por não passar de um menino bobo, mas com um enorme poder de persuasão e que deixa todos sujeitos à sua vontade egoísta e inconsequente.

"Peter proíbe os meninos perdidos de se parecerem com ele, ainda que seja só um pouquinho, e eles se vestem com as peles dos lobos que matam, ficando tão roliços e felpudos que, quando caem, saem rolando. Por isso, todos aprenderam a não cair muito." 
(pág. 78)

Ler Peter Pan me causou muita estranheza porque, o que eu havia experimentado até então com as adaptações, nada mais era do que a parte florida e sonhadora dessa história. O que encontrei nesse livro foi uma situação bem diferente. A começar, a família Darling é bem mais simples do que aparenta ser, tendo sido, inclusive, cogitado pelo Sr. e pela Sra. Darling não ficar com Wendy quando ela nasceu, uma vez que seu dinheiro esta praticamente contado, não dando espaço para qualquer sufoco não planejado. Isso foi um enorme susto para mim.
Apesar de todas as cenas parecidíssimas e as falas iguais, existem certos detalhes que, felizmente, os filmes deixaram de lado. Como, principalmente, a personalidade de Peter. Ao contrário do que eu pensava saber, ele é um menino travesso, cruel e muito egoísta. Chega a matar piratas apenas por diversão e, se não quiser comer, por exemplo, então os Meninos Perdidos devem submeter-se à sua vontade e passar fome também.
Como disse anteriormente, Peter só se faz de esperto, pois, uma vez que conhecemos um pouco mais sobre sua vida na Terra do Nunca, dá para perceber que, de todas as crianças lá, ele é o que menos sabe das coisas.
Algo que também me assustou foi a naturalidade com que Wendy assumiu responsabilidades na Terra do Nunca, comportando-se como uma verdadeira mãe, não só para os meninos, como também para os próprios irmãos. Ela assumiu tarefas de adulta e estava vivendo perigos que talvez nem pudesse imaginar. O fato é que essa história inteira teve um toque sombrio que eu, definitivamente, não esperava.
Fiquei irritada em muitos momentos com Peter e seu comportamento, horrorizada com Wendy e sua aceitação praticamente automática e inconsequente e que os piratas nem eram tão assustadores assim. Perceberam que a resenha inteira se passou e eu sequer citei Gancho? Ele foi o que menos me surpreendeu nesse livro todo. Apesar de ser uma história encantada e ser parte da minha infância, eu preferia não ter lido o livro. O toque dele, muito adicionado pelo narrador-autor que também tinha comportamento irritante, foi bem sinistro e estranho.
No final das contas, o que realmente fez valer a pena toda essa leitura foi o final. Me deixou bastante emocionada e, confesso, com medo de crescer. Muitos detalhes relacionados a Wendy me surpreenderam nas páginas finais e eu terminei o livro com um sorriso triste e a sensação de que minha hora de seguir em frente havia chegado, assim como a dela, depois de um tempo. Pois sabemos que, afinal, todas as crianças crescem...menos uma.
Essa edição da Zahar, assim como em O Mágico de Oz, está de arrasar! Capa dura, revisão muito boa, tudo para dar um toque nostálgico a este clássico. Embora não tenha gostado muito do que encontrei, preferindo as versões de Peter do cinema, preciso dizer que o final foi decisivo entre meu ódio mortal pelo o que tinha encontrado até então, e o desfecho, que me levou quase às lágrimas. Impressionante como Peter Pan foi capaz de tal coisa e acabou por salvar minha perspectiva sobre o livro em geral.

"- E por que você não sabe mais voar, mamãe?
- Porque eu cresci, meu amor. Quando as pessoas crescem, elas não lembram mais como se voa.
- Por que a gente não lembra mais?
- Porque não somos mais alegres, inocentes e desalmados. Só quem é alegre, inocente e desalmado consegue voar." 
(pág. 246)

Nota:


10 comentários:

Monica Navarro disse...

Oi, Vê
Eu só conhecia a versão da Disney, que como você disse mostrou o lado mais bonito. Mesmo assim, fiquei super curiosa para ler esse livro. Parece que nessa versão o Peter Pan não é tão mocinho.

Mariana Teixeira disse...

Eu to com esse livro na minha estante... Uma edição belíssima que comprei na bienal do RJ ano passado, mas ainda não li.

É como você disse... São tantas adaptações que a gente fica com vontade de conhecer a história original rs.

bjs

http://letrasdanana.blogspot.com.br/

Gabriel disse...

Oi :)

Eu sou louco por essa edição, acho magnífica. Peter Pan me acompanha desde pequeno, tenho certeza de que vou gostar do livro, apesar de você não ter achado tão bom assim. Beijos!

http://euvivolendo.blogspot.com.br/

Raquel Pereira disse...

Dá pra acreditar que ainda não li Peter Pan, em nenhuma das versões existentes... srrs
Adorei a resenha.


Bjok

Érika Rufo disse...

Eu também nunca li Peter Pan, só assisti ao desenho e ao filme. Fiquei muito curiosa com a sua resenha, não imaginava que o livro tinha esse lado sombrio, o que só aumentou minha vontade de ler.


Beijos!!

Franciele de Santana disse...

Acho que como todo mundo aqui apenas conhecia a versão Disney, fiquei triste com a versão maquiavélica de Peter, mas todo livro tem seu ponte forte e seu ponto franco, o ponto forte foi a mensagem final que você citou e o fraco termos conhecido uma versão mágica e linda da história antes dessa.

Desbravadores de Livros disse...

Olá, Vê. Eu praticamente não conhecia esse livro. Já tinha visto a capa e a sinopse em um outro blog. Me interessei pela obra de cara, mas, me desanimei um pouco com a sua resenha. Afinal, eu esperava algo mais parecido com o filme, mas, se o fim salva, já é alguma coisa.
Porém, acho que ainda assim arriscarei a leitura. Talvez o livro me agrade um pouco mais. E o fato de ser uma boa edição ajuda ainda mais.

Luciana Campos disse...

Bom, nunca cheguei nem perto de ler Peter Pan, tudo o que eu conheço se limita aos desenhos da Disney, e só.
Confesso que depois da sua resenha também não fiquei muito entusiasmada, acho que não é uma leitura que eu pretenda fazer em breve :/

Luana Gantert disse...

Os livros da Zahar são maravilhosos ,mas acho que Peter Pan vou deixar passar. Já achei a personalidade do personagem irritante só pela resenha,imagina lendo o livro? Acho que vou continuar pensando no Peter Pan apenas como o da Disney. Pelo menos por enquanto.

Veezinha disse...

É melhor você passar longe da leitura, Luana; eu também fiquei muito irritada durante o livro inteiro com esse comportamento de Peter. kkkk Melhor evitar se estressar à toa!


xx