sexta-feira, 13 de junho de 2014

#Resenha: Quem poderia ser a uma hora dessas? - Lemony Snicket

Quem poderia ser a uma hora dessas? (Só Perguntas Erradas #01)
Autor: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Número de páginas: 240

"Em uma cidade decadente, onde se criam polvos para a produção de tinta, onde há uma floresta de algas marinhas e onde um dia funcionou uma redação de jornal em um farol, um jovem Lemony Snicket começa o seu aprendizado em uma organização misteriosa. Ele vai atender seu primeiro cliente e tentar solucionar o seu primeiro crime, aos comandos de uma tutora que chama carro de “esportivo” e assina bilhetes secretos. Lá, ele vai cair na árvore errada, vai entrar no portão errado, destruir a biblioteca errada, e encontrar as respostas erradas para as perguntas erradas - que nunca deveriam ter passado pela cabeça dele. Ele escreveu um relato sobre tudo o que se passou, que não deveria ser publicado, em quatro volumes que não deveriam ser lidos. Este é o primeiro deles."

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Depois de pagar menos de R$10,00, eu finalmente estaria realizando o sonho de ler um livro do famoso autor Lemony Snicket. Então, não demorou muito para que eu pegasse Quem poderia ser a uma hora dessas? para ler, afinal, estava mais do que curiosa para conferir o que o autor de Desventuras em Série tinha para mim em uma outra série.
Eu já tinha uma leve noção de que as histórias de Snicket poderiam ser um pouco...surtadas, mas nada havia me preparado para o que eu encontraria nesse livro. Para começar, o nome do personagem: Lemony Snicket. Droga, ele mesmo? Prosseguindo, trata-se de uma história onde ele, jovem, é recrutado para resolver mistérios. Tendo se formado, Lemony tinha uma lista de mentores com os quais trabalhar e ele acabou escolhendo justo o último nome da lista, caindo com uma mulher peculiar e muito rabugenta.

"Eu tinha imaginado trabalhar como aprendiz na cidade grande, onde eu poderia executar alguma tarefa importante, com alguém em quem eu poderia confiar inteiramente. Mas o mundo não batia com a imagem na minha cabeça, então, em vez disso, eu estava com essa pessoa esquisita e despenteada, diante de um mar sem água e uma floresta sem árvores." 
(pág. 39)

Como se já não fosse bastante louco até aí, vamos além, para uma cidade que costumava ser coberta pelo mar, mas que, agora, fabrica tinta retirada de polvos, como se, na verdade, estivesse extraindo petróleo; além disso, temos uma floresta de algas marinhas onde não há mais água do mar! E toda essa cidade tem um ar bizarro de vilarejo pequeno, onde todo mundo se conhece e a força policial não poderia ser mais inútil, com um casal de policiais casado e com um filho terrível que parece um anjo aos olhos dos pais.
Dá para perceber que o livro de Snicket nada mais é do que uma típica leitura para crianças e jovens, já que temos o jovem autor no centro dessa história maluca, cercado de adultos abobalhados e irritantes, restando a ele resolver o mistério do sumiço da estatueta de uma espécie de cavalo marinho, que é símbolo dessa estranha cidade. São muitas perguntas feitas ao longo das páginas que, aos olhos da bizarra mentora de Lemony, são todas erradas, mas que só resta ao menino encontrar as respostas, totalmente sozinho.
Cercado de mistérios e intrigas, não sabemos exatamente em quem confiar, afinal, tirando os adultos atrapalhados, restam poucas crianças e, dessas, não se sabe qual delas será de grande ajuda ou só servirá para atrapalhar.

"- Sim, gosto - ela disse. - Você gosta do que faz, Lemony Snicket?
Olhei pela janela solitária da cozinha. A lua parecia um olho bem aberto.
- Faço o que eu faço - eu disse - para poder fazer uma outra coisa." 
(pág. 110)

A verdade é que, ao longo do enredo, vamos descobrindo que há muito mais perguntas do que respostas. Embora sejam descobertas informações importantes para tentarmos entender, mesmo que minimamente, o que se passa em Manchado-pelo-mar (sim, esse é o nome da cidade), logo percebemos que tem muito mais coisas nesse livro do que seríamos capaz de descobrir em um único volume. E, portanto, acabamos a rápida leitura com muitas questões em aberto.
Quem poderia ser a uma hora dessas? é um livro extremamente louco e bizarro. Não vou mentir. Fiquei com uma cara de hein? praticamente a leitura toda e, não fosse a rápida fluidez, as letras grandes e as ilustrações nos mesmos tons da capa que permeiam o livro, eu o teria largado imediatamente. Mas que bom que eu não abandonei, pois, no final das contas, acabei ficando muito curiosa com o que mais teria para acontecer nos próximos livros. É verdade que é uma história sem pé nem cabeça; é verdade que chega a dar raiva Lemony Snicket ter de lidar com adultos tão bobos e ele acabar salvando o dia.
Pode não parecer nada demais, afinal, não faz muito sentido e você acaba por se perguntar se perdeu alguma coisa ou o enredo é tresloucado assim mesmo. Mas o que realmente nos ganha nesse livro é o apelo visual. Temos uma capa em tons de azul lindíssima, com um toque aveludado e com cada ilustração tendo um significado para a história. Depois, ao folhear o livro, nos deparamos com uma leitura ágil e muito confortável, além de encontrarmos diversas ilustrações muito legais e nos mesmos tons de azul da capa.
Quero dizer, esse livro te ganha pelos olhos porque, se depender do conteúdo...você fica louco tentando entender!

"Existe um método simples para encontrar uma pessoa quando você ouve seus gritos. Primeiro, pegue uma folha em branco e um lápis bem apontado. Depois, trace nove colunas, cada uma delas com quatorze casas. Então, jogue o papel fora e encontre quem estiver gritando para poder ajudá-lo." 
(pág. 157)

No final das contas, até mesmo minha conclusão a respeito do livro ficou confusa. Eu gostei e não gostei dele. Gostei porque foi algo extremamente diferente, uma leitura rápida e bem dinâmica; não gostei porque é uma história sem pé nem cabeça e isso, para mim, não faz o menor sentido. Como pode alguém escrever um livro tão louco assim?
Se eu indico? Pode ser. Se você quer se arriscar em algo que saia totalmente do comum, este livro é uma excelente escolha! E não se aflija caso não gostar, em pouco menos de duas horas você o finaliza sem maiores problemas. Então não é uma perda total de tempo, principalmente se você conseguir adquiri-lo pelo mesmo preço que eu ou até menos. Não me arrependi de tê-lo comprado ou lido, mas com certeza esperarei uma nova promoção como essa para comprar a continuação.
Afinal, não vou abandonar a série. Quero realmente descobrir os mistérios que foram deixados ao final desse primeiro volume e, claro, cultivo esperanças de que essa história tome um rumo mais centrado e com mais nexo do que foi essa primeira experiência.
Leia por sua própria conta e risco.

"Um mistério se resolve com uma história, e a história começa com uma pista." 
(pág. 229)

Nota:



7 comentários:

Raquel Pereira disse...

Nunca li nada do autor, e realmente parace uma leitura um tanto quanto confusa, seja pelo nome dos personagens, da cidade e pelo enredo em si. Mas pode ser uma boa leitura quando não se tem nada pra ler... rsrs

Bjok

Monica Navarro disse...

Nossa! Que história diferente! Primeiro o autor é o personagem principal dessa aventura e segundo uma cidade coberta pelo mar. Achei bem interessante. Com certeza, gostaria de ler.

Érika Rufo disse...

Que livro sem pé nem cabeça, não? Nunca li nada do autor, mas acho que não gostaria desse livro, é muito confuso. Mesmo pagando pouco eu acho que não compraria.


Beijos!!

Desbravadores de Livros disse...

Posso falar a verdade? Adoro livros sem pé e nem cabeça. Gostei do enredo, bem diferente; foge completamente do comum.
Achei a concepção da cidade bem interessante também.

O fato de ser uma série me desanima um pouco, porque estou fugindo de séries no momento. Mas a premissa da obra vale a pena, certamente.

Franciele de Santana disse...

Ainda não conhecia o livro nem o autor, histórias sem pé nem cabeça poderiam me fazer ficar louca se com histórias normais eu fico com a impressão que falta alguma coisa imagine uma história. Se houver uma oportunidade eu lerei mas não será uma prioridade.

Luciana Campos disse...

Bom, ainda não terminei de ler a coleção completa de Desventuras em Série - acho que parei no décimo ou décimo primeiro, depois de um tempo os livros ficam tão parecidos que é difícil distinguir -, mas até que gosto do autor. É diferente, possui uma escrita completamente sem pé nem cabeça, mas no fim das contas é bem divertido.

Luana Gantert disse...

Só tinha visto esse livro mas nunca procurei saber do que se trata. Confesso que não me entusiasmei muito com o enredo, pois parece bem confuso e enrolado. Acredito que não lerei.