segunda-feira, 21 de julho de 2014

#Resenha: Belle Époque - Elizabeth Ross

Belle Époque
Autora: Elizabeth Ross
Editora: Verus
Número de páginas: 294

"Na Paris da Belle Époque, tudo está à venda — inclusive a beleza. Quando Maude Pichon foge de casa, na provinciana Bretanha, e vai para Paris, seus sonhos românticos evaporam tão rápido quanto suas economias. Desesperada para arrumar um emprego, ela responde a um estranho anúncio de jornal — a Agência Durandeau está em busca de jovens pouco atraentes a fim de fornecer a suas clientes um serviço singular: uma moça sem graça contratada para acompanhar as damas da sociedade e fazê-las parecer mais belas."

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Este livro foi cortesia da editora Verus.

Maude Pichon mora na Bretanha, mas foge para Paris quando descobre que seu pai tem planos para que ela se case com um homem bem mais velho de sua pequena vila. Mas, uma vez na cidade-luz, ela encontra dificuldades para manter-se com o pouco dinheiro que roubou da caixa registradora do comércio do pai. Isso até que um estranho anúncio de jornal a leva até a Agência Durandeau. Lá, ela conhece Durandeau, o excêntrico dono e, embora não compreenda totalmente o propósito do emprego para o qual está se candidatando, Maude acredita que este poderá ser um novo começo para ela e que seus sonhos ainda não devem ser deixados de lado.

No entanto, uma vez dentro da agência, ela descobre que não se trata apenas de encontrar acompanhantes para mulheres ricas e da sociedade, como também mulheres feias, para deixar suas patroas muito mais bonitas. Um verdadeiro adorno para essas damas e, quanto mais feia, melhor! Horrorizada logo em seu primeiro dia, ao presenciar uma seleção de repoussoir (nome que é dado a essas acompanhantes) e na maneira como as jovens são apresentadas às clientes, com todos os seus traços negativos em extrema evidência por um pomposo Durandeau, Maude pensa em desistir do trabalho e, por isso, continua trabalhando em uma lavanderia.
Mas, depois de um incidente e pesando a possibilidade de conseguir manter-se melhor com o salário de reoussoir, ela retorna e consegue o emprego com a Condessa Dubern, que estava à procura de uma acompanhante para sua filha Isabelle.

A jovem bretã, então, começa seu treinamento e percebe que, embora seja uma boa oportunidade de ganhar a vida de forma honesta, a pressão psicológica que envolve ser destacada como a parte mais feia que irá compor o par com uma bela dama, pode ser muito dura e arrasadora. E é aí que entra o espírito animado de Marie-Josée, uma jovem mulher que será sua mentora e mostrará a ela que é possível, sim, se divertir nesse emprego!
Bem humorada e descontraída, Marie-Josée se diverte em seus trabalhos e ensinará a Maude que ser uma repoussoir pode ser uma grande lição de autoconfiança e aceitação da própria imagem, independentemente das críticas e dos defeitos.

Quando Maude conhece Isabelle, novamente grandes dúvidas e inseguranças a assolam ao perceber que a menina não conhece a verdadeira natureza de seu trabalho. A jovem filha da condessa é impetuosa, determinada e desconfiada, sendo constantemente açoitada pelas críticas da mãe, mas não cedendo facilmente a ela, impondo grande resistência e deixando Maude em situações difíceis.
Enquanto guarda segredo sobre sua real condição, nascerá entre essas duas jovens uma relação de confiança e Maude se fortalecerá ao perceber que Isabelle também deseja lutar pelos seus ideias, mesmo que isso seja ir contra os valores da sociedade parisiense.

O que mais me chamou a atenção em Belle Époque foi sua abordagem às repoussoir. Pela primeira vez li um livro onde a protagonista não era bela ou marcante, mas uma pessoa simples, comum. Embora essas características negativas sejam constantemente ressaltadas e Maude lute contra a insegurança, é totalmente impressionante a coragem que ela demonstra ao longo do livro diante de vários desafios. Seu desejo em manter seus sonhos a respeito de Paris vivos tornou-se algo digno de admiração enquanto eu devorava as páginas. A amizade que surge entre Maude e Isabelle também é muito surpreendente e encantadora. São duas personagens fortes que desejam tomar conta do próprio destino e fazer a diferença na sociedade.

Narrado em primeira pessoa, acompanhamos os fatos enquanto Maude discorre sobre eles. Com capítulos curtos, a leitura é fluida e leve, com cenas engraçadas, cenas determinantes e inspiradoras também. Gostei muito da escolha da autora pelas repoussoir, algo inédito e mais do que bem-vindo! Preciso destacar que Marie-Josée foi uma das minhas personagens favoritas. Com sua alegria de viver e seu jeito não-estou-nem-aí-para-o-que-pensam-de-mim foi o equilíbrio perfeito para ajudar Maude a se estabilizar e passar a encarar os desafios do emprego.
Com uma capa maravilhosa e que chama a atenção, o livro é todo permeado por floreios ao início de cada capítulo. Algumas expressões e falas mantidas em francês também dão um belo toque e deixam a história ainda mais ambientada em Paris. Impossível não se sentir confortável e presente nas ruas, principalmente quando o enredo também é entrelaçado à construção de Torre Eiffel. Isso mesmo! Uma escolha fantástica da autora e que deixou a leitura ainda mais especial.
Leve, divertido, inspirador. Belle Époque é uma leitura para espairecer e se divertir. Sua narrativa simples e história delicada é empolgante e passa em um piscar de olhos!

"Eu queria aprender - havia um mundo de conhecimento que eu estava perdendo. Foi quando ele começou a promover a ideia de me casar. Eu logo teria dezesseis anos, e essa era a sua maneira de me controlar, reprimindo meus sonhos." 
(pág. 64)

Nota:



3 comentários:

Andrea Duarte disse...

caraca , que história diferente ! Diferente e instigante , haha Acho que o(a) leitor(a) pode vir a se identificar com a história, no quesito "imperfeições", uma vez que o livro trabalha com a auto estima. Já fiquei com vontade de ler. Amei !
bj, dréa

Monica Navarro disse...

Gosto muito de romances históricos. Sempre é possível aprender algo. Não conhecia "a profissão de repoussoir".
E o melhor de tudo, é ler sobre a época da construção da Torre Eiffel.
A capa é linda!

Desbravadores de Livros disse...

Para variar, mais uma excelente resenha sua, Vê. Mas, diferentemente dos outros livros, essa obra eu não leria. Os livros do gênero não são os meus favoritos e a premissa dessa obra não me ganhou. A parte da acompanhante feia me pareceu forçada, não sei.
Dessa vez, passo a leitura.