segunda-feira, 21 de julho de 2014

#Resenha: Corvo Negro - Ann Cleeves

Corvo Negro
Autora: Ann Cleeves
Editora: Record
Número de páginas: 352

"Quando um de seus professores propõe à turma um trabalho sobre a região em que vivem, na Escócia, Catherine Ross decide fazer um documentário para mostrar os costumes locais. Porém, alguns dias depois, seu corpo é encontrado na neve. Todas as evidências logo apontam para Magnus Tait, um ancião que tem como única companhia um corvo e que, anos antes, foi acusado de matar a jovem Catriona Bruce. Mas ao procurar pelo documentário, o investigador Perez descobre que ele desapareceu. Agora, além de entender a conexão entre os crimes, ele precisará desvendar os segredos revelados pelo primeiro e único filme de Catherine Ross."

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Este livro foi cortesia da editora Record.

Quando li a sinopse de Corvo Negro, logo imaginei que a história seria algo como as de Miss Marple, onde temos um pacato vilarejo, com costumes tranquilos e, ainda assim, acontecem coisas para se investigar e suspeitar. Mas a verdade é que quando começamos a ler sobre o cenário dessa história misteriosa que logo culminará em assassinato, podemos perceber que a Escócia não é só uma terra de aspecto histórico fascinante, como também a autora nos insere em sua trama a partir de descrições primorosas sobre os lugares por onde acompanharemos os personagens.

Com narrativa alternada entre vários personagens, somos tragados para as circunstâncias do assassinato de Catherine Ross, uma estudante que havia resolvido fazer um documentário para mostrar os costumes da região em que vivia. O principal e, aparentemente, inquestionável suspeito é Magnus Tait, um senhor que, depois de ser acusado e inocentado de matar Catriona Bruce há algum tempo, recolheu-se à sua casa, completamente isolado, tendo por acompanhante apenas um corvo. A situação piora pelo fato de o corpo de Catherine ter sido encontrado próximo à sua casa, mas o investigador Perez está certo de que há mais nessa história do que os populares podem estar tentando encobrir, uma vez que existem muitos detalhes estranhos sobre o crime. E o principal deles é que o filme que Catherine havia feito desapareceu.

Que segredos não devem ser revelados pelo trabalho dessa aluna? Será que pode haver mais na vida de Catherine do que pode parecer a princípio? E Magnus Tait, por que todos estão tão certos de que este ancião é o verdadeiro culpado pelas duas mortes? Perez, embora tenha vivido há algum tempo na ilha, precisa se reacostumar e estabelecer sua linha de investigação. É interessante como seus métodos, ainda mais por estar em um vilarejo, são tão distintos daqueles que geralmente vemos nos crimes que ocorrem em grandes cidades, principalmente nas obras de ficção televisiva, com seus programas investigativos. O ritmo é completamente diferente e ao longo dos capítulos, somos levados a desacelerar os pensamentos, mesmo porque nada será revelado antes do momento.

E eu confesso que sou péssima em desvendar mistérios e crimes e com Corvo Negro não poderia ter sido diferente. O desfecho foi completamente inesperado e me pegou despreparada, como sempre acontece. E é isso que gosto nas histórias com investigações policiais. Não quero ser pega logo de cara sobre quem é o verdadeiro culpado, gosto quando há tempo de estabelecermos dúvidas, suspeitar um pouco de todo mundo até que todas as cartas estejam na mesa.
Apesar de ter demorado um pouco com a leitura, nada me fez ficar mais tranquila ou mais certa de que estava na linha de raciocínio correta. Acompanhar diversas linhas de pensamento com as narrativas alternadas, embora em terceira pessoa, foi de grande valia para que a perspectiva sobre o caso e tudo por detrás dele fosse ainda mais intrigante. No final das contas, parece que nem sempre a vítima está acima de qualquer suspeita e existem fatos sobre ela que podem, sim, nos dizer alguma coisa sobre o que lhe aconteceu.

Corvo Negro é uma leitura repleta de mistérios e com um desfecho surpreendente. Extremamente bem ambientado, você consegue acompanhar o cenário ao redor dos personagens, sente-se parte da trama e isso, para mim, foi o ponto alto de todo o livro. A autora definitivamente sabia do que estava falando! E conforme íamos acompanhando o desenrolar da história, era inevitável mudar as suspeitas de acordo com o comportamento e o avanço das investigações, toda essa amplitude de perspectivas foi fundamental para tornar a narrativa tensa e reveladora.
Gostei muito da dinâmica e o final me tirou as palavras. A capa é uma graça, embora misteriosa, o que já chama bastante a atenção e a promessa de uma investigação em um povoado que já tem seus próprios segredos, sobre uma menina que também tem um passado, transformaram-se nos ingredientes certos para uma leitura deliciosa e cheia de dúvidas que foram, aos poucos, sendo esclarecidas.
Eu, como um belo fracasso em descobrir o verdadeiro culpado em todas as histórias de que gosto bastante, me reafirmei com Corvo Negro, sendo pega totalmente de surpresa, o que só confirmou ainda mais que o livro foi muito bem escrito e é um prato cheio para quem gosta de uma boa história com um assassinato e uma investigação sem abrir mão dos mistérios que as pessoas são capazes de manter.
Fiquei surpresa pelas margens pequenas na edição da Record, o que deixa as páginas com maior quantidade de texto. Isso e um ritmo de leitura mais lento deixaram a leitura devagar, mas não atrapalharam o desempenho. Foi um livro muito bem feito e que eu adorei! Totalmente indicado!

"Todos queriam representar um papel naquela peça. E ela queria saber o que ele iria fazer com o que ouvisse." 
(pág. 118)

Nota:



8 comentários:

Andrea Duarte disse...

aaaaaamo investigação. Gosto de desvendar os mistérios antes de o livro revela-los. Amei a história ! Gostaria de ler.
bj, dréa

Monica Navarro disse...

Só de saber que a história se passa na Escócia, fiquei interessada.
Também sou péssima em acertar o assassino e seus motivos, sempre acabo errando.

Desbravadores de Livros disse...

Assim fica difícil, Vê. Minha lista só aumenta no seu blog.
Assassinato, investigação? É comigo mesmo. Por se passar em uma lugar como a Escócia, algo tão incomum nos livros estrangeiros que chegam ao Brasil, só faz me chamar mais ainda a atenção.

O livro ter te pego de surpresa quanto ao assassino só me deixa mais curioso.

Gisele Pereira disse...

uau, depois dessa resenha até fiquei curiosa para ler algo desse gênero, já que nunca li livros de investigação =P

JessicaLisboa disse...

Não conhecia eesse livre ate agora, mas ja vi que vou gostar bastante dele!! A trama de misterios é algo que chamou bastante atenção,a narrativa parece se desenrolar muit bem, espero poder ler em breeve ssa historia!

Jaqueline Felix disse...

Aprecio muito investigações policias em livros e, geralmente, descubro logo o culpado. Eu gosto disso, tentar adivinhar e, depois a sensação de que venci.
E cidades pequenas são um prato cheio para bons mistérios, porque sempre tem alguém que conhece uma história, que jura que é verdadeira e que te deixa de cabelo em pé. E são esses boatos que resultam em bons livros.

Aline Ramos Costa disse...

Sou fascinada por livros policiais e esse já me prendeu totalmente a partir de sua resenha. Estou louca pra tentar devendar o mitérios desse vilarejo e saber o que tem no filme de Catherine... Obrigada por essa indicação..Não conhecia o livro,ma já vai pra minah lista dos mais desejados.
bjs e fique com Deus.

ELIZABETH MACHADO DE SALLES disse...

Uma história deste estilo seria bom de ler. Tem uma trama bem elaborada e empolgante pelo que pude notar. Mistérios e perseguições é o meu tipo de leitura. Com certeza vou adorar ler. Espero que logo.
Beijos.