domingo, 13 de julho de 2014

#Resenha: Eu Me Chamo Antônio - Pedro Gabriel

Eu Me Chamo Antônio
Autor: Pedro Gabriel
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 192

"Antônio é o personagem de um romance que está sendo escrito e vivido. Frequentador assíduo de bares, ele despeja comentários sobre a vida — suas alegrias e tristezas — em desenhos e frases escritas em guardanapos, com grandes doses de irreverência e pitadas de poesia. Antônio é perito nas artes do amor, está sempre atento aos detalhes dos encontros e desencontros do coração. Quando está apaixonado, se sente nas nuvens e nada parece ter maior importância, e, quando as coisas não saem como esperado, é capaz de enxergar nas decepções um aprendizado para seguir adiante. Do balcão do bar, onde Antônio se apoia para escrever e desenhar, ele vê tudo acontecer, observa os passantes, aceita conversas despretensiosas por aí e atrai olhares de curiosos. Caso falte alguém especial a seu lado (situação bastante comum), Antônio sempre se acomoda na companhia dos muitos chopes pela madrugada."

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Está aí a prova de que uma sinopse pode, sim, enganar. Quando li pela primeira vez, jurava que Eu Me Chamo Antônio seria uma história construída de forma inédita: contada através de ilustrações feitas com caneta hidrográfica em guardanapos de bar. Mas o que eu acabei encontrando foi um livro que é para ser visto, não lido.
Totalmente fotográfico, ele reúne os guardanapos cuidadosamente desenhados e preenchidos pelo autor, Pedro Gabriel, mas como se fossem os pensamentos da vida de seu alter ego, Antônio. É uma obra de arte, preto no branco apenas, raramente contendo desenhos, mas que foram divididos em vários setores diferentes, cada um contendo um significado.

Um dia, a liberdade será tamanha que abriremos as nossas asas sem ferir ninguém.

O problema com Eu Me Chamo Antônio é que não é um livro de conteúdo literário, mas puramente artístico. Eu sabia que iria encontrar muitos guardanapos desenhados pela frente, mas sequer tinha ideia de que eles não teriam uma linearidade, um enredo que contasse a história de Antônio. Cheguei a pensar que seria uma espécie de HQ, mesmo que tivesse uma frase por guardanapo, mas o que encontrei foram adaptações de frases de conhecimento geral, transcritas em letras intrincadas e floreadas, às vezes de tal forma que ficava impossível ler.
Felizmente o autor (ou seria artista?) deve ter se conscientizado de que nem todo mundo seria capaz de compreender o que estava escrito e sabiamente organizou um índice no final, contendo todas as frases que estão desenhadas ao longo do livro. Uma sacada de grande ajuda, principalmente na hora de verificar se você entendeu certo o que estava no guardanapo.

Quem fica faz arte com as sobras de quem parte.

Eu Me Chamo Antônio é aquele livro que não deveria ser livro, mas um objeto de exposição. Feito com tanta qualidade visual, dá vontade de rasgar as páginas, emoldurá-las e colocá-las na parede. No quesito conteúdo textual, não é nada inovador; o apelo mesmo está no design. Papel grosso, colorido a perder de vista nas páginas que acompanham os guardanapos, uma verdadeira exposição ao alcance de nossas mãos.
Confesso que esperava mais criatividade do autor no desenvolvimento da história que é proposta na sinopse do livro. Acredito que, se ele escrevesse pouco a pouco a história de Antônio dessa mesma maneira, seria o máximo! 
Infelizmente (ou felizmente) a arte se sobressai e o passatempo acaba transformando-se em simplesmente decifrar o que está escrito e finalizar o livro com a certeza de que foi mais um colírio para os olhos do que uma história capaz de fazer a diferença. A nota final, afinal de contas, vai única e exclusivamente para a arte e o trabalho artístico do autor. Mas eu adoraria ver Pedro Gabriel tentando construir uma história com essas ilustrações bem diferentes, feitas em guardanapo.

Se você não consegue virar a página, troque o livro. Existem tantas histórias interessantes esperando para serem lidas, esperando para serem lindas.

Nota:



5 comentários:

Andrea Duarte disse...

nossa. Primeira resenha que leio de "Eu Me Chamo Antônio" e me surpreendi. Assim como você, pensei que seria um livro na qual teria um enredo, uma história a ser contada. Fiquei muito surpresa, mesmo!
Mas a arte do livro deve ser elogiada, são frases belas e a composição física do livro não deixa nada a desejar, é bonita. Acho que o único erro foi o de interpretação.
Gostaria de le-lo, principalmente saber como o autor encaixa tudo no final.
bj, dréa

Ana Clara disse...

Oi Vê.

Eu já sabia que o livro é uma coletânea das artes do Pedro Gabriel e mesmo assim estou louca para tê-lo em mãos. Entendo a sua vontade de ter uma estória concreta da vida do Antônio, pois eu também quero... Acho de verdade que o Pedro devia investir nisso, já que criatividade ele tem de sobra. Ainda assim, acho que "Eu Me Chamo Antônio" é uma obra para ser digerida e sentida.

Beijos!
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alice aguiar disse...

eu achei esse livro bem ruinzinho viu '-' sem graça mesmo

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Monica Navarro disse...

Também achava que era um livro com enredo. Deve ser muito bonito visualmente, mas acho que não gostaria de ler.

Desbravadores de Livros disse...

Sigo o Instagram do autor e fico encantado com a arte dele, Vê. Eu sabia da não linearidade da obra. Mesmo assim, pretendo comprar o livro dele. É algo mais para apreciar sempre, não para ler com afinco.