sábado, 2 de agosto de 2014

#Resenha: Assassinato no Campo de Golfe - Agatha Christie

Assassinato no Campo de Golfe (Poirot #02)
Autora: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Número de páginas: 296

"Monsieur Hercule Poirot recebe uma misteriosa carta de um milionário sul-americano, monsieur Renauld, dizendo precisar dos serviços de um detetive e pedindo sua ajuda. A carta não dá detalhes do caso, nem informa exatamente o que está perturbando monsieur Renauld, só menciona que sua vida está em perigo. Imediatamente Poirot, seguido de seu assistente, o inseparável Hastings, parte para Merlinville-sur-Mer, uma pequena cidade no litoral francês onde reside o milionário. Porém, ao chegarem à casa de monsieur Renauld, descobrem que ele foi assassinado naquela noite, em um crime brutal: Renauld fora apunhalado pelas costas, estirado ao lado de uma cova no campo de golfe da propriedade.
Quem teria motivos para assassinar monsieur Renauld? Por que Poirot tem a estranha sensação de que muitas coisas lhe são familiares neste caso?"

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Resenhas anteriores:

Mais um caso de Hercule Poirot que eu simplesmente não resisti e tive que ler. Apesar de ser um pouco difícil de encontrar alguns títulos de Agatha Christie, quando soube que a Globo Livros estava relançando alguns títulos com capas modernas, não pude evitar adquirir e menos ainda ler rapidamente. Assassinato no Campo de Golfe é uma leitura relativamente rápida. Narrada mais uma vez pelo fiel acompanhante de Poirot, Hastings, acompanhamos o que deve ser um dos casos mais misteriosos de todos para o ex-detetive belga.
Após receber uma carta urgente de um milionário que possui uma mansão na França, Poirot e Hastings embarcam para tentar descobrir a origem das preocupações de monsieur Renauld sobre estar temendo pela própria vida. No entanto, ao desembarcarem na estação da pequena vila, descobrem com assombro que o homem foi assassinado na noite anterior. As circunstâncias são bizarras: ele foi encontrado caído próximo a um buraco num campo de golfe que está em construção aos fundos de sua propriedade com um punhal cravado no meio das costas.

"- (...) Mas os demais, os Hercules Poirots, estão acima dos peritos! A eles os peritos entregam os fatos, e, com os fatos, os Poirots partem para a metodologia do crime, a dedução lógica, a sequência correta dos acontecimentos." 
(pág. 22)

Como se isso já não fosse ruim o suficiente, Poirot ainda precisa lidar com um investigador mais jovem e arrogante, que desdenha de seus procedimentos de investigação, acreditando que tudo de que precisa para solucionar um crime encontra-se na própria cena do crime e nos testemunhos e não no psicológico daqueles que cometem tais atrocidades.
Irritado com a resistência, Poirot decide levar adiante sua própria investigação tendo apoio dos outros participantes desse caso, por ainda ser um ilustre detetive de respeito e por ter sido chamado pelo próprio morto. Mas, mesmo assim, a investigação não anda nada bem; as provas são desencontradas, os testemunhos são confusos e não fazem o menor sentido, principalmente quando a identidade de algumas pessoas neste caso começa a ser posta em dúvida.
Acompanhando o desenvolvimento do caso pela perspectiva de Hastings, ele quase põe tudo a perder quando deixa uma jovem moça adentrar a propriedade e lhe mostra tudo sobre o caso de assassinato, tomado pelo fascínio em estar explicando para uma bela jovem sobre o seu trabalho e o de Poirot. O baixinho belga praticamente precisa agir sozinho em seus métodos se deseja esclarecer este assassinato de uma vez e, para isso, precisa encontrar o elo que faz com que este crime seja tão semelhante a um outro do qual ele tenta se lembrar de todos os detalhes.
No final, todos podem estar mentindo, mas são movidos por um único sentimento: amor. Distorcido ou não, quem são essas pessoas e por que não dizem nem quem elas realmente são? O que há no passado delas que parece ter voltado para assombrá-las?

"- (...) O ser humano é um animal sem originalidade. Falta-lhe imaginação tanto dentro da lei, no seu cotidiano respeitável, como também fora dela." 
(pág. 106)

Assassinato no Campo de Golfe revelou-se outro caso intrincado brilhantemente desenvolvido com a escrita ágil e misteriosa de Agatha Christie. Embora esta seja apenas a segunda aventura de Poirot que leio de forma cronológica, muitas coisas acontecem que podem parecer meio deslocadas, quase como se eu estivesse lendo o último livro dele e não apenas o segundo. À parte dessa sensação, se antes eu já achava Hastings meio ingênuo e fraco quando relacionado à mulheres, desta vez eu tive completa certeza de que ele é um verdadeiro pateta.
Infelizmente sua narrativa é um pouco chata, ficamos muito no escuro quanto ao desenrolar da investigação que Poirot mantém; ele participa de alguns momentos, mas, muitas vezes, Poirot prefere seguir seu curso sozinho. Quando ele tenta deixar que o amigo coloque os fatos em ordem e chegue à uma conclusão, Hastings romantiza tudo e dá um tiro no escuro, errando terrivelmente o alvo e a linha de raciocínio que o simpático belga sempre tenta lhe ensinar. É meio frustrante perceber que ele não consegue pegar o fio da meada e precisa de muitos incentivos de Poirot para que consiga chegar a uma resolução no mínimo perto da verdade.
Ao contrário de Sherlock Holmes, Poirot prefere que a resolução seja alcançada por si só e, por isso, Watson e Hastings podem se dar as mãos, porque são lentos e nem um pouco perceptivos.

"- Ah, mais tarde! Bem, para início de conversa, eu estava magoado com sua falta de confiança em mim. Além disso, eu queria ver por quanto tempo você e seus sentimentos resistiriam aos fatos. Na verdade, se o que você sentia era amor ou apenas um fogo de palha. Mas eu não deixaria você persistir tanto tempo no erro." 
(pág. 265)

O que realmente me irritou nesse livro foi o comportamento de Hastings. Ele não só não pode ver um rabo de saia que fica todo apaixonado, como também não aprende nada ao conviver com o amigo belga, apenas que ele pode ser bem perspicaz e misterioso. Mas não é isso que buscamos quando estamos lendo o livro; queremos resoluções, pistas, teorias! E, não fosse os raros momentos nos quais Poirot libera partes de seu raciocínio, acho que tudo seria ainda mais chato.
Em momento algum este crime fica monótono, são pistas e mais pistas, algumas delas falsas e outras desencontradas. Ficamos no escuro durante grande parte da investigação e, ao final, quando tudo é revelado, mostra-se uma verdadeira e brilhante justificativa para todos os fatos que ocorreram durante o livro. Poirot é sempre um show à parte, suas aparições são bem divertidas e seu comportamento é peculiar, mas muito eficiente. Por outro lado, Hastings mostrou-se um verdadeiro bobão e seu desfecho me deixou bem decepcionada porque, na minha opinião, foi patético.
Adoraria poder acompanhar Poirot mais de perto, cada detalhe de sua investigação e não apenas quando ele a relata para Hastings, para tentar situar o aéreo amigo na investigação, mas durante o desenrolar do caso. A genialidade do mistério e do que levou ao crime continuaram sendo o ponto mais alto do livro, motivo pelo qual eu devorei as quase 300 páginas em apenas um dia. São capítulos curtos, as margens são bem espaçadas e a diagramação da Globo Livros é muito confortável, sem contar que a capa ficou maravilhosa!
No mais, espero realmente que Hastings melhore seu comportamento nas próximas histórias ou que, pelo menos, a narrativa deixe de ser sob seu ponto de vista. Acho que ficaria tudo mais divertido e interessante. Mas Assassinato no Campo de Golfe é mais do que indicado para quem está em busca de um título com Hercule Poirot, quem deseja ler um pouco mais da escrita instigante de Agatha Christie e, é claro, para quem gosta de um bom mistério e uma boa investigação!

"Eu me virei para o outro lado com um sentimento de asco. O que as mulheres de hoje em dia têm na cabeça? Aquela excitação sádica era nauseante."
(pág. 92)

Classificação:

O quê? Não entendeu a nota? Então clique aqui e descubra mais essa novidade do blog! ;)



17 comentários:

Nathalia Simião disse...

Até hoje eu só li um livro da Agatha Christie mas que tinha duas histórias eu acho. Gostei bastante do Poirot e fiquei querendo ler mais. Esse livro parece ser muito bom mas mesmo sem ler eu acho que gostaria mais e fosse narrado pelo Poirot, pra gente poder saber o que ele está pensando, a quais conclusões ele chega e etc.

Luiza Maia disse...

Adoro mesmo Poirot e fiquei curiosa pra ler! Estou com um pouco de medo de me decepcionar com esse livro, porque eu adoro a Agatha! Mas eu vou e preciso me arriscar haha (:

Beijos! Ótima resenha!
http://heartbreaker-girls.blogspot.com.br/

Monica Navarro disse...

O mulherengo Hastings atrapalhou um pouco a narrativa do livro. Deu para sentir sua frustação.
Adorei essa capa. Ficou muito bonita.
Preciso urgentemente ler Aghata Christie.

Andrea Duarte disse...

Gosto de mistérios e investigação. Fico tentando adivinhar o desfecho antes da revelação do livro. Mas não gostei do personagem principal. Pelo menos não como você o descreveu. Acho que não leria.
Bjs, drea

Wal Bandeira disse...

Eu adoro um livro sobre misterios e investigações,
adoro este clima de é..não é rs, fico ansiosa demais e sempre leio mais rapido.
O personagem principal não sei se seria um personagem do qual eu iria gostar de cara, mas no passar da leitura talvez eu me acostume rs com ele, pretendo ler,
beijos.

Fran Ferreira disse...

Nossa.... eu adoro livros com investigação, quando vi os livros da Agatha me apaixonei de cara; não conheço nada da autora, mas acredito que vou ama-la. Se não me engano foi aqui que conheci tais livros da autora, enfim, como gosto do gênero com toda certeza ele já entrou em minha lista. Pelo que entendi terei que ir para o 1º para entender a lógica do raciocínio de Pairot, mas isso não é problema, até prefiro. Só não faço ideia qual seja o 1º. Quero só ver o qual "pateta" deve ser Hastings.


Bjsss

Desbravadores de Livros disse...

Suas resenhas da Agatha me fazem gostar mais ainda do seu blog, Vê. Aqui é o único blog que eu conheço que posta resenhas da Agatha com frequência.
Eu não tenho esse livro dela, mas desde que lançou com a nova capa, eu fiquei tentado a comprá-lo. haha
O fato de o livro não ficar monótono dá mais vontade de ler a obra e eu acho que vou gostar do Hastings. Gosto de personagens "diferentes". rs

Nara Brasil do Amaral disse...

Parece ser um caso interessante, mas tenho que admitir que quando você falou que a narrativa do assistente de Poirot é um pouco decepcionante, fiquei com um pé atrás para lê a história. Mas você fala com tanto carinho dessa autora, que muitas vezes parece até que o livro tem um "pó mágico", que mesmo tendo algumas coisas que não ficaram assim tão legais, nunca deixa de encantar... Então acaba que parece ser realmente uma boa leitura, pretendo ler, mas estou mais interessada em conhecer a personalidade do detetive Poirot, do que a do seu assistente, que me pareceu um tanto sem graça.
Ahhh e adorei as novas notas, achei uma fofuraaa!! Muito bem bolado, aqui fica meus parabéns para vc e Ricardo, que por falar nele, vou até dar uma passadinha no blog dele tb! Um bj!

Aline Ramos Costa disse...

Eu gosto muito dos livros da Agatha, mas existe alguns dela que detesto e muito..srrs..como sou fã incondicionald e livro de supense o policiais, esse definiotivamente me chamou a atenção..mas, estou com receio pois vc disse que as vezes a narrativa era chata,decepcionante. Mas, mesmo assim, pude perceber que o suspense vai conseguir prendr minha atenção... Parabéns pela resenha..Adorei..bjs

Anny Alves disse...

Oie!
Agatha é uma mestra em livros policiais haha.. Tenho uns 3 livros dela aqui em casa.. Esse eu nunca li, mas eu gosto sim de um bom mistério e investigação haha :D
Vou tentar lê-lo, aah é e essa capa é realmente bonita hehe :)
Bjs
Anny

Érika Rufo disse...

Gosto muito dos livros da Agatha Christie, mas são poucos os que tive oportunidade de ler. Esse parece ser mais um bom mistério, embora pareça que a narrativa seja um pouco mais chata fiquei com vontade de ler. Fora que a capa é linda, né?
Beijos!!

David Galan disse...

Sempre que busco um bom livro de suspense leio as obras da Agatha Christie, ainda não tive a oportunidade de ler essa, mas parece apesar dos pontos negativos ser bom, o que estraga realmente são as partes do Hastings e seus momentos que não acrescentam nada ao livro, mesmo assim o final compensa todos os pequenos erros na narrativa, não entendo essa dupla onde Poirot trabalha mais sozinho do que em conjunto, a descrição da forma como ocorreu o assassinato de Renauld e quem é o assassino assim como suas motivações me fizeram querer ler mais essa história, as novas capas que a Globo deu aos livros da autora ficaram demais, muito lindas.

Veezinha disse...

Não se deixe desanimar pelo Hastings, Andrea. Apesar de ele ser o incômodo narrador, ainda tem muito o que aproveitar nessa história, viu? Vale à pena o esforço! ;)


xx

Veezinha disse...

Oi Fran!
Definitivamente você deveria dar uma chance a Agatha! E não precisa ler na ordem não, viu? Eu faço isso porque é uma mania minha mesmo. rsrs Mas, em todo caso, o primeiro livro do Poirot é "O Misterioso Caso de Styles", ok?
Espero que goste! ;)


xx

Veezinha disse...

Que bom ler isso, Marcos! Fico muito feliz que curta as resenhas da Agatha! E, vamos combinar, agora as editoras estão em guerra para ver quem lança a melhor capa de Agatha Christie: L&PM, Globo e agora até a Nova Fronteira entrou na briga! Haja bolso para tudo isso! rsrsrs


xx

Veezinha disse...

Oi Nara!
Pode se arriscar a ler Agatha sim, pois, embora você não goste de alguns personagens, a história e a elucidação do crime tem o seu charme e chamam atenção por si só. Pode confiar!
Infelizmente não conhecemos muito do Poirot nesses primeiros livros, mas espero que isso mude ao longo das leituras. É uma autora que valea a pena conferir!
E fico muito feliz que tenha gostado das notas, foram feitas com muito carinho para vocês! *-*


xx

Veezinha disse...

Exatamente, David! Você levantou um ponto muito importante: a parceria entre Hastings e Poirot. De fato, Poirot sempre acaba elucidando os fatos sozinho, fazendo pequenas viagens e desaparecendo da história, nos deixando com o Hastings e sua perspectiva avoada. Uma pena, porque eu gostaria muito de acompanhar apenas o Poirot na elucidação de um crime; acho que seria muito legal!


xx