domingo, 3 de maio de 2015

Por que a Bienal do Livro de São Paulo passou despercebida no blog?

Muito provavelmente, todos vocês devem ter se perguntado: "Ué, por que a Verônica não contou sobre nada sobre a Bienal aqui no blog? Nem uma postagem, nada de fotos... O que aconteceu?"

2014 foi um ano super movimentado, literariamente falando, para mim. Não só pude comparecer a inúmeros eventos de lançamentos e garantir várias assinaturas e dedicatórias de autores novatos e veteranos, como também lancei meu primeiro conto em antologia impressa, mediei meus primeiros eventos e é claro que, no meio dessa agenda toda, não poderia deixar de visitar a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.


O problema foi que o evento deixou, e muito, a desejar. E talvez este tenha sido um dos maiores motivos para eu não ficar tão entusiasmada em publicar sobre ele por aqui. Entretanto, está mais do que na hora de compartilhar a minha experiência e meus infortúnios neste evento para os amantes de livros.


A começar, a edição do ano passado oferecia a possibilidade de blogueiros adquirirem uma credencial específica para adentrar gratuitamente a Bienal durante toda a sua duração. Eu fiz a minha inscrição, mas não consegui a credencial, embora tenha visto muitos blogueiros transitando com o crachá por lá. Não sei ao certo qual foi o critério para a seleção, mas fiquei sem saber se tinha ou não conseguido por não receber qualquer e-mail por parte da organização.


Ainda assim, consegui que tanto eu, quanto meus pais visitássemos a feira de forma gratuita e, a isso, devo um imenso obrigada à editora Arqueiro, pelo meu ingresso cortesia, e à Nathalia Bim, da Livraria Pergaminho, pelos ingressos para os meus pais. Vocês nos salvaram de uma imensa roubada que seria ter de passar pela fila para comprar ingressos.

Outro ponto que me assustou demais foi o tamanho da fila na hora que chegamos (eram pouco mais de 8h30 para a abertura dos portões ser às 10h). Quando fui pela primeira vez, em 2012, eu e meus pais fomos no último fim de semana da Bienal, um domingo, coincidentemente, Dia dos Pais. E estava muito tranquilo! A fila para comprar ingressos era praticamente inexistente e a entrada foi rápida e sem tumulto. Em 2014, o cenário era inesperadamente diferente e surpreendente.

A fila estava dando voltas e mais voltas, enorme, quilométrica, a perder de vista. Demoramos um bom tempo até que conseguíssemos entrar no Anhembi e, com a lista de compras na mão, uma mala de rodinhas na outra, parti para mais uma visita que prometia ser bem tumultuada. Este era o primeiro fim de semana da Bienal de 2014.


Mas uhul, vamos lá, mais uma Bienal, eu tinha passado meses guardando um dinheirinho e agora estava com minha lista de livros desejados impressa e em mãos, uma roupa confortável, uma mala para não ficar com dores nas costas e muita disposição. Vamos para o mapa de estandes e ver em quais editoras ir primeiro! Estava decidida a não cometer os erros da edição anterior e meu foco estava em comprar só o que estivesse com o preço realmente bom e vantajoso. Só que...


...Não era a mesma ideia dos expositores. E não acho que jamais tenha visto uma feira com preços dignos de livrarias físicas de shopping. Pior de tudo é que te olhavam como se fosse um extraterrestre se você tentasse negociar um desconto. Não, era aquele preço da etiqueta. Não, não dava para dar mais desconto. Não. Não. Não. Não.
Não até para os brindes e marcadores de página. Era um só e "você já pegou demais, não acha?". Podem acreditar, eu ouvi muito disso por lá. Fiquei bem decepcionada, pois a grande maioria dos vendedores eram rudes e inflexíveis. Corriam as notícias de que, com as vindas de autores internacionais e nacionais extremamente renomados, o tumulto para as sessões de autógrafos e palestras era tão grande que muita gente se infiltrava nessa multidão para dar uma de mão leve nos estandes.
Por isso que muitos deles tinham limite de pessoas para entrar por vez, o que causava filas enormes que circundavam o estande e atrapalhavam demais o trânsito nos já extremamente apertados corredores do Anhembi.

Estandes menores, corredores estreitos, público enorme e desordenado, preços altos, descontos baixos, brindes controlados e escassos, atendentes impacientes e rudes. O que é que eu estava fazendo lá mesmo?


Evidente que você vai responder: "Ora, comprando livros!" E, sim, eu comprei alguns, mas não sem antes pensar bastante e só levar onde consegui um preço realmente bom, sem sair do meu orçamento limite, que era aquele dinheiro que eu tinha guardado. Uns R$500,00. Voltei para casa assim:


24 livros e alguns brindes; bem menos do que da última vez, quando eu comprei pouco mais de 30 livros e voltei com uma penca enoooorme e interminável de marcadores e brindes. Sem contar os livros que já saí de casa carregando para conseguir o autógrafo dos autores que estariam por lá. Sabe quantos autógrafos consegui? Um só. O que significa que carreguei peso para lá e para cá praticamente à toa. E tudo porque o Anhembi estava absurdamente lotado e cheio de filas e senhas para tudo quanto era lado.
Alguns estandes eu não visitei, como os das editoras Intrínseca e Grupo Editorial Record de TANTA fila que tinha e nunca diminuía. O estande em que consegui o melhor negócio foi o da editora Novo Século, onde adquiri sete livros e ainda ganhei um kit de blog parceiro; o pessoal de lá foi bem receptivo e aberto para negociar e era o lugar onde você mais podia encontrar os autores e conversar facilmente com eles. Outras editoras sequer estavam em qualquer lugar por lá, como a Valentina. Muitas delas estavam com estandes minúsculos e apertados, dificultando o trânsito das pessoas. Um lugar tão grande como o Anhembi e, ainda assim, tão pequeno e saturado para acomodar um evento deste porte. Faltou muita organização!


Então, não, eu não curti a Bienal do Livro de SP 2014. Foi uma grande decepção. Claro que houve exceções, mas foram tão poucas que o sentimento que restou depois da minha viagem até lá foi indignação e irritação. Não gastei nada além do dinheiro que tinha separado para isso e fiz o que pude para conseguir bons negócios, mas de uma coisa estou certa: se eu voltar nas próximas edições, não irei para comprar livros de jeito nenhum. Talvez vá para conhecer este ou aquele autor ou para alguma outra oportunidade que ainda não tenho certeza. Mas meu encantamento com o evento diminuiu drasticamente.
E o mais difícil foi passar a semana seguinte à minha viagem para lá, vendo as fotos dos estandes das editoras distribuindo brindes a rodo, enquanto que no dia em que fui, precisava quase implorar para receber alguma coisa.

Eu, toda vez que via uma foto dessas no Facebook.
Nem preciso comentar sobre a comida que, apesar de bem variada, estava cara e não havia lugares na praça de alimentação para sentar! Nem na feira inteira, pra falar a verdade. Os locais de descanso estavam isolados nas laterais do Anhembi e, acreditem, para você chegar até lá, não era nem um pouco fácil e, uma vez sentada no chão duro mesmo, todas as suas forças e animação se esvaíam rapidamente que você só queria saber de continuar sentada, longe do calor e da muvuca, em um lugar mais fresquinho, onde não tivesse de se preocupar com suas bolsas e malas. Eu não cheguei a ir ao banheiro, mas, quem foi, comentou que você não ficava livre das filas nem por lá e que a manutenção deles era terrível. Sem contar que eles também ficavam em locais escondidos e isolados. Resumindo: não havia rota de fuga no meio daquele emaranhado de corredores, estandes e visitantes.

Faltou organização, faltou investimento, faltou espaço. Mas, se tem uma coisa da qual não posso reclamar, é do aplicativo para celular da Bienal. Ele melhorou muito mais em vista do que estava disponível em 2012 e você podia agendar lembretes para eventos e sessões de autógrafos, favoritar expositores, autores e obras que seriam lançadas lá para acessar com maior facilidade depois. Então, nesse quesito, o resultado foi muito positivo! Espero que melhore ainda mais para os próximos anos, assim como tudo o que vivenciei no ano passado, seja diferente em 2016 (apesar de, como sabemos, coincidir com ano de Olimpíadas, aí já viu como ficará esse país...).

Agora que já compartilhei com vocês a experiência desastrosa que foi minha ida à Bienal do Livro de 2014 em São Paulo, está na hora de falar da parte boa: os livros que comprei!

No estande da Novo Século, como disse anteriormente, foi o lugar onde consegui maior desconto e onde os vendedores estavam mais atenciosos e dispostos a negociar. Adquiri alguns lançamentos e outros que já queria há muuuuito tempo! Fangirl era um dos lançamentos da editora, assim como Renascer de um Outono e, aliás, consegui pegar autógrafo da Samanta Holtz lá mesmo! Proibida, Amante da Fantasia, Karma Club, A Caminho da Sepultura e O Outro Lado da Memória eram os que eu desejava já há algum tempo!

Na LeYa, você recebia o desconto ao enviar uma mensagem via SMS para apresentar no caixa. Aproveitei para comprar o lançamento Dublin Street e os já desejados: Uma Bruxa na Cidade, As Lembranças de Alice e Juliette Society.

No estande da Gente/Única, comprei o lançamento Dark House, que estava com desconto.

Na Arqueiro/Sextante, adquiri Sete Dias sem Fim, Como Falar com um Viúvo e Tudo Pode Mudar, todos do mesmo autor e todos que eu estava curiosíssima para ler. Dois deles, inclusive, estavam por menos de R$10,00!

Na Universo dos Livros eu encontrei, além do staff mais estressado, Louca por Você e A Ruiva Misteriosa com desconto! Embora os livros estivessem sem preço e as vendedoras nada soubessem sobre o valor deles, pelo menos lá estava um pouco mais calmo.

Apimentando eu já havia encomendado anteriormente com a autora, Janaina Rico, e tudo o que precisei fazer foi levar o código da compra e retirar diretamente com ela em um estande que reunia diversos autores independentes. Ganhei uma dedicatória especial e um kit de balas.

A HQ de Os Três Mosqueteiros e Não Olhe para Trás eram dois livros da Farol que eu queria muito adquirir e não pensei duas vezes ao escolhê-los dentre as várias opções!

Um estande diferente que visitei foi o da WMF Martins Fontes, onde adquiri o intrigante Os Diários de Bluebell e uma das várias edições de Quem é você, Alasca?

Da editora Pensamento, comprei O Fantasma de Anya e O Estranho Mistério das Quartas-Feiras

E agora começa a seção de brindes: esta foi a ecobag que ganhei da Novo Século, junto com uma caneca, caneta e bottons.

A sacola foi o que sobrou do kit sobrevivência do blogueiro que a Novo Conceito estava distribuindo aos seus blogs parceiros. Nele continha um potinho de batatas Pringles, uma barra de cereais, uma caixinha de Tic Tac, um botton e um copo d'água. Tudo para que o blogueiro não passasse apertos durante a sua visita!

A revista Eu Leio Brasil recebi da autora Janaina Rico, o bloco de notas, no estande da LeYa e os demais bottons com a Pensamento, Novo Século e Única.

A primeira parte de marcadores que consegui reunir.

A segunda parte...

A terceira...

E a última parte! Bem menos, somando-se a todo o resto, do que havia conseguido na minha primeira vez na Bienal.

Consegui a revista BANG! no estande da Arqueiro e o poster de Cartas de Amor aos Mortos eu não me lembro exatamente de onde veio. rsrs

Finalmente (eu sei, esse post ficou giganteeeesco!), o poster de Quem é você, Alasca? vinha ao adquirir qualquer uma das edições do livro e você podia escolher dentre três modelos. Uma ideia bacana e diferente das que vi por lá!


Resumindo e finalizando este post: eu tinha grandes expectativas para a Bienal e elas não foram atendidas; muito pelo contrário. Infelizmente acabou sendo um dia cansativo, mas voltei para casa bem aliviada por não ter comprado nada impulsivamente e ter gastado apenas o que tinha no bolso.
Para uma próxima vez, muitas coisas a se repensar e o enorme desejo de uma organização mais efetiva e uma melhor distribuição e aproveitamento do espaço, além de preços mais em conta.

Espero que tenham gostado e, caso tenham comparecido, não deixem de compartilhar suas experiências com a Bienal nos comentários! ;)


9 comentários:

Simeia Da Silva Perpetuo disse...

Oi flor, que decepção em? Da próxima vez venha para a Bienal de BH, tem muita gente mas é menos tumultuado que em SP e RJ.


Adorei suas compras.


PS: Quem me dera poder levar 5000 reais pra comprar livros,kkkkk


bjs




www.adorkable.com.br

Gislaine Oliveira disse...

Oii, tudo bem??? Eu nunca fui a bienal :P

Moro no RS daí já viu né? :P

Iria nesse ano, com a editora, mas ela faliu. Que sorte não???? hahahha

Mas tenho muita vontade de conhecer, apesar de saber que muitas vezes o negócio é assim, uma loucura :P

Beijooos

http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

Desbravadores de Livros disse...

Olá, Vê.
Realmente eu li algumas críticas quanto à Bienal do ano passado, o que é chato. Já que a Bienal aí de SP e a aqui do RJ possuem uma tradição enorme.
Quanto aos preços altos, isso já não é tão novidade. Tem que pesquisar muito. O truque que eu sempre uso é ir no último dia, nas últimas horas. Sempre deu certo.
Adorei as compras que você fez, Vê.

Amanda Arrais disse...

Eu moro na Bahia...então nunca fui.. tenho bastante vontade de conhecer, agora realmente não foi só você que achou que faltou organização.. vários outros blogueiros relataram a mesma coisa..

alice aguiar disse...

Eu fui a bienal apenas uma vez e quase morri pra sair de lá, é tanta gente e tem fila pra tudo que dá até uma tristeza.
se vc acha o evento de sp desorganizado é tem q ver aqui no rio tbm, é mt bagunça sabe e quase tive de comer no chão pq n tinha espaço pra sentar e comer lá.
nossa quanta coisa vc comprou. quando eu fui voltei apenas com dois livros.
sou bem tranquila pra comprar, vou mesmo na intenção de comprar algo das minhas séries e nada mais. tipo quase nada mesmo
http://www.seguindoocoelhobrancoo.com.br

nathalia silva disse...

Esse é o problema do Brasil com relação a esses eventos: a desorganização. Eu passei por um aperto também quando fui na turnê intrínseca aqui na minha cidade, era filas e mais filas, o horario foi o pior possicel e ainda mais no feriado... Enfim, claro que esse " pequeno" sofrimento não se compara com o seu nessa bienal de SP. Mais infelizmente é algo que esses eventos tem em comum. Não existe um preparo para receber a quantidade de gente que cresce cada vez mais.

beijos
http://ventoliterario.blogspot.com.br

Liih disse...

Caramba eu não tinha ideia de que tinha que pagar pra ir na bienal, já fui uma vez na daqui de Brasília com a escola, mas era bem melhor que a daí viu. E olha que aqui também tava uma bagunça, mas com tudo que você falou foi realmente muito desanimador. Tô até pensando duas vezes antes de me frustrar indo a bienal em SP. Nem sei como foi que você não deu as costas e voltou para casa.

suzana cariri disse...

Oi!

Ainda não fui na Bienal de são paulo mas adorei o post já peguei alguns informações caso for la esse ano e muito coisa que não sabia e adorei os livro principalmente Fangirl, Não Olhe para Trás, Louca por Você entre outros e os vários marcadores !!!

Fran Ferreira disse...

Nossa Vê, que experiência desastrosa. São nessas horas que agradeço por minha cidade não ser como SP, e assim ela consegue ter uma organização bem melhor, já fui em duas e não tive nenhum problema (há não ser extrapolar limite kk), mas espero que da próxima vez você consiga ter uma melhor impressão.
Alguns desses livros já estão em minha há algum tempo, para ficar grande o meu preferido é "Dark Horse".
Bjsss