domingo, 14 de fevereiro de 2016

#Resenha: Put some farofa - Gregorio Duvivier

Put some farofa
Autor: Gregorio Duvivier
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 208


"Dont repair the mess. The house is yours. I make question. Pardon anything. Go with god. Come back always. Publicada em Julho de 2014, a crônica que dá título a este volume, que cria uma conversa imaginária de um brasileiro com um gringo visitando o Brasil durante a copa, rapidamente se tornou um viral de internet, até ser comentada em artigo do Washington Post. 
Trata-se de uma amostra da verve humorística embebida de zeitgeist, crítica ferina e muito afeto de Gregorio Duvivier, um dos autores mais promissores do Brasil na atualidade. Reunindo o melhor de sua produção ficcional, Put some farofa traz textos publicados na Folha de S.Paulo e esquetes escritos para o canal Porta dos Fundos, além de alguns inéditos. 
Se Gregorio traz o raro dom da multiplicidade, tendo se destacado no cenário cultural brasileiro ao mesmo tempo como ator, roteirista, comediante, cronista e poeta, também múltiplo é este volume, que transita entre ficções, memórias de infância, ensaios sobre artistas que o influenciaram, artigos panfletários, exercícios de linguagem e outras experimentações. Os textos vão da pauta que está sendo debatida naquele dia no jornal ao completo nonsense; do amor ao ódio, do íntimo ao universal.
No conjunto, o que espanta no autor é o frescor, a coragem, a visão transformadora e, sobretudo, a capacidade inesgotável de se renovar a cada semana, contando sempre com a inteligência e a sensibilidade do leitor."

Compre: Saraiva | Submarino


Uma compilação de vários textos, de vários tipos, sobre os quais tinha grandes expectativas. Ao começar a leitura de Put Some Farofa, eu esperava encontrar o humor sempre presente, de maneira inteligente e na hora certa. Mas acabei me deparando com uma coletânea de escritos de Gregorio Duvivier que não chegaram a me fazer odiar completamente a leitura, mas não se fez nada de especial, como eu havia imaginado.

Comprei o livro como um presente de Natal para mim e não demorei a ler, pois havia lido rodando na internet o texto que dá título ao livro, Put some farofa, e tinha gostado bastante. Uma maneira divertida de descrever nossos hábitos e expressões do dia a dia traduzidas para o inglês. Ficou bem engraçado. Mas a inclusão do escrito em um livro me fez aguardar ansiosamente por mais textos que seguissem esse estilo.

"Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino."
(pág. 57)

Não posso dizer que não fiquei impressionada com a variedade de textos que Gregorio reuniu para o livro. Não se trata apenas de contos, crônicas, poesia ou um gênero determinado apenas. Cada um é de um jeito e essa dinâmica foi muito bem vinda, até porque a versatilidade deu uma ajudinha para que eu conseguisse terminar a leitura e não a largasse simplesmente pela metade.

Situações cotidianas, diálogos, pensamentos, protestos, de alguma forma, eu conseguia ver aqueles textos sendo interpretados, fosse na televisão, em um canal do YouTube ou até mesmo nos palcos do teatro. Não se trata de uma narrativa descritiva, cheia de detalhes, que constroem cenário e personagens, dão detalhes de suas personalidades e demonstram evolução; é tudo muito reflexivo. Nada ao ponto do biográfico, mas eu diria que Put Some Farofa é uma espécie de livro jornalístico.

"DONO O que a gente faz é que a gente aceita doações e oferece um brinde proporcional à doação. Doou dois reais e trinta centavos? Ganhou um quibe abençoado. Doou quatro e cinquenta? Ganhou uma ciabata cristã com direito a sagrado refresco. Doou doze e cinquenta? Almoço episcopal."
(pág. 71)

Religião, política, futebol, beleza, riqueza, pobreza, corrupção. Se você não encontra esses assuntos em livros de humoristas ou textos e outros meios de comunicação dos quais eles fazem uso aqui no Brasil, então pode ter certeza de que está diante de um livro inédito e promissor.
Infelizmente não foi o que aconteceu com este aqui. Mais do mesmo, apenas inovando nos vários gêneros literários encontrados nos escritos de Duvivier. Ri com poucos textos, outros achei até bem sem graça. Talvez eu devesse ter parado no texto "Put Some Farofa", curtido e compartilhado, mas deixado por aí.
Porque definitivamente não acho que fiz bom negócio com essa compra e acho que acabei indo com sede demais até o pote. Pode ser que o meu humor esteja fora de sincronia com a proposta do livro, mas eu esperava que fosse muito mais divertido e irreverente do que realmente acabou sendo.
Falando em termos técnicos, gostei muito da edição da Companhia das Letras, muito confortável de ler, só um pouco salgada no preço. Se você for fã do Gregorio Duvivier, ou gostar de algum trabalho dele, e quiser conhecer um pouco mais, talvez Put Some Farofa funcione para você, melhor do que aconteceu comigo. Ou se seu humor estiver em sintonia, pode ser que você até se divirta mais do que eu com a leitura.
Quis arriscar e conhecer um pouco do multifacetado humorista brasileiro, mas eu acho que fico com o Put some farofa e só. Realmente uma pena que não tenha funcionado.

"Eu sou muito criterioso em relação à altura das pessoas com quem eu ando. Na amizade platônica, a pessoa tem a altura que você quiser. Você só tem os benefícios da amizade, sem aquela obrigação de ir ao chá de panela, ou liberar no Candy Crush."
(pág. 163)

Classificação Final:


3 comentários:

Fábrica dos Convites disse...

Eu conheço um pouco do trabalho dele e geralmente eu gosto, mas confesso que não é um livro que me interesse.
Bjs, Rose

JessicaLisboa disse...

Sinceramente desde a capa essa historia não me agradou, então passo essa leitura.

Cris Setúbal disse...

Concordo com você, li esse livro no final do ano passado e fiquei um pouco decepcionada. Algumas crônicas são muitas boas, mas tem outros textos que dá vontade de largar logo a leitura.