sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

#Indicação - Filme: Animais Noturnos



Animais Noturnos (Nocturnal Animals) - 2016


Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho de uma gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado.



2017 mal começou e já veio com tudo nas adaptações literárias. Animais Noturnos é a adaptação do livro Tony & Susan, dirigido pelo estilista Tom Ford, com as atuações memoráveis de Amy Adams, Jake Gylenhaal e Aaron Taylor-Johnson, que, inclusive, ganhou o Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Coadjuvante pelo seu papel.
Eu confesso que considerei seriamente ler o livro, que já tenho aqui em casa, antes de ver sua adaptação cinematográfica. Fico feliz que não o tenha feito. O filme retrata a vida de Susan, dona de uma galeria de artes bem sucedida que encontra-se em um casamento sem graça e há mais de 20 anos não tem contato com seu primeiro marido, Edward.
Tudo muda, no entanto, quando ele lhe manda o manuscrito de seu mais novo livro, tendo dedicado a ela a história, a qual ela imediatamente começa a ler, embora surpresa pelo contato do ex-marido. "Animais Noturnos" é o título do livro que também dá nome ao filme. Enquanto somos tragados para a história intensa e impactante do livro de Edward, são mesclados momentos atuais, com as leituras de Susan e flashbacks, que mostram como Edward e Susan se conheceram, por que se casaram e até mesmo o que não deu certo na relação deles.
Acredito eu que, como qualquer leitor (eu, pelo menos, faço isso em 100% das vezes), Susan se insere na história em que está lendo, bem como ao marido, Edward, embora o personagem principal do livro se chame Tony. Isso, a princípio, me causou certa confusão, pois eu podia jurar que o nome do ex era Tony e, em dado momento do filme, me peguei questionando "Mas quem é Edward?".
Como todas as cenas e cenários se misturam e a intensidade do livro de Edward transborda para as telas, chegamos a nos perguntar se essa história realmente aconteceu, principalmente pelas reações iniciais de Susan em sua leitura. É uma história um tanto trágica, agonizante e que nos deixa grudados na cadeira do cinema, pois desejamos, tanto quanto Susan, descobrir o que aconteceu.
A fotografia do filme é incrível, o contraste entre a vida moderna e luxuosa de Susan e os ambientes da história de Edward, que se passa durante uma viagem ao Texas, é deslumbrante. Até mesmo o cabelo da Amy Adams fica ainda mais ruivo e chamativo nas cenas!
Eu chamaria Animais Noturnos de suspense, daqueles que até dá para se estressar, mas o mais incrível é se dar conta de que esse suspense, na verdade, é de uma história, de um livro que nos é apresentado no filme. Ou seja, o filme em si não tem nada, nada mesmo. É a história dentro da história que se destaca de forma imperiosa e toma conta do enredo.
O final, por outro lado, é um pouco... não diria decepcionante, mas deixa muita coisa em aberto. Não digo como se houvesse espaço para uma continuação, longe disso. O que temos aqui é um final aberto a interpretações. Quem assiste pode fechar a história da forma como quiser e encontrar as justificativas que foram apresentadas para se satisfazer. Algo realmente inteligente, mas talvez não da preferência de todos.
Nem preciso mencionar que eu assisti esse filme por dois motivos: porque era a adaptação de um livro que eu já tinha em casa e gostaria de conhecer melhor e por causa do Aaron Taylor-Johnson. Adoro os personagens dele e com este não foi diferente. Ele se destaca, samba sobre os outros personagens e conduz a história para um final arrebatador. Não é à toa que ele ganhou o Globo de Ouro. Além disso, a mensagem que Edward transmite nas páginas é muito clara quando vamos descobrindo mais da história dele com Susan. Ele quis mostrar a ela que não era fraco, que os sentimentos não o tornavam uma pessoa fraca. E acho que esse é o golpe de misericórdia do filme.
O livro, pelo que pude espiar depois de sair da sala de cinema, tem um final bem menos completo do que no filme, então, de todo, fiquei extremamente satisfeita. Animais Noturnos é aquele filme que fica na sua cabeça por longos dias depois de tê-lo visto. É aquele filme que te faz pensar, refletir, encontrar explicações e se satisfazer com o que melhor nos parecer.
Altamente indicado por todos os motivos já citados, totalmente imperdível! Só não ganha nota máxima por conta daquele final que me deixou na expectativa por algo mais, mas, depois de muita reflexão, me deixou levemente satisfeita.

Classificação final:



Nenhum comentário: