terça-feira, 10 de janeiro de 2017

#Indicação - Filme: Orgulho e Preconceito e Zumbis



Orgulho e Preconceito e Zumbis (Pride and Pejudice and Zombies) - 2016


Inglaterra, século XIX. Uma misteriosa praga espalha zumbis por todos lados, mas Elizabeth Bennet (Lily James), especialista em artes marciais e no manuseio de armas, está preparada para enfrentar os piores mortos-vivos. O que a incomoda de verdade é ter que conviver e lutar ao lado do arrogante Sr. Darcy (Sam Riley).


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Depois de apresentar a minha opinião sobre o livro que deu origem a tudo isso, seu mashup, nada mais justo do que apontar os dedos e as atenções agora para o causador dessa febre inesperada em mim: Orgulho e Preconceito e Zumbis.
E, ok, eu entendo que tem muita gente que não gostou dessa adaptação. Mas, caso você esteja em dúvida sobre se deve gastar pouco menos de duas horas assistindo a essa adaptação bizarra de Orgulho e Preconceito, permita-me ao menos tentar dissuadi-los de que vale, pelo menos um pouquinho, a pena se aventurar.


Ok, ok, eu confesso que, em um primeiro momento, eu também não levava a menor fé nesse filme. Primeiro, porque eu não curto zumbis (raríssimas exceções); segundo, porque só poderia ser uma adaptação satírica e escrachada de um grande clássico; terceiro, porque o elenco nem tinha tanta graça assim; e quarto, só podia ser ruim e ponto.
Mas, lançado TV paga, mais especificamente na HBO, eu perdi a estreia e assisti um mero pedacinho, do qual não gostei muito. Depois, resolvi começar do começo. E, desde então, não consegui parar de assistir. Posteriormente, fui me dar conta de que o filme teve muitas adaptações e pouco se parece com o livro.
Essencialmente, diálogos (principalmente o jeito de falar) e certas cenas foram reproduzidas. Por outro lado, três aspectos importantes foram deixados de fora, mas adianto que entendo completamente as concessões que foram feitas.
O cenário pós-epidemia é tão plausível quanto pode se esperar de um filme que se passa nos anos 1800. As mansões são fortificadas, existem túneis para evacuação em caso de ataque a zumbis e Londres é fortificada por uma enorme muralha, circundada pelo Canal Real. Elizabeth e as irmãs foram treinadas na China e são tão letais quanto belas.
O rebuliço se instala quando o Sr. Bingley ocupa Netherfield depois de uma chacina dos antigos moradores ter sido causada pelos mortos-vivos. Junto dele estão suas duas irmãs, Caroline e Louisa, além do marido desta e o Sr. Darcy. A fortuna e o prestígio, principalmente pelas posições militares dos dois aquece as rodas de conversa de Meryton e a imediata atração de Bingley pela mais velha das Bennet prenuncia um casamento muito favorável.

Observação um: os ataques a Netherfield não passam de uma mera frase no livro. A segunda frase, para ser mais precisa. No entanto, o filme soube desenvolver esta cena, em um esforço para apresentar não só os mortos-vivos, como também alguns personagens, especialmente o Sr. Darcy. Observação dois: há uma espécie de teatro de papel no início, como uma introdução narrativa, em que o Sr. Bennet explica às filhas como a Inglaterra chegou ao estado em que se encontra. Desde a manifestação da praga, a construção da fortificação de Londres e do Canal Real, além de um local bem importante para o filme: a Ponte Hingham. Isso, para mim, foi uma grande sacada dos produtores para situar o público e não deixá-lo à mercê de seu prévio conhecimento sobre o contexto de Orgulho e Preconceito. Foi uma escolha bastante acertada.
O elenco é formado por pessoas bem jovens e de notável destaque, como Lily James que, há pouquíssimo tempo estreava o live-action de Cinderela, Sam Riley, alguns podem lembrar dele em Malévola, Douglas Booth, que participou de O Destino de Júpiter e Romeu e Julieta, Bella Heathcote, que estrelará Cinquenta Tons Mais Escuros, e é claro que não podemos nos esquecer de Matt Smith, que já interpretou Doctor Who. É um elenco jovem e pop, com participação ativa na indústria cinematográfica. E eu devo dizer que todos representaram muito bem seus papeis, destaque para o Douglas que fez o Sr. Bingley mais fofo que eu já vi, embora muito pouco explorado no filme.


O filme não tem nem duas horas de duração, o que, na minha opinião, deixou espaço para que muitas coisas fossem exploradas. E eu estou falando da visita de Elizabeth a Pemberley, a propriedade do Sr. Darcy, além da participação de sua irmã, Georgiana, inexistente no filme. Quem leu ou já assistiu ao filme sabe que Georgiana e Pemberley são momentos bem interessantes de ambos os livros (tanto o original quanto o mashup) e eu senti muita falta dessa representação.
Outro ponto que deixou de ser explorado foi um acontecimento muito importante do livro (que eu não posso contar aqui, senão vira spoiler) envolvendo Charlotte Lucas e o Pastor Collins. Aliás, a representação do pastor foi bastante peculiar e divertida, às vezes até um pouco bizarra, o que combinou bastante com o tom absurdo do filme.
Por incrível que pareça, eu gostei de todas as adaptações feitas no roteiro em relação ao livro, motivo pelo qual gostei muito mais dele do que das páginas. Eu entendi perfeitamente o que eles trocaram e acabaram inserindo e, principalmente, a rejuvenescida que deram em Lady Catherine, acompanhou muito bem o toque jovial e cheio de ação proposto pelo filme.
A minha cena preferida é, sem dúvida nenhuma, o momento em que Darcy se declara para Elizabeth e eles começam uma disputa, cheia de golpes e destruição, o que o filme conseguiu trazer com mais intensidade e, até mesmo, sensualidade, do que no livro, que foi um momento meio morno. A licença poética para inserir uma história a respeito de uma guerra entre mortos-vivos e vivos liderada pelos quatro Cavaleiros do Apocalipse serviu para dar uma maior tensão e expectativa, o que só se intensificou com a cena final, inserida em meio aos créditos.
Em resumo, se você não ficou interessado pelo livro, ao menos dê uma chance para o filme. Não é uma daquelas satirizações ridículas. Orgulho e Preconceito e Zumbis tem sua dose de humor, lutas, sangue e cérebros. Poderia ter explorado outros aspectos? Sem dúvida! Mas as adaptações que eles fizeram não foram de todo ruins e eu gostei bastante dessa adaptação, superando a obra que lhe deu origem.


Classificação final:

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