terça-feira, 31 de janeiro de 2017

#Resenha: A Mágica Transformadora do F* - Sarah Knight

A Mágica Transformadora do F* (The Life-Changing Magic of Not Giving a F*ck)
Autora: Sarah Knight
Editora: Bicicleta Amarela
Número de páginas: 208

"Um livro perfeito para os estressados e sobrecarregados de plantão aprenderem a dizer não, sem culpa, para o excesso de obrigações e compromissos desnecessários. Nesta paródia brilhante do bestseller A mágica da arrumação, de Marie Kondo, Sarah Knight, ex-editora que trocou uma rotina opressora por uma carreira freelance, apresenta um guia prático para quem deseja se livrar de dramas familiares, da exigência pelo corpo perfeito, da opinião alheia e de outras bobagens que tanto consomem o tempo e a mente, sem parecer desagradável, mas praticando a mais límpida e amigável sinceridade. Uma autoajuda diferente e bem-humorada, ideal para os tempos atuais."

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Como parar de perder tempo que você não tem com gente que você não gosta fazendo coisas que você não quer. Acreditem, ou não, esse slogan foi o que me atraiu em primeiro lugar para a leitura de A Mágica Transformadora do F*, que nada mais é do um verdadeiro manual para você ligar o foda-se corretamente e com classe (ou não).
Estava bastante ansiosa para começar a ler e, mal começou Janeiro, eu já me sentei com o exemplar e li rapidamente suas poucas 208 páginas. A Mágica Transformadora do F* é como qualquer outro livro de organização e aperfeiçoamento pessoal. É dividido em capítulos curtos, com objetivos claros e exposição objetiva, além de criar tópicos que nos auxiliam a visualizar melhor e de forma mais dinâmica o conteúdo.
Se eu consegui atingir o objetivo e parar de me estressar ligando o foda-se? Bem, não exatamente.

"Desenvolvi um método para descongestionar e reorganizar o espaço mental, com a tática de ligar o foda-se, na qual ligar o foda-se significa não desperdiçar tempo, energia e/ou dinheiro em coisas que não o fazem feliz, nem melhoram a sua vida, para que você tenha mais tempo, energia, e/ou dinheiro para dedicar às coisas que melhoram sua vida (ou seja, que lhe dão prazer)." - p.21

Talvez a autora tenha optado por abordar um assunto muito abstrato para que pudéssemos nos ver tendo algum progresso durante a leitura. Não se trata de um simples objeto que você pode jogar fora, guardar ou, então, livrar-se dele e se sentir fazendo alguma coisa. A "arte" de ligar o foda-se é muito mais complexa, especialmente porque você se vê necessitado de sentar e avaliar certas coisas que, bom, não dá para saber se você está mesmo seguindo o caminho certo ou não.
Somos levados a visitar o que a autora chama de "celeiro mental" ou um daqueles quartinhos da bagunça como os nossos próprios cérebros. Ela estimula que paremos e pensemos em cada uma das ações que realizamos, com quem e para quem realizamos e quanto do nosso tempo e dinheiro gastamos nisso. É um pouco complexo e eu me senti meio perdida às vezes.

"Ligar o foda-se - em resumo - significa libertar-se das preocupações, ansiedade, medo e culpa associados ao ato de dizer não, permitindo que você pare de gastar o tempo que você não tem, com gente que você não gosta, fazendo coisas que você não quer." - p.29

Talvez A Mágica Transformadora do F* não tenha sido tudo aquilo que eu esperava. Talvez a leitura tenha tentado praticar em mim conceitos muito abstratos e eu não me senti segura o suficiente para colocar em andamento aquilo que eu estava lendo e aprendendo. No final das contas, não senti diferença nenhuma e terminei o livro sem a sensação de dever cumprido.
Mas não se deixe desanimar pela minha experiência, talvez eu realmente tenha feito alguma coisa errada ou não tenha prestado atenção ou me esforçado o suficiente para visualizar aquilo que a autora estava me explicando. Existem diversas listas e tópicos e eu percebi que a comunicação é a mais objetiva que se pode obter de uma situação em que a nossa mente e nossas atitudes estão tentando serem administradas.
Talvez tudo tenha sido abstrato demais para que eu pudesse visualizar e efetivar com sucesso tudo o que a autora explicava, mas pode ser que com outras pessoas o sucesso seja maior. Fato é que ligar o foda-se é importante em determinadas situações, do contrário, nós nos tornamos escravos de nossas decisões com medo de magoar os outros, mas nós mesmos é que ficamos infelizes e, o que é mais alarmante, gastando dinheiro e tempo, sendo que este último não volta nunca mais.
A autora traz um alerta para que façamos aquilo nos faz feliz. Nada de aceitar convite por medo de magoar ou frequentar eventos que te fazem gastar e não gostar. A vida está passando e não há como voltarmos no tempo para estes momentos desperdiçados para reaproveitá-los. Essa é a grande lição que tiro da leitura. É muito provável que eu saiba identificar uma ou outra situação para a qual tenha que ligar o foda-se, mas esperava terminar o livro praticamente uma expert no assunto.

"A internet tornou possíveis inovações gloriosas como o Tinder e o Mahjong online, mas também fez aflorar o pedinte dentro de cada um de nós através do e-mail, as redes sociais e as páginas de crowdfunding." - p.88

Em suma, A Mágica Transformadora do F* é uma leitura interessante, mas eu aconselharia a não ter muitas expectativas. O assunto pode parecer banal e completamente manjado, mas, acreditem, é bem difícil você parar, se concentrar em tudo o que você faz, com quem e gastando quanto que é uma verdadeiro exercício.
Eu confesso que não consegui obter êxito, mas talvez vocês tenham mais sorte. A leitura é mais do que indicada se você, assim como eu, se identificou totalmente com o "slogan" do livro. Não é decepcionante, mas a leitura é muito mais complicada do que eu tinha pensado e isso, afinal, acabou prejudicando meu aproveitamento do livro, o que é uma pena. Quem sabe, numa outra ocasião, em uma releitura, eu não tenha mais sucesso?
A diagramação está muito confortável de ler, as páginas fluem com facilidade e a capa é minimalista, mas chamativa ao mesmo tempo. A revisão está boa e eu acho que não teria problema nenhum em colocar a palavra "foda-se" quase inteira como em "f*da-se", como no título original.

Classificação final:

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