sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

#Resenha: O Visconde que me Amava - Julia Quinn

O Visconde que me Amava (The Viscount Who Loved Me - Os Bridgertons #02)
Autora: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288

"A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será
Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva.
Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela.
Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele.
Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração.
Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis."

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Resenhas Relacionadas:

Este livro foi cortesia da editora Arqueiro.

Está bem. Apenas pare tudo o que está fazendo. Pare tudo o que está fazendo neste momento e vá em busca dessa família. Os Bridgertons. Sim. Porque não há família igual em todo o universo literário. E você precisa ler!


Fato é que essa história é tão sensacional que eu estou até agora um pouco chateada por não ter lido na ordem. Não que seja necessário, cada um dos livros é completamente independente e foca em somente um dos irmãos, mas eu gosto de manter as coisas em ordem e minha experiência com O Visconde que me Amava só teria sido ainda mais perfeita, uma vez que eu também amei O Duque e Eu e teria sido uma ótima engatada.
Entretanto, preciso confessar que esse livro este começado na minha estante por quase dois anos. Não, você não leu errado. Esta história magnífica foi negligenciada por todo esse tempo enquanto outros livros eram passados na frente, enquanto eu me irritava, me estressava e me chateava por vê-lo ali e simplesmente não conseguia alcançá-lo.
Mas eu gosto de pensar que o momento certo ainda não havia chegado. Porque este ano, sim, foi o momento certo para colocar um ponto final na história de Anthony e Kate. Eu estou de ressaca até agora.
Anthony é o mais velho dos Bridgertons. Talvez seja uma surpresa que a história dele não seja a primeira, mas achei extremamente acertada a escolha da Julia em colocar a Daphne como primeira. A situação com Anthony é um pouco mais complexa e delicada e ela soube desenvolver com maestria.

"Como era bastante organizado e perspicaz, fizera uma lista de exigências para a posição. Primeiro, a mulher deveria ser razoavelmente atraente. Não precisava ser uma beldade - embora isso fosse aceitável -, mas, se ele teria que se deitar com ela, imaginava que sentir certa atração sem dúvida tornaria a tarefa mais agradável."
(pág. 24)

Com a morte do pai, Anthony, como o primogênito, assumiu não só o título de Visconde, como também todas as responsabilidades em relação à família, às propriedades, enfim, tudo o que pode-se imaginar que venha acompanhado de um título.
Mas, mesmo com tudo isso, Anthony sempre teve uma preocupação que o assombra há quase dez anos. A de que vai viver tanto quanto o pai. E só isso. Nada além. E essa perspectiva o aterroriza, embora ele esteja praticamente convencido de que é seu destino e nada pode fazer para escapar dele. Por isso, acha que já está mais do que na hora de sossegar e se casar de uma vez por todas. Não precisa amar a esposa, bobagem! Será mais fácil assim quando ele se for.
Ao mesmo tempo, Kate precisa investigar se o partido que deseja desposar sua irmã mais nova é realmente adequado. O que ela não esperava era que ela mesma ficaria perigosamente atraída pelo Visconde, colocando em risco a possibilidade de um excelente casamento que garantirá à irmã e à madrasta uma vida confortável para sempre.

"Kate deu um pisão no pé dele, com força suficiente para fazê-lo dar um gritinho decididamente pouco libertino e pouco patife."
(pág. 44)

A atração entre Kate e Anthony não é só mágica, como incrivelmente inconveniente. Ambos são orgulhosos, espertos e, querendo ou não, tem seus próprios demônios contra os quais lutar. O fato de estarem cada vez mais próximos só piora as coisas, tornando quase impossível de aterem-se ao plano original, especialmente quando um incidente que ameaça sombriamente a reputação de Kate acelera o processo que deveria ser evitado a qualquer custo!
Poderá Kate aceitar esta união, mesmo acreditando ter destruído qualquer chance de sua irmã ser feliz? Ou, ainda, conseguirá ela desvendar Anthony até seus medos mais profundos, salvando-o de seus temores e de si mesmo? Anthony será capaz de deixar o destino de lado para permitir-se viver a vida que tem certeza que está com os dias contados? Como um casal menos provável poderia acabar tornando-se perfeito um para o outro em tantos, senão todos, os aspectos?
Muitas perguntas? Nada tema. Julia Quinn constrói, até agora, o melhor enredo que eu poderia ter esperado. O medo de Anthony, se por vezes parece absurdo e engraçado, em outros nós realmente podemos entender o quanto isso o consome por dentro. Kate também tem medo, um medo que, a princípio, parece um pouco estranho e inexplicável, mas, quando tudo se revela, é da maneira mais emocionante e surpreendente possível.
A história que os dois começam a construir é impressionante. Não só eles vão deixando suas defesas baixarem, como também vão se transformando. Tudo isso buscando um ao outro, encontrando um no outro tudo aquilo de que precisavam e sequer faziam ideia! Palavras não seriam capazes de mensurar todos os meus sentimentos com este livro, principalmente na reta final.
Kate e Anthony foram mais do que feitos um para o outro, foram as suas próprias salvações. E isso Julia trouxe em uma intensidade de tirar o fôlego. E tudo isso com a sua escrita leve, divertida e sensual. Romances de época são feitos para suspirar, para arrepiar, para atrair, mas também para curar. Essa família é incrível e conhecer a história de quem, agora, era seu patriarca, foi muito importante! Anthony era jovem para a época, embora eu tenha ficado surpresa com ele se casar com quase trinta anos!
Os costumes da época e seus modos justos e corretos são todo um charme à parte. Ele é responsável, embora seja pintado para Kate como um libertino. Kate é, para ele, o que se chamaria de obstáculo para chegar à irmã, seu verdadeiro alvo. Mas o que nenhum dos dois se dá conta é de como vão se completando aos poucos!
Como sempre, Kate e Anthony são o par perfeito que derrete nossos corações e nos faz sonhar por horas a fio se, algum dia, teremos alguém assim ao nosso lado. Eu, pelo menos, estou assim até agora. É tanta ternura, tanto encaixe, preocupação, proteção e amor que chega a doer no coração. O Visconde que me Amava pode não ter sido tão divertido quanto O Duque e Eu, mas é claro que não foi menos especial. Ao contrário, foi incrivelmente deslumbrante em todos os aspectos e a história construída, como cada pedacinho, cada característica se encaixou...Minha Nossa.
Apenas leiam, este é meu conselho, este é meu mantra. Conheçam os Bridgertons, conheça essa família e você desejará fazer parte dela. Encontrar um amor como o dela.
A edição da Arqueiro está impecável, a capa é linda, seguindo o estilo das demais e a revisão está quase impecável, não fosse por algumas palavras. Nada muito grave, entretanto.
E é claro que eu não poderia encerra esta resenha sem perguntar: quem será que deve ser Lady Whistledown? Acho que precisarei esperar mais alguns livros para descobrir!

"Anthony apenas sorriu.
- Eu deveria agradecer aos céus? Ou à minha mãe?"
(pág. 109)

Classificação final:




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