sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

#Resenha: Orgulho e Preconceito - Jane Austen

Orgulho e Preconceito (Pride and Prejudice)
Autora: Jane Austen
Editora: L&PM Pocket
Número de páginas: 400

"É verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.
É com essas palavras que Jane Austen inicia Orgulho e preconceito, conduzindo o leitor diretamente ao lar dos Bennet, família com não menos que cinco noivas em potencial: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia. Quando o sr. Bingley e o sr. Darcy, dois jovens distintos, chegam a Hertfordshire, todas ficam em alerta: eles são solteiros, bonitos e, claro, donos de uma boa fortuna. O que poderia ser uma típica história de amor é, nas mãos de uma das escritoras de língua inglesa mais difundidas pelo mundo, um espetáculo de grandes personagens e diálogos sagazes, com um timing perfeito para a ironia.
Jane Austen desafiou as convenções sociais ao criticá-las pelas entrelinhas, pontuando seus livros com toques de humor que só uma observadora perspicaz e uma brilhante escritora poderia unir. Suas histórias, passadas na Inglaterra da virada do século XVIII para o XIX, falam para os leitores de todas as épocas. Segundo o crítico Harold Bloom, os livros de Jane Austen passarão para a posteridade juntamente com os clássicos de William Shakespea re e de Charles Dickens."

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Pare tudo o que estiver fazendo. Agora. Imediatamente. E venha ler esta resenha. Porque se, até hoje, você não sentou para ler Orgulho e Preconceito, é porque ele não foi devidamente recomendado para você. E eu confesso que negligenciei o livro por muito tempo na minha estante. Lá estava ele, em um box com outros três título da Jane Austen. Minhas amigas já haviam me indicado, mas eu pensava "Ah, talvez uma outra hora". E tudo para quê? Para perder uma das melhores, se não a melhor história de romance da vida!
Jane Austen é praticamente a mãe de todos os romances de época que temos a oportunidade de ler tão avidamente hoje em dia, causadora de muitos suspiros e criadora do que viria a se tornar o ideal de homem para muitas mulheres. Mas se, ainda assim, não te convenci a ler este livro, vamos em frente.

"Seu caráter estava definido. Ele era o mais orgulhoso, o mais desagradável homem do mundo, e todos esperavam que nunca mais aparecesse por ali."
(pág. 27)

Elizabeth Bennet é a segunda mais velha de cinco filhas, todas apresentadas à sociedade e com idade para se casar. A pacata vila de Hertfordshire entra em ebulição com a chegada de novos moradores em Netherfield, o sr. Bingley, acompanhado de familiares e agregados. A mais ansiosa de todas é a sra. Bennet, crente de que poderá casar uma de suas filhas com um homem rico e de muitas posses como o sr. Bingley.
Assim que os forasteiros chegam, muitos se surpreendem com sua vivacidade, simpatia e beleza. Mas quem também chama muita atenção é seu acompanhante e amigo em grande conta, o sr. Darcy. Muito mais rico que seu amigo, ele logo atrai um outro tipo de impressão: a de orgulhoso antipático que pouco se esforça para se relacionar com as pessoas que sejam fora de seu círculo de amigos e, principalmente, de nível social inferior.

"Elizabeth, imaginando tê-lo insultado, ficou perplexa com tal galanteria. Mas havia em suas maneiras um misto de doçura e malícia que lhe tornava difícil insultar quem quer que fosse; e Darcy nunca estivera tão enfeitiçado por mulher alguma como estava por ela."
(pág. 68)

Jane é o centro das atenções, pois, além de ser a mais velha das Bennet, rapidamente atrai a atenção do sr. Bingley e as expectativas crescem à medida em que o rapaz a chama para dançar e se empenha em manter-se próximo a ela, nas rodas de conversa. Por outro lado, Elizabeth fica intrigada pelo comportamento do sr. Darcy e, após um incidente, aproveita uma estadia em Netherfield para analisá-lo melhor.
Acostumada a falar o que lhe vem à cabeça e a alfinetar com respostas desafiadoras e, até mesmo, um pouco surpreendentes, Elizabeth é a personificação de uma mulher determinada, que não tem medo de aborrecer os outros, tampouco é uma garota convencionalmente comportada.

"- (...) Nossa reputação, nossa respeitabilidade perante a sociedade pode ser afetada por essa volubilidade selvagem, pela arrogância e pelo desprezo a quaisquer limites que são a marca do caráter de Lydia."
(pág. 242)

O que mais gostei de Orgulho e Preconceito foram os diálogos inteligentes e a completa ausência de qualquer contato íntimo, até mesmo um beijo! Não, você não leu errado. A história terminar e nem um bitoca foi trocada entre qualquer um dos personagens. E adivinha? Não faz a menor diferença! A narrativa se desenvolve com muita fluidez e você fica tão ansioso para saber mais sobre o que os personagens farão, o que estão pensando, como vão agir, que vira a última página completamente suspirante e, então, depois de longos minutos, se dá conta de que tudo acabou e ninguém se beijou.
Olha a emoção que o livro nos traz! Por muito tempo, eu pensei que uma história não era uma história completa sem que terminasse com um beijo ou qualquer outra atitude física de um personagem para com o outro. E a Jane levou minha convicção a cair por terra com este romance.
Aos poucos vamos sendo apresentados a todos os personagens, como todas as meninas Bennet, o sr. e a sra. Bennet, o sr. Bingley e suas duas irmãs e, até mesmo, o sr. Darcy. A narrativa é feita em terceira pessoa, o que possibilita sabermos os pensamentos de Elizabeth e, é claro, de Darcy, deixando tudo ainda mais emocionante, pois acompanhamos a evolução dos dois conforme os capítulos avançam rapidamente.


Não é à toa que esta obra foi precursora de muitas outras e, ainda hoje, influencia não só outras autoras como também no desenvolvimento e caracterização de muitos personagens, especialmente masculinos. Todas querem um sr. Darcy para si!
Em uma época em que bailes eram a interação social e o momento para fofocas, um simples toque na mão era motivo de muito burburinho e dançar mais de uma vez com a mesma moça poderia significar algum futuro relacionamento, Jane Austen não manteve-se à sombra com personagens ordinários e sem graça. Muito pelo contrário, trouxe destaque para a personagem feminina, a qual, pelas próprias regras da sociedade, era destinada a viver basicamente uma vida doméstica e sem muita expressão e colocou em seu caminho um par à altura, em inteligência e perspicácia, transformando-os em uma dupla de iguais, algo realmente difícil para a época.


A versão pocket é ideal para carregar para todos os lugares e, embora às vezes um pouco desconfortável pela grande quantidade de páginas, este acaba tornando-se o livro de cabeceira perfeito!
Encontrei pouquíssimos erros e a capa condiz muito bem com a proposta, é discreta e com cores bem clássicas. Não se deixe enganar por ela, o conteúdo é riquíssimo e a narrativa, completamente apaixonante! Se eu indico a leitura? Todos deveriam ler, ao menos, uma vez na vida! E aprender direitinho como é que se faz. Um livro que te faz suspirar com olhares, palavras e cordialidade? Há muito tempo que não fazem mais livros assim!



Classificação final:


E para quem ficou interessado não só por Orgulho e Preconceito, mas pela obra da Jane Austen em si, está mais do que convidado a participar do Clube de Leitura Um Ano com Austen onde, em cada mês, leremos um livro dela ou baseado em sua obra. Mais detalhes sobre como participar e cronograma neste post aqui.

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