quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

#Resenha: Mosaicos - Glauber Vieira Ferreira

Mosaicos
Autor: Glauber Vieira Ferreira
Editora: Penalux
Número de páginas: 110

"O escritor sentou-se à mesa e encarou o papel branco a frente. Impaciente, balançava a caneta de um lado para o outro. A inspiração não chegava, sua mente parecia tão vazia e estéril quanto aquela folha de celulose.
Resolveu o problema ao levantar a cabeça e olhar para o mundo.
Sim, já estive na situação do personagem do texto; certamente esse tipo de bloqueio acontece com todos que se propõem a fazer arte, mas é destruído como uma parede de areia logo que o artista se proponha a visualizar e analisar o patrimônio humano que nos rodeia.
O mosaico como forma de arte é uma figura feita a partir de cacos sem grandes significação. Daí vem o título do livro: a partir de fatos corriqueiros percebidos ou imaginados por mim, me propus a retratar um pequeno microcosmo da sociedade.
O livro reúne 93 minicontos, de temas diversos como circo, relações humanas, problemas sociais e natureza."

Este livro foi cortesia do autor.

Mosaicos é um livro recheado de pequenos contos que retratam o nosso cotidiano, a realidade da sociedade na qual estamos inseridos, como também traz uma visão mundial sobre o ambiente em que vivemos. As questões, críticas, abalos e surpresas que encontramos no dia a dia são traduzidas em poucas palavras pelo autor.
É uma leitura extremamente rápida e tranquila, conseguimos identificar notícias, assuntos impactantes e outros mais corriqueiros por entre as páginas. Às vezes eu não sou fã de contos, pois sempre acho que a história poderia ser melhor desenvolvida e deixa muito em aberto para a imaginação do leitor, que ficará sem respostas.
No entanto, é lendo a pequena apresentação realizada pelo autor que me dou conta de que, na verdade, esse é o verdadeiro charme dos pequenos contos (microcontos ou nanocontos): escrever em poucas palavras de modo que o conteúdo seja claro, mas as ações dos personagens ali apresentados, por outro lado, sejam uma porta aberta para a mente de cada um desenvolver da forma como a imaginação permitir.

"Encostada à janela. 12º andar, a decidir entre o pular e o ficar.
Ao longe, parece silenciosa e quieta.
Mas, na mente, o silêncio de mil canhões." - p. 24

Por ser uma leitura ágil, em apenas poucos minutos você devora todos os contos, perfeito para qualquer momento do dia, agitado ou mais calmo, ou, até mesmo, antes de ir para a cama. Mosaicos é a junção de muitas pessoas, muitos personagens que, com suas diferenças em atitudes e maneiras de pensar, encontram um único interlocutor para suas ações: o autor.
E, embora nem todos os contos sejam de uma forma padronizada, sem um número específico e pré-determinado de caracteres ou frases, percebemos que o tamanho deste ou daquele é o ideal para a história apresentada.
Dito isso, acho que faltou um pouco de surpresa e do extraordinário. Tudo bem que a proposta era obter inspiração do cotidiano, então eu não poderia realmente esperar uma ficção fora do comum e que trouxesse algo diferente e inovador. No entanto, senti que foi exatamente isso que escasseou.
Senti que poderia ter trazido novas ideias ou, talvez, inventado todas elas. Já havia lido outros livros de contos que também se baseavam no cotidiano, em problemas da sociedade e, afinal de contas, acabou entrando para o mesmo grupo de leituras, sem nada que devidamente destacasse a obra.
A diagramação está bem confortável, a capa traduz perfeitamente a proposta do título e do livro como um todo. Encontrei aproximadamente uns 10 errinhos, mas nada muito grave, a maioria foi problema de acentuação e revisão, coisas que facilmente se resolveriam.
Se você estiver à procura de um livro prático para ler em qualquer lugar, a qualquer hora do dia, Mosaicos é uma boa indicação, principalmente se você estiver querendo refletir sobre a situação em que nós, seres humanos e sociais, nos encontramos, mas sem a perspectiva filosófica. Apenas uma boa e velha contemplação dos nossos arredores nas páginas de papel. Agradeço ao Glauber por gentilmente ceder o exemplar para resenha e pela confiança.

"O mendigo descansa em um ponto de ônibus afastado do centro. É domingo de manhã e o lugar está deserto.
Observa o movimento das nuvens. O vento, prenúncio de tempestade, as arrasta fora de sua vista, para longe das pessoas, da cidade e da civilização.
Sentiu-se nuvem." - p.35

Classificação final:


Sobre o autor: Glauber Vieira Ferreira 


Nascido na terra do ET, Varginha (MG), em 1973. Foi embarcado em um óvni e desembarcou em Brasília (DF), ainda criança. Trabalha como psicólogo no sistema penitenciário. Participa de 20 antologias literárias, incluindo os volumes 1 e 4 do BDE. Autor do livro de minicontos Mosaicos (Editora Penalux, Guaratinguetá, 2015).

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