quarta-feira, 3 de maio de 2017

#Resenha: Frida Kahlo - Jean-Luc Cornette e Flore Balthazar

Frida Kahlo
Autor: Jean-Luc Cornette
Ilustrador: Flore Balthazar
Editora: Nemo
Número de páginas: 128

"1937, México.

Frida Kahlo, artista genial e mulher livre, recebe em sua casa Leon Trotsky, um dos líderes da revolução russa, forçado ao exílio após a ascensão ao poder de seu adversário Stalin. Até 1940, o político, a bela mexicana e seu marido, o grande pintor Diego Rivera, viverão uma aventura extraordinária, entre paixão e fúria, arte e política, risos e lágrimas. Três destinos que se cruzam para contar quatro anos de uma história que marcou profundamente o século XX."

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Este livro foi cortesia da editora Nemo.


Como mencionei no vídeo de ontem, Frida Kahlo foi o livro escolhido para discussão em Março do Clube do Livro do Grupo Editorial Autêntica. Depois de ter participado uma vez do clube, recebi essa história em quadrinhos da editora para leitura e posterior discussão em mais um encontro super descontraído e bastante produtivo.
Frida Kahlo é uma leitura rápida, com traços leves e cores vibrantes. Mas não se deixe enganar: se você, como eu, não souber nada sobre a Frida, as respostas que procura não serão encontradas nas pouco mais de 120 páginas dessa HQ. Não espere uma leitura que revele fatos sobre a Frida que antes não conhecia ou uma biografia rica e detalhada sobre este ícone moderno.
A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial quando Frida e seu marido, Diego, recebem em casa o refugiado Leon Trotsky, um dos líderes da Revolução Russa. Procurado pelo regime comunista da então União Soviética, Leon procura abrigo no México, junto ao casal, simpatizante do movimento.

Ler essa HQ foi uma experiência nova para mim, já que eu pouco sabia a respeito dessa personalidade. No entanto, preciso adiantar desde logo que, se esta é a sua situação, talvez prefira dar uma pesquisada antes para entender um pouco mais sobre quem foi Frida Kahlo antes de mergulhar nessa adaptação.
Grande parte disso, é claro, se deve ao tamanho da história. Quando olhamos para o número de páginas, logo podemos imaginar que será um apanhado dos principais acontecimentos na vida de Frida, de maneira linear e cronológica. Infelizmente, acontece exatamente o oposto. Por se tratar de um período muito específico, fatos importantíssimos são deixados de fora o que, no meu limitado conhecimento sobre ela, prejudicaram meu aproveitamento da leitura.

Ter a possibilidade de discutir o livro em um Clube do Livro foi, sem dúvida, muito útil para que eu pudesse compartilhar minha experiência e perceber, com certo alívio, que minhas percepções não haviam sido, assim, tão absurdas. Também consegui descobrir alguns fatos sobre a Frida que, na história, são extremamente mal explorados e acabam passando a impressão errada!
Grande exemplo disso é o fato de ela ter alguns problemas, tanto físicos quanto psicológicos que, quando acompanhamos a narrativa da HQ, ficam muito mal explicados e acabaram me dando a falsa ideia de que não passavam de frivolidades quando, na verdade, eram problemas muito mais sérios e bastante fundados em sua pessoa.

Como uma completa leiga, eu me decepcionei com Frida Kahlo por não ser a apresentação dessa pintora ícone que eu desejava conhecer melhor. No entanto, para alguém que já esteja a par de sua trajetória, pode ser uma ótima leitura com um olhar peculiar sobre sua vida. Para mim, infelizmente, limitou-se a expressar certos fatos que, na minha opinião, poderiam muito bem ter sido deixados em segundo plano e que em nada acrescentaram à narrativa como, por exemplo, a vida sexual de Frida.
O seu constante envolvimento com diversos parceiros, mesmo estando casada, acabou por me causar uma impressão incômoda e infundada sobre ela, deixando de explorar outros fatos muito mais importantes e relevantes para descrever quem era Frida Kahlo!
É realmente uma pena que o autor tenha optado por esse aprofundamento, assim como a parte política da narrativa, sempre tão presente que, por vezes, acabou se sobressaindo à própria protagonista da HQ. Isso me deixou um pouco surpresa porque Frida frequentemente aparecia como mera coadjuvante de sua própria história, tendo ressaltados aspectos menos importantes do que eu esperava.

Para alguém que não conheça sua história, Frida Kahlo pode ser um tiro no pé. No entanto, o trabalho da narrativa foi algo diferente e, para o público certo (e, talvez, até um pouco restrito), possa ser uma leitura enriquecedora e obrigatória, especialmente para os fãs da pintora.
Acredito que, de todos os pontos que eu mudaria nessa HQ, o principal deles seria a inclusão de um pequeno resumo sobre cada um dos personagens introduzidos que, pela dinâmica da história em quadrinhos, não tiveram suas apresentações, embora suas trajetórias após o período retratado na história tenha sido compilado ao final do livro. Eu fiquei um pouco perdida com tantos personagens que apareceram do nada, sem que eu soubesse de onde vinham, enquanto foram para algum lugar que, a essa altura, já não fazia muito sentido para mim.

É uma boa HQ, mas para leitores muito específicos. Arriscar, somente com um prévio conhecimento dessa importante e revolucionária pintora.

Classificação final:

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