quinta-feira, 2 de novembro de 2017

#Resenha: Primavera Eterna - Paula Abreu #15diasnacionais

Primavera Eterna
Autora: Paula Abreu
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 128

"Maia é uma jovem publicitária bem-sucedida. Tem um emprego estável, um namoro estável, uma vidinha estável. Até demais. Certo dia, tentando imaginar como seria sua vida no futuro, o casamento, os filhos, visualiza duas crianças loirinhas correndo... Loirinhas? Então ela se dá conta de onde vem aquela cor de cabelos: Diogo, o menino por quem se apaixonou à primeira vista aos 12 anos, numa cidadezinha do interior, onde costumava passar os fins de semana com a família. Acontece que ele se mudou para os Estados Unidos há mais de dez anos, e a essa altura da vida, já nem deve se lembrar mais dela.
Mesmo assim, num impulso, Maia pede férias na agência, inventa uma viagem de trabalho como desculpa para o namorado e vai para Nova York, atrás do seu primeiro amor. Primavera Eterna é a história de uma jovem cheia de sonhos esquecidos, que ousa arriscar tudo o que tem e acaba encontrando a si mesma."

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Eis aqui um livro como nenhum outro. Sua capa suave, de traços finos e leves e de cores primaveris, além da sinopse podem ser uma grande enganação aos leitores mais inocentes! Mas calma, antes de você simplesmente passar reto por este livro só porque eu disse que não é o que parece, que tal dar uma chance a uma experiência completamente diferente?
Eu pensei que sabia no que estava me metendo quando comprei, depois de anos de ansiosa espera, Primavera Eterna. Ele estava quietinho na minha estante até que eu o escolhi por se encaixar bem no tema do #outubrorosa, bem como também ter tudo a ver com a literatura nacional! Era a oportunidade perfeita para matar minha curiosidade depois dessa longa espera.
Fato é que Primavera Eterna parece ter todas as respostas quando você se depara com a sinopse e, ainda mais, quando começa a ler a apresentação escrita pela própria autora. Ok, talvez eu estivesse dando uma de sabichona, achando que tratava-se de nada além de mais um livro jovial sobre a mulher se redescobrindo, eis que eu me deparo com uma história rapidíssima de ler, apesar de seus vinte e dois capítulos, e, mais importante do que tudo: completamente chocante. Mas no bom sentido, é claro.

"Eu era um sistema de erros: um emprego estável pelo qual eu não era apaixonada. um namorado estável pelo qual eu não era apaixonada, uma vidinha estável pela qual eu não era apaixonada." - p. 57

A história de Maia pode ser, facilmente, a de qualquer um de nós e enquanto eu devorava as páginas de sua narrativa em primeira pessoa extremamente divertida e espalhafatosa sobre como ela parara em Nova York para reencontrar o primeiro grande amor de sua vida, eu não pude deixar de pensar no quanto essa história deveria se encaixar na de muitas outras mulheres.
Querendo encontrar o menino pelo qual fora apaixonada desde a primeira vez em que o vira, quando tinha 12 anos, Maia viaja a Nova York num impulso, arranjando desculpas no trabalho e para o namorado e sai em busca do garoto de cabelos loiros e olhos profundos no qual ela pensava todo o tempo desde então.
Mas será que era a coisa certa a se fazer? Quer dizer, Diogo foi embora repentinamente do Brasil para morar nos Estados Unidos e, desde aquele dia, Maia mal teve notícias dele, à parte de um bolo fenomenal que tomou numa estação de trem no Rio de Janeiro. O que esperar desse Diogo crescido e, até certo ponto, distante?

Tomada pela coragem, Maia remonta aos momentos da infância que passou com o menino e, mais importante, os longos anos que se seguiram à sua ausência. Analisa sua vida amorosa, a forma como foi parar como publicitária em uma grande agência do Rio e também imagina como deve estar a vida do rapaz numa cidade tão cosmopolita e cheia de oportunidades como Nova York.
O frio na barriga é iminente e sua cabeça está cheia de perguntas não respondidas por muito tempo, repleta de possibilidades e, até mesmo, da iminência de um novo furo por parte de Diogo.
Até que ele chega e tudo, então, parece completo de um jeito diferente do que ela havia pensado a princípio. É claro que ele está totalmente diferente, mas Maia vai se surpreendendo conforme a presença dele é reconfortante e familiar de um modo inesperado. Será que ele sente a mesma coisa que ela, cultivado por todos aqueles anos separados?

Primavera Eterna não é um livro sobre a busca pelo amor de infância. Pode até ser em um primeiro momento, mas eu digo que é surpreendentemente mais do que isso. Totalmente mais. E é só quando cheguei aos posfácio que me dei conta do que realmente havia lido. O livro não terminou do modo como eu esperava e confesso que estava com os olhos ardendo de frustração, mesmo depois de ter dado altas risadas em alguns trechos hilários descritos pela nossa narradora. Aquele pequeno trecho aquém da história me ajudou a compreender a profundidade do texto.
Não se deixe enganar pela pouca quantidade de páginas ou a velocidade de leitura do livro ou o fato de a história toda desenrolar-se somente no espaço de um único dia. Há muito mais para ver e refletir do que atinge nossa superfície ao terminar a leitura com a pulga atrás da orelha.
A autora trouxe uma compreensão de si mesma, refletida na personagem Maia, que é muito mais do que um mero reencontro entre alma gêmeas. Você vai perceber que não é nada disso, aliás. E isso pode ser frustrante, pode te deixar triste, mas confesso que foi essa surpresa, essa profundidade proposta pela Paula que realmente ganhou o meu coração.

Maia é qualquer uma de nós e não é só porque ela está atrás de seu amor de infância que ela não está atrás de si mesma. Toda aquela loucura que ela levantou com essa viagem repentina trouxe muito além do que um reencontro com uma pessoa muito querida, essa pessoa é uma interpretação significativa do que ela era quando criança e do que, na verdade, ela estava buscando em primeiro lugar.

Primavera Eterna termina como um romance de sessão da tarde? Não. Se você ler com seu objetivo, garanto que terminará apenas com o coração apertado e a sensação de que precisa de respostas. Entretanto, antes que você entre nas redes sociais da autora em busca de um desfecho satisfatório, recomendo fortemente que tire um tempo para refletir seriamente sobre o que leu. E eu garanto que será extremamente reconfortante saber que, sim, essa história possui um fechamento. Não aquele que sempre esperamos nas histórias, mas um muito mais palpável e atingível, até para nós mesmos, leitores.

Então, sim, leia Primavera Eterna, leia a qualquer momento com a resolução de que essa leitura ficara marcada em você por muitos e muitos anos e que, mesmo depois desse tempo, você ainda será capaz de reler com o mesmo coração ansioso por essa história de autodescoberta, reviravolta e reinvenção de si mesma.
Minha grande gratidão à Paula Abreu por essa obra incrível e que, sem dúvida, tocou-me muito mais do que eu sequer poderia imaginar quando eu, despretensiosamente atraída por sua capa singela, mas bela, estava em busca de uma história de amor que ainda tinha muito o que ser vivida.

"As idas ao interior do Rio me enchiam de ideias para histórias e me faziam acreditar, cada vez mais, que eu queria ser escritora quando crescesse." - p. 23


Classificação final:


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