31 de dezembro de 2017

#Resenha: Tudo e Todas as Coisas - Nicola Yoon

Tudo e Todas as Coisas (Everything, Everything)
Autora: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 288

"TUDO ENVOLVE RISCOS.
NÃO FAZER NADA TAMBÉM É ARRISCADO.
A DECISÃO É SUA.

A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla.
Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça, jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly.
Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe."

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Este livro foi cortesia da editora Arqueiro.

Esta resenha foi feita em colaboração por Nana Barcellos, do blog Canto Cultzíneo.

Deve ser a enésima resenha que vocês leem sobre essa comparação, mas: IMPOSSÍVEL NÃO LEMBRAR DO FILME JIMMY BOLHA, COM JAKE GYLLENHAAL.

"Digo a mim mesma que Carla tem toda razão: o amor não vai me matar."

Ao longo de seus dezessete anos, Madeline Whittier nunca conheceu o mar. Ela vive com sua mãe em uma casa superprotegida, onde nada se aproxima dela sem passar pelos filtros e ser aprovado por sua mãe. Seus livros precisam ser descontaminados antes de chegarem em suas mãos, sua enfermeira e o professor particular são os únicos de fora com quem ela tem contato. Não, ela não vai à escola. Madeline tem uma doença rara, que a afasta de tudo e de todos. O mais próximo que ela chega da rua, é pela janela de seu quarto.

Quando a família de Olly se muda para a casa da frente, um certo interesse desperta em Madeline. Ela está sempre observando o comportamento deles. A família do jovem é problemática. O pai é alcoólatra e abusivo. Há sempre discussões vindo da casa no período da noite. Conhecer Olly, aos poucos, molda uma outra personalidade em Madeline e, de forma positiva, ela se vê destemida e arriscando o controle da mãe.

A mãe é superprotetora e, claro, ela têm seus motivos que trazem um lado de suspense à narrativa. É uma personagem interessante, que mexe bastante com nossos sentimentos e no ápice, antes de qualquer julgamento, testa nossa empatia. Afinal, ela é mãe e ama Madeline. Do seu modo, mas ama. Quando Madeline e Olly se encontram às escondidas, fica difícil não temer aquele flagra. Mas, claro, a descoberta do que a filha anda aprontando com o vizinho, não traz boas consequências, principalmente para o relacionamento entre mãe e filha.

"Dou uma olhada no meu quarto branco, no meu sofá e nas estantes brancas, nas paredes brancas. Tudo é seguro, familiar e imutável.
Penso em Olly, sentindo frio após a descontaminação e esperando por mim. Ele é o oposto de tudo isso. Não tem nada de seguro. Não é familiar. Está em movimento constante.
Ele é o maior risco que eu já corri."

Todo desenvolvimento da amizade é adorável. O relacionamento entre Madeline e Olly é de arrancar uns sorrisinhos à medida que o elo aumenta. De início eles só trocam e-mails - uma das minhas partes favoritas do livro, btw - e, claro, anseiam pelo visual. E quando chegam no visual, se dão conta que querem mais que isso: a liberdade para amar, viver, se aventurar...sem filtros.

Dizer para vocês que eu nem acreditei o quão rápida essa leitura foi. O livro tem duzentas páginas, deitei num fim de tarde e o finalizei antes das dez da noite. Mas isso não é algo negativo. Até porque as imagens dizem tanto quanto as palavras de Nicola Yoon. A protagonista Madeline é adorável, doce, ingênua e com o passar das páginas, testemunhamos a perda de seu conformismo. Porém, o grande  segredo de sua trama é previsível.

A escrita de Nicola é leve, bem descrita e de uma bela fluidez. As cenas no Havaí foram minhas favoritas, pois é impossível não desenhar todos os acontecimentos e sentir certa alegria. Cheia de referências, muitas delas literárias, a autora conduz sua narrativa sob os olhos da protagonista e é como se estivéssemos lendo seu diário. Há listas, e-mails, rascunhos, ideias e sonhos de uma jovem que nunca conheceu nada além das quatro paredes em que vive. O único problema é com o desenvolvimento de algumas questões, como o pai e o irmão de Madeline. Tá certo que Madeline não chegou a conhecê-los TÃO bem, porém, acredito que a autora poderia ter desenvolvido melhor essa parte do passado dela, em vista da resolução que temos.

Não temos muitos personagens em cena, mas o suficiente para serem importantes para a história de Madeline e seu contato com o mundo. Além dela, gostei bastante da construção de Olly e da enfermeira Carla. A enfermeira é uma outra figura materna para Madeline, mas é aquela que liberta; não prende. E nem preciso dizer que o jeitinho extrovertido de Olly foi me conquistando a cada página. De vez em quando, Madeline dá umas ignoradas nele, e eu ficava morrendo de pena.

"Parte de um dos e-mails:
Olly: caramba! será que existe uma garota nesse planeta que não seja apaixonada pelo sr. darcy?
Madeline: Sério? Todas as garotas são apaixonadas por ele?
Olly: claro! até a minha irmã gosta dele, e ela não gosta de ninguém
Madeline: Ela deve gostar de alguém. Tenho certeza que gosta de você.
Olly: o que ele tem de tão maravilhoso?
Madeline: Você só pode estar brincando.
Olly: ele é um esnobe
Madeline: Mas supera isso e acaba percebendo que o caráter vale mais do que a classe social! É um homem aberto às lições da vida! Além disso, é lindo, nobre, misterioso, melancólico e poético. Já falei que ele é lindo? E ainda por cima é completamente louco pela Elizabeth."

A edição está maravilhosa, de deixar qualquer leitor encantando com as ilustrações - feitas pelo marido da autora - que se encaixam perfeitamente ao enredo, de um jeito muitas vezes poético. Alguns capítulos são curtos e outros médios. A revisão está ótima, assim como o trabalho com os livros mencionados. A edição analisada foi a do filme, então, temos a capa-pôster e algumas promocionais de aperitivo, assim podemos conhecer um pouco da adaptação, mesmo que seja por fotos.

Tudo e Todas as Coisas é uma leitura que traz boas lições e difícil não despertar a vontade de fugir para algum lugar, sendo apenas você aproveitando cada momento, sem se importar com o depois e o que ficou. A história de Madeline, não é pra te fazer chorar, mas sim sorrir e confiar que a vida tem tantas reviravoltas quanto os livros.


Como o mundo das adaptações não dorme em serviço, em Junho deste ano, foi lançado o filme aqui no Brasil. A produção é protagonizada por Amandla Stenberg, a Rue de Jogos Vorazes - lembra?, e Nick Robinson, da série Melissa & Joey. Clique aqui e assista o trailer.


Agradeço à Nana pela disponibilidade em resenhar esse livro! :D

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