sexta-feira, 4 de maio de 2018

#Resenha: O Diário de Mr. Darcy - Amanda Grange

O Diário de Mr. Darcy (Mr. Darcy's Diary)
Autora: Amanda Grange
Editora: Pedrazul
Número de páginas: 220

"O único lugar em que Darcy podia compartilhar seus sentimentos mais profundos era nas páginas de seu diário.

Atormentado entre o senso de dever para com o nome de sua família e seu crescente amor por Elizabeth Bennet, o leitor terá acesso à sua alma, ao drama de um cavalheiro que luta para não sucumbir ao amor. O Diário de Mr. Darcy: uma imaginação hábil e graciosa do ponto de vista de um dos heróis mais amados da mais duradoura história de amor de todos todos os tempos."

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Vocês, com certeza, devem se lembrar da minha febre a respeito de Orgulho e Preconceito (caso contrário, pode conferir mais sobre ela aqui). E é claro que, tendo conhecido esse universo engenhosamente criado por Jane Austen, eu precisava de mais coisas, mais material de leitura. Foi assim que esbarrei em O Diário de Mr. Darcy, livro que demorei muito a adquirir por conta do seu alto preço, porém, assim que me vi participando do Clube de Leitura: Um ano com Austen, encontrei a desculpa perfeita para comprar sem a menor culpa!
Se você ainda não sabe, Orgulho e Preconceito não é narrado em primeira pessoa, mas em terceira e, mesmo assim, ele acompanha muito mais a perspectiva da família Bennet e de Elizabeth em especial do que de qualquer outro personagem dessa história. Por isso sempre me perguntei o que poderia se passar na cabeça do sr. Darcy o livro inteiro. Vejam, o sr. Darcy é um personagem icônico que modelou diversos outros personagens que vieram depois e até hoje ainda os inspira, mas sabemos muito pouco sobre quem ele é, o que pensa, como age. Apenas sabemos o que Elizabeth vê e o que contam para ela. Depois de um tempo nos perguntamos: ok, mas quem é o sr. Darcy?
Amanda Grange escolheu trilhar esse caminho em O Diário de Mr. Darcy e, apesar de ter cinquenta pezinhos atrás porque, afinal de contas, não se trata da Jane Austen, mas de uma outra autora que baseou seu trabalho nas obras da grande Austen, eu gostei muito da proposta que ela trouxe. Neste livro escrito em forma de entradas de diários acompanhamos a narrativa quase inteira de Orgulho e Preconceito pela perspectiva de Darcy.
E o que isso significa, exatamente? Significa que poderemos adentrar sua mente, vasculhar suas impressões e, mais importante ainda, ter novas informações a respeito de outros personagens, como sua irmã Georgiana e Charles Bingley e suas duas irmãs.

"Apesar de ela não ter um único traço bom em seu rosto, ele parece particularmente inteligente com a bela expressão de seus olhos escuros - eles dão a ela um entusiasmo que achei bastante agradável." - p. 30

Para Mr. Darcy, as primeiras impressões de Elizabeth e sua família não poderiam ser mais mesquinhas e indiferentes. Ele fica muito incomodado com o comportamento espalhafatoso das meninas e seus pais e a todo momento se compara a elas, em como suas atitudes eram inaceitáveis. E o mais interessante, para mim, é saber um pouco mais sobre o que acontece em Netherfield Park quando os Bennet não estão por perto, ou seja, os comentários que Caroline e Louisa soltam sem a menor vergonha, especialmente para Darcy.
Mas tudo isso, é claro, narrado pelo silencioso e observador homem dá ainda um toque a mais de mistério. Por mais que esteja em primeira pessoa, sob seu ponto de vista, com suas próprias palavras, eu ainda queria mais detalhes, queria praticamente uma transcrição exata de Orgulho e Preconceito. E foi quando eu me dei conta de que, na verdade, muitas cenas do livro original se passam junto à família Bennet, então como é que Darcy poderia suprir essas lacunas com suas próprias histórias?
A autora fez um bom trabalho trazendo muitas novidades sobre a misteriosa Georgiana, uma personagem muito pouco explorada no livro e que, sem querer, acaba fazendo muita falta, pois ela é muito próxima a Darcy e o irmão mais velho praticamente vive pela sua felicidade.

"Eu tenho cuidado dos meus imóveis, tenho cuidado do bem-estar dos meus inquilinos, tenho zelado pela saúde, felicidade e educação da minha irmã, tenho me ocupado com os que dependem de mim e tenho descartado os meus assuntos pessoais de bom grado." - p. 96

Sem dúvidas você pode se perguntar se Jane Austen teria descrito o sr. Darcy desse mesmo jeito; eu me questionei sobre isso inúmeras vezes enquanto devorava o livro. E a verdade é que: nunca saberemos. Infelizmente, ela não se aprofundou no que talvez seja seu personagem mais enigmático, mas é por isso que existem livros como O Diário de Mr. Darcy; para tentar, ao menos, sanar um pouco da nossa curiosidade sobre este homem tão misterioso.
A leitura é muito divertida. Talvez você possa se irritar um pouco com a arrogância de Darcy mais para o começo, mas eu achei tudo muito engraçado, até porque ele não é absolutamente maldoso e com o andar da história percebemos sua mudança gradual o que, em Orgulho e Preconceito, pode parecer um pouco súbito. Não é bem assim, ele vai mudando de opinião sobre muitas coisas e, na maioria delas, sozinho, sem nenhuma influência de outra pessoa. Porque, convenhamos, se dependesse unicamente das irmãs de Bingley, ele jamais mudaria, eu diria que ficaria até pior.

"Estou começando a achar que estava errado. Não há nada contra ela. Ela tem um caráter bondoso e um temperamento doce que combina com o dele. Mas os parentes dela... não, não teria dado certo. Mas eu mesmo estava disposto a ignorá-los no meu caso." - p. 122

A edição da Pedrazul ficou bem legal, mas confesso que não gostei muito do fato de não terem traduzido "miss", "mr." etc. para "senhorita", "senhor", "senhora", enfim. Acho que não tiraria qualquer impacto da história, até porque nós também temos tradução para esses tratamentos, então realmente não entendi por que deixar como no original.
De um modo geral, a leitura foi bastante confortável e, embora não tenha sido escrito pelas mãos da grande Jane Austen, estou muito satisfeita com o resultado de O Diário de Mr. Darcy, afinal, quem é que não gostaria de dar uma espiadinha no que se passa dentro da mente daquele homem? Eu acredito que a autora conseguiu fazer uma boa história, o que demonstra que ela pesquisou exaustivamente a obra de Austen para realizar um livro que ao menos tentasse fazer jus ao personagem de Fitzwilliam Darcy.
Indico para os fãs de Orgulho e Preconceito, especialmente se você for fã do sr. Darcy. Mas não tente ler sem ter visto a obra original antes ou pode ficar um pouco confuso, afinal o livro não possui narrativa em terceira pessoa, apenas os relatos do diário de Darcy. No geral, traz uma nova perspectiva ao clássico, com algumas edições mais do que aguardadas!

"Comecei a entender claramente por que razão ela havia recusado o meu pedido. E comecei a ver que, por conta do meu próprio orgulho, arrogância e estupidez, eu havia perdido a mulher que amo." - p. 128

Classificação final:

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