#Resenha: Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas - Ruth Manus



Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas

Autora: Ruth Manus
Editora: Sextante
N° de páginas: 192

"Misturando humor, argúcia e profundidade, Ruth nos faz refletir e questionar (pre)conceitos e (in)certezas, recorrendo tanto a autores consagrados quanto à boa e velha sabedoria de boteco. Uma leitura atual e necessária.

Com abordagem franca, Ruth Manus vem realizando um grande trabalho de conscientização. Este belo livro vem coroar sua trajetória de despertar mentes e aprofundar temas tão caros para a restituição de humanidades invisibilizadas. ― Djamila Ribeiro

Este livro é um ato generoso de alguém que, apesar de toda justa exaustão, ainda constrói uma ponte. Depois da leitura, também quero ir além da exaustão e demolir todos os muros que existem em mim. ― Zack Magiezi

Esta frase – Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas – vem sendo uma companheira diária que me faz refletir sobre os papéis que desempenhamos. Acima de tudo, ela me faz questionar.
Por que estamos tão cansadas? Por que sentimos que o mundo está pendurado nos nossos ombros? Por que ainda temos tantos medos e tantas dúvidas, mesmo nos assuntos mais básicos? Por que ainda pensamos tantas vezes antes de dizer alguma coisa?
Por que ainda achamos que nosso trabalho é um concorrente da nossa família? Por que ainda nos cobramos um tipo de corpo que sabemos que não precisamos nem conseguimos ter?
Só de pensar nisso tudo já dá para ficar exausta. E não teria como não ficar. Mas pode ser mais leve se a gente abandonar alguns penduricalhos que realmente não precisam estar ali. Vamos tentar, juntas, nos libertar deles.

Ruth Manus"

Enquanto atravessávamos um dos piores momentos da pandemia de COVID-19, lá em 2020, eu me dei de presente esse livro da Ruth Manus por dois motivos: primeiro, porque eu estava curiosíssima sobre a escrita dela (essa não é sua primeira publicação!) e, segundo, porque achei o tema muito relevante e atual. E fiquei muito feliz que a leitura foi muito divertida, promoveu reflexões e muitas balançadas de cabeça concordando com os pontos levantados pela autora.

Se você está à procura de um livro que seja engraçado, mas, ao mesmo tempo, dê uns bons tapas na cara, então deveria dar uma chance a Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas. E se você, mulher, não estiver se sentindo exausta, lembre-se de deixar nos comentários qual é o seu segredo para essa plenitude toda porque eu quero!
Ruth Manus tem uma escrita leve, hilária e sem meios-termos. Através dos capítulos ela aborda temas que são cotidianos a qualquer mulher moderna: das cobranças às expectativas, uma mais irreal e absurda que a outra, e olha que já estamos no século XXI!

"A nossa tendência é quase sempre achar que não fizemos por merecer. Porque o mundo nos ensinou, desde pequenas, a sermos modestas, gratas, delicadas, pouco agressivas."
p. 147
A mensagem é clara: estamos exaustas de tantas cobranças, etiquetas, expectativas ridículas, mais cobranças, padrões inalcançáveis, tudo. É assustador, ainda mais quando fica tudo condensado no mesmo lugar, em capítulos sucessivos, página depois de página. Chega a ser sufocante, até. Dá raiva. Como ainda precisamos passar por tudo isso? Se reafirmar o tempo todo? Se controlar o tempo todo? Não podemos falar as coisas porque somos taxadas de estressadas, invejosas, de TPM, impacientes, impulsivas. 
Tem hora que ser mulher é um saco, desanima horrores lidar com essa sociedade estúpida. 

"Mas e se acharem que a fama me subiu à cabeça? E se eu parecer arrogante? E se rirem da minha cara? E se simplesmente se negarem a dar o aumento? E se me mandarem embora? E se? E se?"
p. 148

E isso não parte apenas dos homens, parte de todo mundo, homens e mulheres, velhos e jovens, conhecidos ou não. Nunca para, nunca termina. Eu mesma acabei por terminar esse livro exausta porque sei que não estamos nem perto de ter sossego. Lá se vão ainda muitas gerações de mulheres sofrendo para simplesmente sobreviver. 
Nesse sentido, senti falta de uma mensagem mais positiva, acolhedora e acalentadora, do tipo "ei, mas não desanime! Olha só o quanto progredimos!". Fez falta uma perspectiva futura mais animadora.

" (...) nós precisamos mesmo “ser a melhor versão de nós mesmas”? Será que nós precisamos estar sempre no nosso melhor? Ou será que temos o direito de simplesmente ser o que somos, de estar do jeito que estamos, de ir vivendo da forma que dá?"
p. 154

Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas deveria ser lido por ambos os sexos. Mulheres, para perceberem que não estão sozinhas nessa luta diária, tem mais gente e elas sabem exatamente como você se sente; e homens, para começarem a perceber, para ser um chamado e, assim, começarmos a mudar alguma coisa, por menor que seja. É muito importante trazer todo mundo para a discussão, mostrar a todos como realmente é; precisa ser um diálogo multidirecional e não somente um "fala que eu te escuto".
E é por isso que a escrita da Ruth vem tão bem a calhar. Ela traz o tópico à tona e traz com bom humor, mas sutileza e você termina a leitura em um piscar de olhos, tendo absorvido tudo aquilo que ela se propôs a compartilhar. Porque quando nos divertimos com a leitura, nos lembramos muito mais das páginas e nos sentimos parte de algo assim que fechamos o exemplar.
Eu realmente espero que você dê uma chance a esse livro!

"Frases de efeito se espalham pelo mundo, exigindo que nós sejamos fantásticas, amazing, poderosas, incríveis, the best. Credo, que preguiça. A gente não pode ser apenas o que já é?"
p. 168
Nota:

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