30 de outubro de 2021

"They tell me that only the strong survive..." #13

 

Há exatos 13 anos eu tinha a ideia de criar um blog. Este seria diferente de todos os outros que eu havia feito porque ele seria feito para durar. Coincidentemente (ou não), publiquei o primeiro post seis dias após o falecimento do meu avô materno.

Na época, foi uma grande perda, bastante caótica, especialmente para a minha mãe. Confesso que eu estava animada com a vinda da minha banda favorita, McFly, ao Brasil pela primeira vez e, portanto, não consegui sentir muito bem o impacto da perda.

13 anos depois não apenas sinto esse pesar com muito mais resiliência, como também acrescento outra perda. 12 anos, 11 meses e 28 dias depois do meu avô falecer, minha avó materna juntou-se a ele. Parecia algo realmente cronometrado. Mas não menos difícil.

Nos tempos em que vivemos atualmente, parece que, de certa forma, o baque da morte passou a nos assombrar cotidianamente. Minha avó não morreu de Covid-19. Mas foi muito castigada por ela. Tanto que, quando contraiu uma nova infecção na UTI do hospital, seu corpo não teve a menor condição de reagir. Ela faleceu sexta-feira passada e, então, dois dias depois, a morte do meu avô completou 13 anos.


E por que estou falando de morte e perdas em um post comemorativo do blog? Primeiro, porque não tive por onde desabafar essa perspectiva (entendam, esse tipo de informação não agrada a ninguém ouvir, mas precisa ser extravasada de alguma forma). Segundo porque eu precisei vir checar a data de aniversário do blog, porque simplesmente havia esquecido. E então, passando por esse momento tão difícil, me ocorreu que eu havia iniciado essa jornada no meio de outro pandemônio de perda.

Perdas nunca são fáceis. Tampouco são os recomeços. Há anos tento recomeçar com o blog sem obter muito sucesso. São postagens que não saem, resenhas que não são escritas, vídeos que não são gravados para o YouTube. Eu poderia culpar problemas pessoais, problemas acadêmicos, a pandemia, o país caótico em que vivemos. Mas não há nada mais do que a minha mais pura falta de prazer em blogar.

Essa foi uma conclusão a que cheguei nessa semana tão sombria. Não sinto mais prazer em estudar (algo que sempre gostei, saber como as coisas funcionam, por quê), não sinto mais prazer em ler (tenho feito um Clube do Livro com as minhas melhores amigas em uma tentativa desesperada de retomar esse gosto, ao discuti-lo com pessoas que amo e que querem meu bem, mas cada livro que começo é um stress diferente e foram pouquíssimos que eu realmente consegui terminar a tempo para nossos encontros), não sinto mais prazer em crochetar (esse hobby começou em 2017 enquanto eu estava desempregada na tentativa de aprender algo novo e divertido; hoje, se eu puder largar mão e nunca mais pegar, faço sem nem pestanejar), não sinto mais prazer nem mesmo em fazer Bullet Journal ou comprar coisas de papelaria (quem me acompanha aqui ou no YouTube há algum tempo sabe que adoro escrever, decorar, colecionar itens de papelaria). Tudo virou um porre.

Naturalmente, por que compartilho isso? Por muito tempo considerei essa falta de ânimo um verdadeiro embaraço, uma vergonha por simplesmente não conseguir força de vontade para me impulsionar adiante e simplesmente fazer alguma coisa. Todo mundo estava fazendo, então por que só eu não conseguia? Preguiça?

Mas hoje, no aniversário do blog (e já há alguns dias, na verdade), tento seguir por uma nova abordagem. Apenas faça. Uma coisa de cada vez. Assim que der na telha. Faça. Com o coração e não por se sentir obrigada. Com satisfação e não apenas pra cumprir tabela.

O blog já estava abandonado, o canal também, os livros se empilham na estante, o BuJo está vazio há quase seis meses. É difícil? Sim, completamente. Sempre me cobrei muito, isso desde criança. Faça o seu melhor e faça sempre. Mas a verdade é que eu esperava resultados que não vieram. Esperava deslanchar de uma forma que nunca aconteceu.

Isso desanima, mas ei, não sou a única desse planeta a se sentir assim, certo? Por isso, um passo de cada vez. Uma página de cada vez. Uma linha de cada vez. Redescobrir o prazer das coisas é difícil e demanda paciência (algo que tenho ficado cada vez mais sem). Mas a verdade é que, se eu não tiver essa benevolência comigo mesma, quem terá? Quem será paciente até que eu reencontre o caminhar com as minhas próprias pernas? Ninguém. Porque todos esperam que eu simplesmente corra atrás e siga o ritmo que todos ditam. E não é bem assim que funciona.

Por muitos anos eu me cobrei, deveria estar estudando aquilo, aprendendo isso, lendo aquele livro, resenhando aquele filme, testando aquela receita de crochê, fazendo aquele layout de Bullet Journal. Novidade: ninguém se importava se eu não fizesse, e, mesmo assim, eu me martirizava. Por que não consigo fazer? Por que não tenho interesse nenhum nisso? O que isso vai trazer para mim de recompensa? Novidade (2): Nada.


Então, hoje vim aqui desabafar, sim, mas também dizer o que houve para que eu tenha sumido assim. Planos eu sempre tive, ideias também, sonhos tanto mais. Mas em algum lugar no meio do caminho ficou estagnada a minha vontade de realmente colocar tudo isso em prática. E, enquanto eu tentava desempacar o burro, simplesmente desisti de tentar empurrar para frente e só sentei na sombra com o burro mesmo.

2020 e 2021 têm sido anos estressantes, desgastantes, desanimadores por um milhão de motivos. E tenho certeza de que para muitas outras pessoas também. Às vezes tenho um respiro de esperança, noutras parece que nunca vai mudar para melhor. Mesmo assim, seguimos. Acreditando num amanhã melhor? Às vezes. Mas, mais importante do que tudo: sempre esperando pelo amanhã e acreditando que, aos trancos e barrancos, ele vai chegar.

Não faço aqui promessas de que o blog vai continuar, não faço promessas de que vídeos novos sairão todo dia x ou y da semana. Hoje trabalho com um passo de cada vez. Hoje vim aqui e escrevi isso para vocês. Quem vai ler? Não faço ideia. Alguém vai ler? Talvez. E sigo, com a sensação de que posso ticar da minha lista um desejo (não uma tarefa) que eu tinha que era o de vir aqui falar no 13° aniversário de existência do blog.

Deixo aqui uma sugestão para você que leu até o final e talvez se interesse por comentar: sinta-se à vontade para compartilhar suas dificuldades, dar dicas de retomar as atividades com gosto e prazer, pedir sugestões ou simplesmente enviar uma mensagem de conforto. De todo modo, eu te agradeço.


Fiquem bem e se cuidem!

2 comentários

  1. Oi Vê,
    Que ótimo ler uma postagem sua depois de tanto tempo.
    Primeiro quero desejar meus sentimentos em relação a sua avó. No início do ano meus pais pegaram covid, com pneumonia, e eu lembro todas as sensações horríveis q tive na mente. Então imagino o que o pessoal da sua casa deve tá passando ainda. Eu tb tive, mas foi só a questão do cheiro e gpstp - que nunca volta ao mesmo né?

    E eu ando assim q nem você, parece que nada mais me preenche. Um desânimo sem fim. O desemprego é o maior culpado, e o blog até ajudava mas não tenho mais prazer como antes. Esses últimos anos só veio acompanhado de estresse. E fora que as coisas mudaram. A galera só quer competir por ego, exposição, disputa de quem gasta mais e quem é mais reconhecido... tudo que minha saúde mental não precisa e/ou abomina. Já pensei em deletar tudo umas 4 vezes esse ano.
    Minha autoestima é a própria caçamba de lixo, então já comecei me distanciando das parcerias. Não pretendo me inscrever mais.

    Minha ideia é focar no que mais curto: os filmes e as séries. Livros podem continuar, mas sem cobranças. Acho q vc poderia fazer isso tb, focar no q vc mais curte, sem esperar. Doramas, as músicas... e textos pessoais, pq vc escreve muito bem.

    Vc sabe, qualquer coisa só chamar na DM e a gente conversa.

    bjs

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    1. Sempre um prazer e uma alegria contar com o seu apoio e comentário, Nana! Muito obrigada, de coração!
      Nem me fale, tenho medo dessa doença todos os dias; achei que estando vacinada, inclusive a minha avó, esse medo diminuiria. Mas não foi o que aconteceu, acho que fiquei com ainda mais medo até.

      Parece uma eterna disputa que só vai mudando de rede social, né? Blogar, infelizmente, perdeu espaço para os influencers de Instagram e YouTube. Por isso achei que seria o certo retornar para o blog, que foi onde comecei. Nem me importo muito se as pessoas não lerem, estou fazendo isso por mim e acho que você sabe bem o que estou dizendo.
      As parcerias eu desisti há muito tempo, lembra? Só tenho a Arqueiro/Sextante, mas também não sei por quanto tempo já que mal faço resenhas... É a parceria mais antiga do blog. De resto, perdi completamente o interesse. A competição te persegue até numa coisa que era pra ser gostosa, né? Já não bastasse no mercado de trabalho, pelamor...

      Quando pensei em voltar a postar aqui fiz exatamente o que você falou: foquei no que curtia e não me cobrei. Fui aos poucos e me senti muito bem. Eu amo as suas indicações de filmes de Natal e estou aguardando ansiosa para esse ano também! Não desista, seguimos fortes e seguimos juntas, hein?

      Também estou aqui para o que você precisar! Desemprego, desânimo e falta de perspectivas é só chamar kkkkk Mas eu desejo do fundo do coração que as coisas melhorem pra nós!

      Obrigada mais uma vez por tirar um tempinho e vir até aqui! <3
      xx

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